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Publicada em 03 de Setembro de 2026 às 14:16

Vendas fracas de máquinas marcam reta final de uma Expointer em marcha lenta

Simers aponta dificuldades do setor e considera positivo se feira conseguir repetir vendas de 2025

Simers aponta dificuldades do setor e considera positivo se feira conseguir repetir vendas de 2025

Dani Villar/Especial/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
A Expointer entra na reta final sem conseguir reverter a baixa comercialização de máquinas e implementos agrícolas. No sexto dia da feira, fabricantes relatam menor presença de potenciais compradores e instituições financeiras identificam retração no movimento de propostas. O cenário coloca sob pressão até a expectativa do setor de apenas repetir o resultado de 2025, ano em que as vendas já haviam recuado fortemente.
A Expointer entra na reta final sem conseguir reverter a baixa comercialização de máquinas e implementos agrícolas. No sexto dia da feira, fabricantes relatam menor presença de potenciais compradores e instituições financeiras identificam retração no movimento de propostas. O cenário coloca sob pressão até a expectativa do setor de apenas repetir o resultado de 2025, ano em que as vendas já haviam recuado fortemente.
No ano passado, a comercialização de máquinas e implementos na Expointer somou R$ 3,7 bilhões, queda de 49% diante dos R$ 7,3 bilhões registrados em 2024. Para 2026, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) entrou na feira considerando satisfatório alcançar novamente o patamar do ano anterior. A poucos dias do encerramento, porém, os negócios seguem em ritmo lento.
A percepção das fabricantes piorou no decorrer da própria Expointer. A Yanmar chegou a Esteio trabalhando com a expectativa de repetir o desempenho de 2025. Agora, o coordenador de Vendas Márcio Martoni admite a possibilidade de terminar abaixo do ano passado.
A empresa percebeu redução na circulação de potenciais compradores pelo estande. Martoni considera que as condições climáticas durante a feira contribuíram para diminuir a visitação, mas identifica na menor disponibilidade de recursos para investimento a principal dificuldade para a concretização dos negócios.
A avaliação encontra correspondência nos bancos. Instituições que antes da abertura projetavam desempenho próximo ao do ano passado passaram a identificar menor movimento e operações mais contidas. No Sicredi, a percepção durante a feira é de retração em comparação com 2025.
“O Sicredi acompanha de perto o movimento do agronegócio e identifica um movimento menor em comparação com o ano passado. Esse cenário reflete um produtor muito mais cauteloso, que busca pesquisar, perguntar e consultar sobre possíveis negócios. Isso impacta diretamente a demanda por crédito e investimentos”, afirma o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port.
Uma segunda instituição financeira ouvida pelo Jornal do Comércio sob condição de anonimato é ainda mais incisiva: relata comercialização fraca e propostas de financiamento apenas pontuais para irrigação e manejo de solo. Para investimentos, a avaliação é de que praticamente não há movimento. O custeio da próxima safra, por outro lado, mantém demanda.
O mercado chegou à Expointer pressionado por uma combinação de fatores que já preocupava a indústria antes da abertura dos portões. Sucessivas perdas de safra no Rio Grande do Sul comprometeram a renda, o endividamento dos produtores cresceu, os juros permanecem elevados e os preços de produtos agrícolas limitam as margens.
O presidente do Simers, Claudio Bier, havia definido esse quadro como uma “tempestade perfeita”. A renegociação das dívidas rurais e a liberação dos recursos do Plano Safra eram vistas como possibilidades de devolver alguma capacidade de investimento às propriedades. A Expointer seria um primeiro grande teste dessa reação.
Até agora, ela não ocorreu na intensidade necessária para aquecer a comercialização. A necessidade de renovar máquinas, ampliar estruturas ou investir em tecnologia continua existindo, mas parte dessas decisões pode ser postergada. Diante da restrição financeira, o produtor concentra recursos naquilo que considera indispensável.
A indústria ainda conta com os últimos dias da Expointer para converter propostas em contratos, e parte das negociações iniciadas em Esteio poderá ser concluída depois do encerramento. Mas a fotografia até esta quinta-feira é clara: a feira está vendendo pouco, e repetir o resultado de 2025 já se tornou um desafio.

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