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Publicada em 06 de Setembro de 2026 às 16:36

Expointer fatura R$ 6,18 bilhões e recupera parte das perdas de 2025

Vendas para outros estados puxaram alta no setor de máquinas, explicou Ana Paula Werlang

Vendas para outros estados puxaram alta no setor de máquinas, explicou Ana Paula Werlang

TÂNIA MEINERZ/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
A 49ª Expointer encerra neste domingo (6) com R$ 6,18 bilhões em negócios, alta de 40% sobre os R$ 4,4 bilhões registrados em 2025. O resultado representa uma recuperação importante depois do tombo do ano passado, mas ainda não devolve a feira ao patamar alcançado em 2024, quando o faturamento chegou a R$ 8,1 bilhões.
A 49ª Expointer encerra neste domingo (6) com R$ 6,18 bilhões em negócios, alta de 40% sobre os R$ 4,4 bilhões registrados em 2025. O resultado representa uma recuperação importante depois do tombo do ano passado, mas ainda não devolve a feira ao patamar alcançado em 2024, quando o faturamento chegou a R$ 8,1 bilhões.
A reação veio principalmente de máquinas e implementos agrícolas, responsáveis pela maior parcela dos negócios realizados no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O segmento movimentou R$ 5,46 bilhões, crescimento de 45% frente aos R$ 3,77 bilhões do ano passado. O resultado surpreendeu até mesmo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), depois de uma feira marcada, ao longo da semana, por relatos de menor movimento de compradores e cautela nos investimentos.
A comparação mais longa, porém, dimensiona os limites dessa recuperação. Em 2024, máquinas e implementos haviam movimentado R$ 7,39 bilhões na Expointer. Mesmo com o avanço deste ano, portanto, as vendas ainda estão cerca de 26% abaixo daquele nível.
Diretora-executiva do Simers, Ana Paula Werlang reconhece que a baixa base de comparação contribuiu para o crescimento. Em 2025, as vendas de máquinas haviam despencado 49%. “Nós nos surpreendemos com as vendas das máquinas, porque no ano passado tivemos vendas muito ruins”, afirmou durante a apresentação do balanço.
Outro fator ajuda a explicar a diferença entre o resultado final e a percepção de mercado mais fraco observada durante a feira: uma parcela relevante dos equipamentos negociados na Expointer tem compradores de outros estados. E para lá foram mais de 90% dos negócios encaminhados.
Segundo Ana Paula, enquanto o Rio Grande do Sul ainda enfrenta os efeitos do endividamento dos produtores, outras regiões do País vêm de safras melhores. “A gente não vende máquinas só para o Rio Grande do Sul”, explicou.
A executiva citou especialmente mercados como Paraná e Santa Catarina e destacou a posição da Expointer como primeira grande feira do setor depois da abertura do Plano Safra.
O desempenho ocorre ainda em uma edição na qual o próprio número de fabricantes presentes diminuiu. Segundo o Simers, houve redução de 18% na participação de empresas de máquinas, reflexo das incertezas econômicas e da expectativa de menor retorno comercial.
Apesar da reação, a entidade mantém o alerta sobre as condições financeiras dos produtores gaúchos. A disponibilidade de recursos nas instituições financeiras, segundo a executiva, não significa necessariamente acesso ao financiamento. “Não adianta o banco ter crédito disponível e não liberar esse crédito para o produtor, porque o produtor hoje está endividado e não consegue dar uma garantia”, disse.
O diagnóstico converge com um dos principais temas políticos da 49ª Expointer. A renegociação das dívidas rurais atravessou a programação da feira e mobilizou produtores, entidades e parlamentares.
Presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes avaliou que o desempenho deste ano sinaliza reação, mas também relacionou o resultado ainda inferior a 2024 às dificuldades financeiras no campo. “Os números comprovam aquilo que durante a semana nós falamos: o fundo do poço já passou”, afirmou.
A pecuária também chega ao encerramento com desempenho positivo. A comercialização de animais ultrapassou R$ 21 milhões, acima dos R$ 15,47 milhões de 2025. O movimento acompanha uma edição marcada por maior presença de animais e pelo momento mais favorável vivido especialmente pela pecuária de corte.
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, o desempenho das vendas reflete a continuidade dos investimentos em genética. “A genética é um ato contínuo, de médio a longo prazo. Você não pode quebrar, porque vai pagar muito caro daqui para frente”, afirmou.
Domingos também destacou a pecuária entre os segmentos em situação mais favorável nesta edição. Segundo o presidente da Farsul, a recuperação das commodities e o desempenho das proteínas animais ajudam a sustentar a reação do agro, embora as dificuldades financeiras permaneçam concentradas especialmente na agricultura.

Agricultura familiar bate recorde

A agricultura familiar também encerra a feira com novo recorde. As vendas no pvilhão chegaram a R$ 14,4 milhões, superando os R$ 13,63 milhões registrados em 2025. O resultado foi alcançado depois de um início de feira prejudicado pela chuva. Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, após quatro dias as vendas estavam 25% abaixo das registradas no mesmo período do ano anterior.
O setor automobilístico movimentou mais de R$ 660 milhões, ante R$ 591,9 milhões no ano passado. Comércio e alimentação ficaram em torno de R$ 17 milhões, enquanto o artesanato superou R$ 2 milhões.
O secretário estadual da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Márcio Madalena, destacou que o faturamento agregado ficou praticamente 40% acima do registrado na edição anterior. Os dados apresentados neste domingo ainda são parciais e podem sofrer atualizações.
A 50ª Expointer já tem data marcada. A edição que levará a feira à marca de meio século será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027.

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