Atualizada em 7/9/2026, às 14h01min
A 49ª Expointer encerrou neste domingo (6) com R$ 6,18 bilhões em negócios, alta de 40% sobre os R$ 4,42 bilhões registrados em 2025. O resultado recompõe parte da forte queda do ano passado, mas ainda não devolve a feira ao patamar de 2024. Naquele ano, a comercialização chegou a R$ 8,1 bilhões, deixando o desempenho desta edição ainda 23,6% abaixo daquela marca.
A reação foi puxada principalmente por máquinas e implementos agrícolas, responsáveis por quase nove de cada dez reais movimentados na feira. O segmento alcançou R$ 5,46 bilhões, crescimento de 44,6% frente aos R$ 3,77 bilhões de 2025. O resultado surpreendeu até mesmo o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), depois de uma semana marcada por relatos de movimento fraco, produtores cautelosos e menor procura por financiamento para investimentos.
A surpresa ganha dimensão porque ocorreu mesmo com uma redução importante no número de fabricantes presentes no setor de máquinas, reflexo das incertezas que antecederam a feira. “A gente também se surpreendeu com as vendas das máquinas”, admitiu a diretora-executiva da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Ana Paula Werlang, na apresentação do balanço.
Números de faturamento da Expointer 2026
CHATGPT/JC
A comparação com
2024, porém, mostra os limites da recuperação. Naquela edição, máquinas haviam movimentado
R$ 7,39 bilhões. Em 2025, o segmento havia perdido praticamente
metade do faturamento na Expointer.
Parte da explicação para a diferença entre a percepção ao longo da feira e o resultado final está fora do Rio Grande do Sul. Ana Paula ressaltou que apenas uma parcela das máquinas negociadas na Expointer fica no Estado – nesta edição foram cerca de 5%. Enquanto produtores gaúchos ainda enfrentam endividamento e dificuldades para acessar crédito, outras regiões do País vêm de safras melhores e também compram na feira.
A executiva apontou ainda a realização da Expointer logo depois da abertura do novo Plano Safra e o desempenho de segmentos específicos. Houve crescimento nas vendas da linha amarela, voltada principalmente à construção e infraestrutura, e de equipamentos menores, embora o Simers não tenha aberto quanto cada grupo representa nos R$ 5,46 bilhões.
O desempenho reforça uma diferença entre a recuperação das vendas da feira e a situação financeira do produtor gaúcho. Segundo Ana Paula, há recursos disponíveis no sistema bancário, mas produtores endividados encontram dificuldades para apresentar garantias e acessar novos financiamentos. A renegociação das dívidas rurais, por isso, atravessou a programação da Expointer e esteve entre as principais reivindicações das entidades do setor.
Para o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, os números indicam que “o fundo do poço já passou”. Ele ponderou, porém, que as vendas de máquinas continuam inferiores às de 2024 e avaliou que o resultado poderia ter sido maior caso o problema do endividamento já estivesse equacionado.
A reação não ficou restrita às máquinas. A agroindústria familiar alcançou novo recorde, com R$ 14,4 milhões em vendas. O valor supera em 5,6% o faturamento de 2025 e em 32,4% o de 2024.
A pecuária também terminou a feira acima dos dois anos anteriores. A comercialização de animais atingiu R$ 21,99 milhões, alta de 21% sobre 2025 e de 15,8% frente a 2024.
O desempenho acompanha a recuperação das commodities pecuárias e das proteínas animais destacada pelas entidades durante a feira. O movimento apareceu também na presença de animais: foram 7.926 inscritos, entre rústicos e de argola.
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, o cenário favorece a continuidade dos investimentos em genética. “A genética é um ato contínuo, de médio a longo prazo. Você não pode quebrar, porque vai pagar muito caro daqui para frente”, afirmou.
A 50ª Expointer já tem data marcada. A edição comemorativa será realizada de 28 de agosto a 5 de setembro de 2027.