Iniciativas pensadas para democratizar e fomentar o consumo da bebida têm feito sucesso entre a clientela gaúcha, em especial, o público jovem

Negócios com foco em vinhos buscam conquistar público jovem em Porto Alegre

Iniciativas pensadas para democratizar e fomentar o consumo da bebida têm feito sucesso entre a clientela gaúcha, em especial, o público jovem

Um vinho sem complicações, pensado para ser consumido em qualquer lugar e ocasião. Essa é a proposta do Suspeito, novo negócio de vinhos de Porto Alegre. A marca foi criada pelas jovens empreendedoras Manoela Bertaso, Rafaela Aquino e Vanessa Hermes.
Um vinho sem complicações, pensado para ser consumido em qualquer lugar e ocasião. Essa é a proposta do Suspeito, novo negócio de vinhos de Porto Alegre. A marca foi criada pelas jovens empreendedoras Manoela Bertaso, Rafaela Aquino e Vanessa Hermes.
Administradoras, as sócias contam que não pensavam em empreender juntas. Vanessa, inclusive, nem pensava em abrir o próprio negócio. Porém, a partir do momento em que a ideia do Suspeito foi amadurecendo, a decisão de iniciar a sociedade em conjunto foi fácil, segundo elas.
"Foi uma coisa que acabou surgindo naturalmente. Sempre tive vontade de empreender por conta da minha história. Para mim, foi uma oportunidade abrir um negócio em um segmento que sempre tive muito interesse. Então, quando a ideia surgiu, nem teve a fase do 'vamos contemplar', pulamos direto para o 'vamos fazer'", conta Manoela.
As empreendedoras procuraram criar um produto que refletisse seus próprios interesses. Muito ligadas à cena gastronômica da capital gaúcha, as sócias idealizaram uma bebida que pudesse ser consumida nas mais diversas situações, buscando atingir um público que, assim como elas, é jovem e gosta de aproveitar eventos ao ar livre.
"O modelo de negócio surgiu com a ideia de alcançar o público jovem adulto. Percebemos a oportunidade de conseguir atingir esse público, que outros mercados, como por exemplo o da cerveja, já haviam conseguido criar um vínculo. O mercado do vinho é muito descentralizado, focado em tradicionalismo e aspectos técnicos. Acaba sendo muito focado no passado, e a gente quer vender vinho para o presente", afirma Rafaela.
Um dos principais ideais do Suspeito é aumentar as possibilidades de consumo da bebida, que, tradicionalmente, está relacionado a eventos especiais e grandes celebrações. "Queremos focar no que nós acreditamos, que é o principal valor do vinho. Fugir dos aspectos técnicos e focar nas vivências e no relacionamento que as pessoas têm em volta dele. Queremos focar nos momentos, nos amigos, nas histórias, nas risadas. Víamos que o vinho tinha um grande potencial se fosse pensado por esse lado" admite Rafaela.
A ideia de tornar o consumo do vinho acessível está refletida em todos os aspectos da marca, desde o nome até o design da garrafa. O vinho é vendido em um recipiente com tampa corona - muito comum nas embalagens de cerveja -, com o objetivo de facilitar a vida de quem deseja degustar o produto fora de casa. Já o nome Suspeito vem do intuito da marca de ser um empreendimento jovem e com uma proposta diferente, mas sem querer soar disruptivo ou rebelde, algo que, segundo elas, poderia acabar afastando o cliente mais inserido no mundo da enologia.
"É um nome que já te deixa intrigado. É um adjetivo muitas vezes usado de forma pejorativa, daí gera essa curiosidade. Se tu olhas um vinho com esse nome na carta, chama a atenção e já nos projeta um pouco mais do que o resto", explica Manoela.
Por não se tratar de uma vinícola, a produção das bebidas da Suspeito acontece através de uma parceria com a Cooperativa Vinícola São João. Localizada no município de Farroupilha, a São João é uma iniciativa de um grupo de famílias que se reuniu com o objetivo de vinificar as suas uvas. Atualmente, a cooperativa conta com mais de 400 famílias associadas. "Eles foram muito parceiros e ajudaram a realizar o projeto. Eles recebem novas ideias de braços abertos e gostam de atender pequenas marcas", explica Manoela.
A marca conta com dois produtos em seu catálogo: o vinho branco 100% Chardonnay, que as empreendedoras garantem ser leve e fácil de beber, e a espumante branca brut, elaborada com as uvas Chardonnay, Prosecco e Riesling. Apesar disso, as sócias afirmam que, futuramente, a Suspeito irá aumentar sua cartela, adicionando um vinho tinto e um rosé para a lista de produtos.
Por enquanto, os produtos estão disponíveis no site da marca ou em restaurantes parceiros, como o Fervo, Pito, Tuyo Bar, Tú Bar, Otro Bar, entre outros. As empreendedoras também pretendem participar de eventos de rua, como feiras, por exemplo.
"Queremos muito trabalhar cada vez mais com a comunidade de bares e restaurantes. Ocupar esses ambientes faz todo sentido com o posicionamento da marca, afinal, são nesses espaços que queremos que o vinho esteja mais presente", explica Manoela.
Encomendas pelo site suspeitovinho.com ou Instagram (@suspeitovinho). Mais informações pelo WhatsApp (51) 98058-9733 ou e-mail: falecom@suspeitovinho.com.
 

