A Randoncorp já sente nas vendas os efeitos do cenário adverso enfrentado pelo agronegócio gaúcho, marcado principalmente pelo endividamento dos produtores, mas também por juros elevados e sucessivos eventos climáticos. A avaliação é de Joarez Piccinini, diretor de Relações Institucionais da companhia e presidente do Conselho do Banco Randon, durante evento na Casa do Jornal do Comércio na 49ª Expointer, nesta quarta-feira (2).
Segundo Piccinini, a combinação entre as dificuldades enfrentadas pelo campo e o custo elevado do crédito tem levado a uma redução da demanda por produtos ligados ao transporte. O agronegócio, diz, tem peso relevante para a Randoncorp, tanto pela produção de semirreboques quanto pelo fornecimento de autopeças e componentes para caminhões.
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"A gente acaba sentindo o impacto disso nas nossas operações. Tem recuo de vendas, a demanda é menor", afirmou. Conforme o executivo, segmentos como grãos e açúcar e energia estão diretamente relacionados aos negócios da companhia e acabam afetados pelo cenário macroeconômico.
Piccinini avalia que, de maneira geral, o custo financeiro tem sido um dos principais fatores de pressão sobre as empresas ligadas ao agronegócio e ao transporte. "O que mais impacta o resultado final é justamente o custo financeiro, a escassez e o custo do crédito. E a situação foi agravada nos últimos anos pela combinação dos juros elevados com adversidades climáticas", disse.
Em contrapartida, o mercado de reposição tem ajudado a sustentar a demanda da Randoncorp. Quando produtores rurais e transportadores postergam a renovação das frotas, explica Piccinini, aumenta a necessidade de manutenção dos veículos que permanecem em circulação.
Mercado externo ganha espaço nas receitas
Enquanto encontra limitações para crescer no mercado doméstico, a Randoncorp vem ampliando a participação das operações internacionais. De acordo com Piccinini, mais de 30% da receita consolidada da companhia já é proveniente do exterior.
Entre os mercados relevantes estão Estados Unidos e México, na América do Norte, além de países como China e Índia. "A gente cresce no Brasil na medida que o mercado permite crescer, mas tem crescido internacionalmente também", disse.
Piccinini destacou que a presença internacional da companhia não é recente, mas ganhou peso nos últimos anos. "Temos uma presença internacional histórica, muito antiga, mas ela tem crescido. Está ganhando importância no consolidado das receitas", completou.