A Axós de Aruanda abriu as portas em 2010 em uma pequena sala de uma galeria na avenida Voluntários da Pátria e hoje ocupa um prédio de quatro andares no Centro de Porto Alegre

Loja com roupas de religião de matriz africana expande no Centro Histórico


A Axós de Aruanda abriu as portas em 2010 em uma pequena sala de uma galeria na avenida Voluntários da Pátria e hoje ocupa um prédio de quatro andares no Centro de Porto Alegre

Há 14 anos no Centro Histórico de Porto Alegre, a Axós de Aruanda (@aruandaaxos) se consolidou como uma das principais lojas de axós - vestimentas utilizadas por praticantes de religiões de matriz africana. O estabelecimento, que começou em 2010 em uma pequena sala de uma galeria na avenida Voluntários da Pátria, hoje ocupa um prédio de quatro andares na esquina da General Câmara com a Siqueira Campos, ainda no Centro.
"Sempre fui apaixonada por pombagiras desde criança. Eu e minha família sempre fomos da religião, e minha mãe sempre confeccionava roupas para nossos irmãos de santo. Sempre gostei de desenhar os axós", conta Katherin Rex, sócia proprietária da loja.
Assim como muitos outros estabelecimentos, a Axós de Aruanda foi inundada durante as enchentes de maio. A loja ocupava um ponto na rua Uruguai e estava prestes a se mudar para o novo endereço quando o Guaíba invadiu o Centro Histórico. A mudança ocorreu porque, no antigo ponto, não havia mais possibilidades de expandir a produção, sendo necessário encontrar um espaço maior.
"Setembro é o momento de maiores vendas do ano. Nos mudamos para cá para conseguir dar conta da produção. Estávamos finalizando a reforma quando a água veio e destruiu as duas lojas. A antiga, onde estavam os nossos produtos, e esta aqui, onde já estava quase tudo pronto para abrir. Perdemos 90% do estoque", relata a empreendedora. Com um prejuízo avaliado em cerca de R$ 1 milhão, contabilizando a perda de estoque e de faturamento, a loja ficou com as atividades paralisadas do dia 3 de maio ao dia 1º de julho.
"Inicialmente, éramos um ateliê, que era da minha mãe junto com o meu irmão. Acabei entrando com eles para ajudar na loja. Minha mãe sempre foi costureira e fazia axós sob medida. A gente tinha meia dúzia de peças prontas na loja", lembra Katherin.
Na época, Katherin era estudante do curso de Serviço Social, e ajudar a família no negócio permitia que ela conseguisse focar nos estudos e trabalhar paralelamente. Apesar disso, a paixão pela costura e o amor pela religião fizeram com que ela se dedicasse mais ao negócio da família. Além disso, a empreendedora percebia que a necessidade dos clientes era outra. "O público aqui do Centro chega na loja e precisa da roupa pronta. Muitas pessoas acabam deixando para a última hora, têm algum imprevisto, têm uma vida mais corrida. Nós já fazíamos as peças bem rápido, o que era um diferencial, mas começou a ficar cheio demais para dar conta", comenta.
Três anos após a abertura da loja, a mãe da empreendedora, Ronilda Remião, resolveu focar mais no seu próprio ateliê. Assim, Katherin e seu irmão, Edwin Rex, resolveram comprar e assumir o negócio. A loja foi desvinculada da produção, e os sócios decidiram focar em peças prontas. "Começamos a tentar produzir em uma escala maior, ter uma grade de tamanhos, mais numerações, e minha mãe passou a ser nossa fornecedora. Foi aí que viramos a chave", afirma.
A grande mudança veio em 2017, quando os sócios resolveram buscar um novo ponto e expandir. A loja passou a ocupar uma sala térrea, onde tinham mais visibilidade. Junto a isso, com o crescimento das redes sociais, a marca começou a investir nas plataformas online. De acordo com a sócia, a mudança e o aumento na procura foram instantâneos, sendo preciso, pela primeira vez, contratar funcionários.
Segundo Katherin, a busca por reconhecimento de sua religião a motivou a procurar um espaço maior e mais visível. "Todas as religiões podiam expor suas fés sem se esconder, em um lugar bom, de fácil acesso. Antes, era tudo muito escondido. Quando começamos, era em uma lojinha de galeria, e o público foi mudando. Antigamente, as pessoas tinham medo, receio de serem rejeitadas, de sofrer algum tipo de repressão, e hoje já não precisamos mais nos esconder", reconhece.

Durante a pandemia de Covid-19, a marca cresceu e expandiu suas vendas para fora do Rio Grande do Sul. Com o distanciamento social, os sócios começaram a pensar em maneiras de seguir com a marca e cumprir com as obrigações. "A gente já tinha três funcionários e precisávamos continuar pagando eles", comenta Katherin, que passou a estudar Marketing Digital para conseguir fortalecer a marca online. Em menos de cinco meses, os empreendedores tiveram que contratar mais quatro funcionários para dar conta do volume de vendas.

Loja ocupa prédio de quatro andares no Centro Histórico de Porto Alegre  | JÚLIA FERNANDES / JC
Loja ocupa prédio de quatro andares no Centro Histórico de Porto Alegre JÚLIA FERNANDES / JC

Atualmente, 60% das vendas realizadas são online, com destino para todo o Brasil, principalmente para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O segundo andar da loja é voltado somente para o setor de vendas online para dar conta da demanda.
"A fábrica ocupa o terceiro andar inteiro do prédio. Eu e minha mãe viramos sócias novamente e resolvemos fundir tudo. Axós de Aruanda é uma loja física, online e fábrica. Os produtos são feitos aqui, e os desenhos são meus. Minha mãe coordena a mesa, faz os moldes, coordena a questão dos cortes, e 90% da criação é minha", afirma.
A loja trabalha com duas linhas de roupas: uma básica e a segunda mais premium. A primeira linha é composta por conjuntos que custam até R$ 200,00, mas existem opções com valores mais altos. Além disso, a marca se preocupa em contemplar todos os tipos de corpos. "Nossas peças têm uma forma maior do que o padrão. Acho muito triste um cliente chegar na loja e a gente não conseguir atender à necessidade dele porque não temos produtos para ele", comenta Katherin.
 


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