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Publicada em 05 de Setembro de 2026 às 14:55

60 garrafas de vinho e mais de 10kg de queijo: o custo das provinhas da Expointer

Visitantes experimentam embutidos oferecidos por produtores no Pavilhão da Agricultura Familiar durante a Expointer 2026.

Visitantes experimentam embutidos oferecidos por produtores no Pavilhão da Agricultura Familiar durante a Expointer 2026.

Júlia Fernandes/Especial/JC
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Júlia Fernandes
Júlia Fernandes Repórter
Só em 2025 o Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer movimentou mais de R$ 13,5 milhões em vendas. Entre tantos produtos disponíveis, parte deles é consumida antes mesmo de chegar às prateleiras. A degustação é tratada como investimento para conquistar clientes e transformar uma provinha em compra.
Só em 2025 o Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer movimentou mais de R$ 13,5 milhões em vendas. Entre tantos produtos disponíveis, parte deles é consumida antes mesmo de chegar às prateleiras. A degustação é tratada como investimento para conquistar clientes e transformar uma provinha em compra.
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Na Vinícola Dallavino, a conta chega a cerca de 10 caixas destinadas exclusivamente à degustação durante a semana da feira. Ao todo, são aproximadamente 60 garrafas abertas para o público experimentar vinhos e espumantes. “Estando aqui, tem que oferecer a degustação. Com certeza”, afirma Matheus Dalla Corte, à frente da vinícola.

O retorno, segundo ele, não está apenas na venda imediata. A prova também apresenta a marca e abre negócios futuros. “Converte e vai converter em vendas futuras, a longo prazo, negócios”, explica.

Na Slaifer Agroindústria, a estimativa é de 40 a 50 garrafas de licor e cachaça utilizadas em degustações. Entre os produtos, o lançamento de mirtilo com pimenta é o destaque.
Para Maciel Slaifer, a degustação reduz a resistência de quem ainda não conhece o produto. “Às vezes, a pessoa não compra se ela não prova”, diz Maciel. Segundo ele, há também uma tradição ligada às agroindústrias. “É uma cultura do campo, de provar pra levar. No mercado a gente nunca vê.” No balcão, a ação se resume em “se não der prova, não vende”.

Na Queijaria Alvorada da Missioneira, de Canela, entre 10kg e 12kg de queijo já foram destinados às provas nos oito dias de Expointer. A proprietária Alessandra da Silva Valin estima que a degustação represente cerca de 12% do estoque levado à feira. O principal produto, o queijo Yamandu, já ultrapassou 600 peças vendidas. “A prova compensa. Se tu não oferecer degustação e se tu falar só o preço, as pessoas dão uma encolhida e não compram. Depois você dá a degustação, explica, aí eles compram”, conta Alessandra

Na Agroindústria Mohr são, no mínimo, 6kg diários, entre linguiças e demais embutidos. As vendas já superaram 900 unidades. “A cada dez clientes que passam e provam, uns seis compram”, estima Eduardo Ellwanger.

O cálculo ajuda a explicar por que os produtores aceitam abrir mão de mercadoria em uma feira que envolve gastos de transporte e estrutura. O valor investido nas pequenas porções pode voltar no caixa.

Movimento ganha força no meio da semana

A movimentação também mudou ao longo da Expointer. Os primeiros dias tiveram um fluxo mais baixo de visitantes devido à chuva, mas o público ganhou força entre terça e quarta-feira.

Na Slaifer, Maciel afirma que a quarta-feira marcou uma virada e o dia seguinte foi o melhor da feira até então. Na Queijaria Alvorada da Missioneira, o aumento também foi sentido na quarta-feira à tarde, o estande chegou a ficar sem produtos e foi necessário buscar mais mercadorias em Canela.

Na Dallavino, Matheus também identifica a mudança. “O primeiro fim de semana foi mais devagar, estava mais tranquilo. Agora, de quarta-feira em diante, o público começou a aumentar e hoje está um sucesso”, relata o produtor.

Para a estreante Doce de Leite Grespan, o início ficou abaixo da expectativa, mas a partir de quarta-feira o movimento melhorou. Inclusive, a agroindústria recebeu a medalha de melhor doce de leite da Expointer, com o doce de leite clássico. “A gente fica muito feliz justamente por causa dessa vitrine, que é a Expointer e a possibilidade das pessoas nos conhecerem”, afirma Cátia Grespan.
Gustavo Oliveira e Júlia Silveira aproveitam as degustações no Pavilhão da Agricultura Familiar durante a Expointer 2026. | Júlia Fernandes/Especial/JC
Gustavo Oliveira e Júlia Silveira aproveitam as degustações no Pavilhão da Agricultura Familiar durante a Expointer 2026. Júlia Fernandes/Especial/JC


Quem está do outro lado do balcão confirma que a estratégia da prova dá certo. Os visitantes Gustavo Oliveira e Júlia Silveira, de São Leopoldo, consideram a prova uma forma rápida de conhecer o produto. “A gente sempre prioriza comprar de quem dá a provinha”, comenta Gustavo carregado de compras. “A gente se sente mais acolhido”, completa Júlia.

A visitante Paola Peretto, que frequenta a Expointer há mais de 20 anos, havia experimentado cerca de dez produtos em poucas horas da manhã. Apesar da intolerância a glúten e lactose, Paola encontrou opções no pavilhão. “As sacolas estão todas cheias já”.

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