Ana Esteves, especial para o JC
O aquecimento da comercialização de animais nos remates realizados durante a 49ª Expointer, que movimentou cerca de R$ 21,9 milhões em negócios durante a feira e o resultado geral da mostra que aponta para incremento de 40% no geral dos negócios, sinalizam que “o fundo do poço já passou”.
A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho que, durante o balanço da participação da entidade na Expointer, acrescentou que “os mercados já começam a se alinhar, o avanço dos biocombustíveis, com o Brasil como o grande player dessa pauta para driblar Ormuz, e o bom momento do ciclo pecuário apontam que o agronegócio gaúcho começa a superar o período mais crítico de dificuldades”, declarou o dirigente.
Foram 1.567 negócios na área de pecuária, incluindo animais, coberturas, sêmen, embriões e cotas. Além disso, as rodadas de negócios realizadas durante a Expointer movimentaram US$ 2,4 milhões em negociações e a expectativa é de que o volume ultrapasse US$ 3 milhões nos próximos dias.
O resultado reúne produtos que vão além dos segmentos tradicionalmente associados à feira, como pecuária e grãos, e evidencia o potencial de internacionalização de diferentes cadeias produtivas do Rio Grande do Sul.
Segundo Domingos Velho, as demandas do setor começam a avançar, mas é necessário garantir condições para que produtores rurais de diferentes portes possam retomar o acesso ao sistema financeiro. “Não podemos deixar de atender e recolocar os nossos colegas produtores rurais, desde a agricultura familiar, permeando os médios e chegando à agricultura empresarial, que estão hoje fora do crédito oficial ou privado em razão do nosso endividamento”, afirmou.
O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, disse que renegociação de dívidas alcançou 11,7% do total percentual projetado a partir das regras estabelecidas pela Medida Provisória 1.376, mas o setor alerta para impacto na safra de verão. Isso porque o prazo para que a renegociação tivesse capacidade de evitar impactos mais severos na próxima safra de verão já passou.
“Para nós podermos ter certeza de que o produtor estivesse apto para passar para 2027 com tranquilidade, isso tinha que ter sido resolvido em maio, no máximo”, disse da Luz.
A lavoura de arroz já começa a ser implantada em setembro, enquanto milho e soja se aproximam das respectivas janelas de plantio. Sem crédito suficiente, produtores podem ter dificuldades para adquirir fertilizantes, sementes e demais insumos no momento adequado. “O momento atual é de tentar reduzir os efeitos do problema e manter os produtores minimamente viáveis para cumprir seus compromissos, mas sem a mesma capacidade de realizar uma safra considerada pujante”, disse o especialista.