A 49ª Expointer encerra neste domingo (6) com R$ 6,18 bilhões em negócios, alta de 40% sobre os R$ 4,4 bilhões registrados em 2025. O resultado representa uma recuperação importante depois do tombo do ano passado, mas ainda não devolve a feira ao patamar alcançado em 2024, quando o faturamento chegou a R$ 8,1 bilhões.
A reação veio principalmente de máquinas e implementos agrícolas, responsáveis pela maior parcela dos negócios realizados no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O segmento movimentou R$ 5,46 bilhões, crescimento de 45% frente aos R$ 3,77 bilhões do ano passado. O resultado surpreendeu até mesmo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), depois de uma feira marcada, ao longo da semana, por relatos de menor movimento de compradores e cautela nos investimentos.
A comparação mais longa, porém, dimensiona os limites dessa recuperação. Em 2024, máquinas e implementos haviam movimentado R$ 7,39 bilhões na Expointer. Mesmo com o avanço deste ano, portanto, as vendas ainda estão cerca de 26% abaixo daquele nível.
Diretora-executiva do Simers, Ana Paula Werlang reconhece que a baixa base de comparação contribuiu para o crescimento. Em 2025, as vendas de máquinas haviam despencado 49%. “Nós nos surpreendemos com as vendas das máquinas, porque no ano passado tivemos vendas muito ruins”, afirmou durante a apresentação do balanço.
Outro fator ajuda a explicar a diferença entre o resultado final e a percepção de mercado mais fraco observada durante a feira: uma parcela relevante dos equipamentos negociados na Expointer tem compradores de outros estados. E para lá foram mais de 90% dos negócios encaminhados.
Segundo Ana Paula, enquanto o Rio Grande do Sul ainda enfrenta os efeitos do endividamento dos produtores, outras regiões do País vêm de safras melhores. “A gente não vende máquinas só para o Rio Grande do Sul”, explicou.
A executiva citou especialmente mercados como Paraná e Santa Catarina e destacou a posição da Expointer como primeira grande feira do setor depois da abertura do Plano Safra.
O desempenho ocorre ainda em uma edição na qual o próprio número de fabricantes presentes diminuiu. Segundo o Simers, houve redução de 18% na participação de empresas de máquinas, reflexo das incertezas econômicas e da expectativa de menor retorno comercial.
Apesar da reação, a entidade mantém o alerta sobre as condições financeiras dos produtores gaúchos. A disponibilidade de recursos nas instituições financeiras, segundo a executiva, não significa necessariamente acesso ao financiamento. “Não adianta o banco ter crédito disponível e não liberar esse crédito para o produtor, porque o produtor hoje está endividado e não consegue dar uma garantia”, disse.
O diagnóstico converge com um dos principais temas políticos da 49ª Expointer. A renegociação das dívidas rurais atravessou a programação da feira e mobilizou produtores, entidades e parlamentares.
Presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes avaliou que o desempenho deste ano sinaliza reação, mas também relacionou o resultado ainda inferior a 2024 às dificuldades financeiras no campo. “Os números comprovam aquilo que durante a semana nós falamos: o fundo do poço já passou”, afirmou.
A pecuária também chega ao encerramento com desempenho positivo. A comercialização de animais ultrapassou R$ 21 milhões, acima dos R$ 15,47 milhões de 2025. O movimento acompanha uma edição marcada por maior presença de animais e pelo momento mais favorável vivido especialmente pela pecuária de corte.
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, o desempenho das vendas reflete a continuidade dos investimentos em genética. “A genética é um ato contínuo, de médio a longo prazo. Você não pode quebrar, porque vai pagar muito caro daqui para frente”, afirmou.
Domingos também destacou a pecuária entre os segmentos em situação mais favorável nesta edição. Segundo o presidente da Farsul, a recuperação das commodities e o desempenho das proteínas animais ajudam a sustentar a reação do agro, embora as dificuldades financeiras permaneçam concentradas especialmente na agricultura.
Agricultura familiar bate recorde
A agricultura familiar também encerra a feira com novo recorde. As vendas no pvilhão chegaram a R$ 14,4 milhões, superando os R$ 13,63 milhões registrados em 2025. O resultado foi alcançado depois de um início de feira prejudicado pela chuva. Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, após quatro dias as vendas estavam 25% abaixo das registradas no mesmo período do ano anterior.
O setor automobilístico movimentou mais de R$ 660 milhões, ante R$ 591,9 milhões no ano passado. Comércio e alimentação ficaram em torno de R$ 17 milhões, enquanto o artesanato superou R$ 2 milhões.
O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou que o faturamento agregado ficou praticamente 40% acima do registrado na edição anterior. Os dados apresentados neste domingo ainda são parciais e podem sofrer atualizações.
A 50ª Expointer já tem data marcada. A edição que levará a feira à marca de meio século será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027.