Os produtores de cachaça ligados à Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar e seus Derivados (Aprodecana-RS) chegaram ao último final de semana da Expointer com vendas superiores às da edição passada. Até as 18h de sexta-feira (4), o resultado acumulado pelos associados presentes no Espaço Aprodecana – Cachaças Gaúchas e no Pavilhão da Agricultura Familiar já havia ultrapassado o registrado em 2025, mas os números consolidados deverão ser conhecidos a partir de segunda-feira.
Segundo Filipe Toledo, diretor e conselheiro da Aprodecana-RS, a chuva prejudicou o movimento nos primeiros dias da feira, mas a comercialização ganhou ritmo na sequência. Das 32 empresas associadas à entidade, 14 estão reunidas no espaço próprio da Aprodecana no Parque Assis Brasil, enquanto outras participam pelo Pavilhão da Agricultura Familiar.
O público encontra cachaças, licores e outras bebidas quentes produzidas por empresas gaúchas. Para Toledo, a Expointer segue sendo o principal ambiente de venda direta ao consumidor para o setor.
Além de reunir clientes habituais das marcas, a feira funciona como vitrine para apresentar a cachaça gaúcha a pessoas que ainda não conhecem a produção do Estado. Entre os expositores está o publicitário paulista David Palmieri, que participa pela quarta vez da mostra com seis rótulos de cachaça e licor da marca Lord Palmieri. Na manhã deste sábado (5), ele acompanhava a chegada do público ao parque ainda na expectativa de recuperar os negócios represados nos primeiros dias, quando o movimento ficou abaixo do esperado.
Um dos destaques da Lord Palmieri é o Licor de Butiá. A bebida passa por um processo de fermentação e destilação em alambique de cobre e permanece em elaboração por cerca de um ano. Ao final, o destilado, que chega a 48% de teor alcoólico, recebe o butiá e os demais ingredientes que dão ao produto as características de licor e reduzem a graduação para 17,5%.
A receita foi a primeira desenvolvida por Palmieri, em 2017, quando criou a empresa. Desde então, ele acompanha uma mudança no perfil dos consumidores, percepção compartilhada pela Aprodecana-RS.
Segundo Toledo, a redução da procura pela cachaça é especialmente perceptível entre jovens de até 25 anos da Capital e da Região Metropolitana, enquanto consumidores do Interior ainda mantêm uma relação mais próxima com a bebida. Já entre o público acima dos 40 anos, empresas associadas vêm desenvolvendo novos produtos voltados às preferências desse mercado.
Ao mesmo tempo em que busca responder às mudanças de consumo, o setor aposta em estratégias de qualificação e diferenciação. Uma delas é o Selo de Reconhecimento Cachaça Gaúcha como Produto Premium, iniciativa voltada à valorização de bebidas produzidas no Estado que atendem aos critérios de qualidade estabelecidos pelo programa.
Outra aposta ganhou forma durante esta Expointer. A Aprodecana-RS assinou um protocolo de intenções com universidades interessadas em participar da implantação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cachaça de Alambique do Rio Grande do Sul, por meio de edital articulado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict). A proposta é aproximar produtores e pesquisadores para desenvolver conhecimento, tecnologia e inovação voltados à cadeia, em estrutura inspirada em um centro semelhante existente em Minas Gerais.
A entidade também aproveitou a feira para apresentar o projeto de sua nova sede, prevista para reunir, em um prédio de três pavimentos no parque Assis Brasil, áreas de varejo, administração e um rooftop. Às vésperas de completar 25 anos, em 2027, a Aprodecana-RS projeta ampliar sua atuação na representação dos produtores e fortalecer a presença da cachaça gaúcha em novos mercados.
Segundo Toledo, o Rio Grande do Sul ocupa hoje a terceira posição entre os maiores produtores de cachaça do País e o desafio dos próximos anos será combinar qualificação, regularização da atividade e expansão comercial.