O assunto foi comentado por Márcio Port, presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, durante visita à Casa JC no Parque de Exposições Assis Brasil. Ele estava acompanhado de Anna Quadros, gerente de Comunicação e Marketing da Central Sicredi Sul/Sudeste, e a dupla foi recebida pelo diretor-presidente do Jornal do Comércio, Giovanni Jarros Tumelero.
O projeto prevê a instalação inicial de 130 equipamentos em pontos estratégicos das principais regiões produtoras do Estado, com foco especial na Serra Gaúcha e em áreas de hortifrúti e vitivinicultura. A iniciativa surge em resposta direta aos elevados prejuízos econômicos provocados anualmente por precipitações de granizo durante a safra agrícola. Diferente da tecnologia antiga do "canhão antigranizo", a nova solução utiliza geradores terrestres automatizados de tecnologia francesa — fabricados no Brasil em parceria com a empresa catarinense Fischer. Os equipamentos captam o iodeto de prata a partir de unidades no solo e liberam as partículas na atmosfera ao detectarem a formação de nuvens de tempestade.
O diagnóstico que motivou o projeto revela uma insustentabilidade no modelo tradicional de seguro agrícola. Segundo dados apresentados por Márcio Port, presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, o levantamento de um período de três anos dentro do ecossistema do Sicredi aponta que foram arrecadados R$ 100 milhões em prêmios de seguro contra granizo, enquanto as seguradoras desembolsaram R$ 105 milhões em indenizações a produtores atingidos.
"A sinistralidade ultrapassou os 100%. Isso gera um efeito inevitável: ou o seguro se torna proibitivamente caro para o produtor, ou as seguradoras simplesmente deixam de aceitar a cobertura para o risco de granizo. Precisávamos mudar a lógica do problema: em vez de depender apenas do seguro e torcer por coberturas maiores, decidimos arranjar um jeito de reduzir o granizo na origem", explica Márcio Port.
A tecnologia não tem como objetivo impedir a chuva, mas sim intervir na física das nuvens. Ao introduzir o iodeto de prata como núcleo de condensação, a água presente na nuvem se fraciona em uma quantidade muito maior de cristais de gelo. Com isso, o tamanho final das pedras reduz drasticamente — transformando o que seriam pedras destrutivas em precipitações de pequeno porte ou chuva leve, preservando parreirais, pomares de maçã e lavouras hortícolas.
A viabilização do projeto foi estruturada por meio de uma composição de recursos no valor total aproximado de R$ 15 milhões. O Sicredi entra com um aporte de R$ 8 milhões destinado à aquisição dos 130 equipamentos. O Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura do RS (Concevitis) destina R$ 3 milhões. As prefeituras municipais e o governo do Estado entram com as contrapartidas operacionais e com o custeio da manutenção mensal, garantindo a operacionalidade contínua dos equipamentos ao longo do tempo.
Embora o edital seja universal, a adesão inicial concentra-se em municípios da Serra Gaúcha e regiões de fruticultura intensiva.