Inspirado em Buenos Aires, bar de vinhos abre em casarão histórico

O Tuyo é a novidade da rua Felipe Camarão, nº 268, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. O novo bar tem como carro-chefe os vinhos. A proposta é democratizar e descomplicar o consumo da bebida, oferecendo taças a partir de R$ 22,00 e rótulos que fogem do comum. O negócio dá vida a um casarão histórico dos anos 1940, conceito que tem inspiração em Buenos Aires.
Os influenciadores digitais e empreendedores Ian Spritzer e Maria Hagel são os nomes à frente da operação. "Somos apaixonados por gastronomia, tanto como produtores de conteúdo quanto como consumidores. Adoramos conhecer novos lugares e novas culinárias", diz Ian. Em uma viagem à França, em março deste ano, conheceram um modelo de negócio enxuto para venda de vinhos e itens de charcutaria. "Estávamos obcecados pela ideia de abrir uma operação parecida", lembra Maria.
A ideia, no entanto, acabou não vingando. "Ficamos três meses negociando e não conseguimos nada. Ficamos desapontados", recorda Ian. A decisão para viabilizar a abertura de um novo empreendimento foi inspirar-se em outros países, trocando os franceses pelos argentinos. "No Tuyo, quisemos trazer um pouco da ambientação de Buenos Aires, de um casarão antigo, com portas abertas e mesas na rua", fala Maria. Foi realizado um investimento de cerca de R$ 500 mil para a revitalização do espaço. A fachada histórica foi mantida.
Apesar das referências internacionais terem mudado ao longo do projeto, os vinhos e o consumo da bebida sem muitas complicações sempre seguiram como norte. "As pessoas imaginam um bar de vinhos como uma coisa séria, inacessível. Queremos ser um lugar para as pessoas que gostam de sair para beber de bermuda, tênis, chinelo, qualquer jeito", destaca a empreendedora. Também é parte da proposta do Tuyo apresentar ao mercado rótulos nem tão convencionais, como a marca de vinhos Suspeito.
Por isso, o bar disponibiliza, toda semana, quatro rótulos, um para cada tipo de vinho, com preços mais acessíveis para consumo em taça. "São vinhos que fogem um pouco do comum, para que as pessoas possam conhecer novas bebidas, sem necessariamente serem oneradas no bolso", explica Ian. Os preços das taças da semana variam de R$ 22,00 a R$ 32,00, a depender da data. A carta para consumo em garrafa tem mais de 70 rótulos de vinhos disponíveis.
Além disso, o Tuyo oferece drinks e conta com mais de 20 alternativas clássicas e autorais. Um dos destaques, como apontam os sócios, é o gaspari barbieri, uma bebida da casa à base de amora, mirtilo, Aperol, Campari e albumina. Os valores dos drinks partem de R$ 30,00. O cardápio também possui chopes e cervejas.
Em relação às comidas, o bar disponibiliza opções de petiscos para compartilhar. A inspiração na gastronomia da Argentina segue em foco. A empanada de entranha, comercializada a duas unidades por R$ 22,00, e o sanduíche de milanesa, que custa R$ 48,00, são os itens favoritos da clientela.
O cardápio do Tuyo também conta com croissant de polvo, alfajor crudo - três unidades de uma espécie de alfajor salgado de steak tartare - e tostada de lula. As alternativas custam, respectivamente, R$ 48,00, R$ 38,00 e R$ 39,00. Opções veganas e vegetarianas, como o tempurá de cogumelos, que sai por R$ 32,00, também estão disponíveis no menu.
Os sócios afirmam que o bar está sendo bem recebido pelos clientes. "Abrimos e já foi um sucesso. Veio muita gente. É gratificante", diz Maria. "O Bom Fim está nos abraçando. Está pegando todos os públicos, dos 20 aos 80 anos", complementa Ian.
Localizado na rua Felipe Camarão, nº 268, na esquina com a rua Vasco da Gama, o Tuyo está aberto de terça-feira a domingo, das 18h30min à meia-noite.
 

