Com o mês de setembro marcando o período de plantio do milho e a preparação para o cultivo da soja no Estado, a falta de definições operacionais coloca em risco o planejamento financeiro das propriedades gaúchas. De acordo com Lemos, a instituição financeira tem alertado repetidamente nos últimos 45 dias para a urgência de soluções efetivas.
Apesar da publicação recente de Medida Provisória voltada ao setor, a ausência de normas regulamentatórias adequadas impede que os bancos executem as repactuações de dívida na prática. Consequentemente, muitos agricultores permanecem impossibilitados de acessar inclusive os recursos da nova linha do Plano Safra.
"O Governo Federal acenou com a renegociação, mas foi levando para frente sem implementar as coisas, deixando os agricultores sem saber o que fazer. Veio a Medida Provisória, mas não saiu a regulamentação adequada até hoje. Portanto, as instituições financeiras e os produtores estão sem condições de alcançar aquilo que já está na MP para poder se reorganizar e pensar na safra futura. Parece que Brasília não enxerga e não tem urgência para nada. A produtividade lá é pior do que a produtividade no mais alto da estiagem em qualquer lugar do mundo", criticou Fernando Lemos.
Apesar do cenário de indefinição, o presidente do Banrisul revelou um aceno positivo obtido em conversas com autoridades nacionais. A expectativa é de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) publique uma nova resolução para equalizar os entraves normativos e viabilizar a liberação do crédito.
"Esperamos que efetivamente essa informação se confirme para que a gente possa começar a desafogar o tempo e seguir em frente. Os nossos produtores sabem trabalhar e sabem plantar, mas estão retidos por promessas que foram feitas e não implementadas", apontou o executivo.