Plataforma oferece experiências voltadas ao enoturismo

Foi da paixão pelo empreendedorismo, atrelada ao apreço pelo vinho, que o publicitário Diego Fabris criou a Wine Locals. Atuando desde 2020 no ramo, a plataforma busca oferecer diferentes experiências relacionadas ao mundo do vinho para os mais diversos consumidores, como tours por vinícolas, degustações e refeições harmonizadas.
"É entregar a experiência certa para o consumidor certo. Um consumidor que está iniciando no mundo do vinho busca um tipo de experiência diferente do consumidor que já é apaixonado por vinhos e visitou várias vinícolas, o que também é diferente de um público mais maduro, que é um enófilo e já visitou várias vinícolas", declara Diego, que comanda o negócio ao lado dos sócios Matheus Vigel, José Renato Hopf, do Grupo Four e do Víssimo Group.
O negócio tem início na Serra Gaúcha, região que deu origem aos primeiros guias e roteiros enoturísticos da plataforma. Apesar de ter iniciado durante o ano de pandemia, Diego acredita que, diferente de outros setores, o enoturismo prosperou muito ao longo do período de isolamento social. "A democratização do vinho foi a única coisa boa da pandemia. O consumo cresceu absurdamente no Brasil Foi uma série de novos consumidores que começaram a viajar muito para o interior, principalmente em regiões com vinícolas", considera o empreendedor.
As redes sociais também geraram um impulso significativo sobre o negócio, garante Diego. Além de oferecer experiências que levam os consumidores até as vinícolas, a Wine Locals conta com vídeos e conteúdos online que buscam criar uma maior conexão com a clientela. "Temos o Guia Wine Locals, que é um guia digital para cada uma das regiões que trabalhamos, e isso se desdobra muito no Instagram, no TikTok e no nosso canal do YouTube, que é o nosso carro-chefe, estamos beirando 1 milhão de visualizações por lá", expõe Diego.
O empreendedor afirma que, no último ano, a operação praticamente dobrou os seus resultados. Desde 2020, foram mais de 250 mil experiências vendidas, sendo 100 mil destas durante o ano passado. São mais de 250 atividades disponíveis na plataforma e os valores podem variar entre R$ 50,00 e R$ 3 mil por experiência. A marca também está presente no Uruguai, Chile e Argentina.