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Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 09:32

Minerva aposta em qualidade para agregar valor ao gado gaúcho

Fabiano Tito vê espaço para avanços na cria e na terminação intensiva de bovinos no Estado

Fabiano Tito vê espaço para avanços na cria e na terminação intensiva de bovinos no Estado

Dani Villar/Especial/JC
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Claudio Medaglia
Claudio Medaglia Repórter
Há dois anos operando no Rio Grande do Sul, a Minerva Foods aposta nas características da pecuária gaúcha para ampliar a agregação de valor à carne produzida no Estado. A companhia reúne mais de 3 mil fornecedores locais e abate entre 1,3 mil e 1,5 mil bovinos por dia em suas três unidades gaúchas, segundo o diretor de Compra de Gado para a América Latina, Fabiano Tito.
Há dois anos operando no Rio Grande do Sul, a Minerva Foods aposta nas características da pecuária gaúcha para ampliar a agregação de valor à carne produzida no Estado. A companhia reúne mais de 3 mil fornecedores locais e abate entre 1,3 mil e 1,5 mil bovinos por dia em suas três unidades gaúchas, segundo o diretor de Compra de Gado para a América Latina, Fabiano Tito.
Em visita à Casa do Jornal do Comércio na Expointer, Tito afirmou que o modelo adotado pela empresa no Estado foi definido após conversas com produtores e levando em conta diferenças em relação a outras regiões brasileiras. Entre elas, cita a genética europeia, especialmente de raças britânicas, a utilização de animais castrados e diferentes sistemas de terminação.
O pecuarista aqui se preocupa com a carne, não com o gado, e isso tem diferença”, afirma. O Rio Grande do Sul é a menor das três regionais da Minerva no País, mas, segundo Tito, é onde a companhia desenvolve um trabalho de maior agregação de valor.
Uma das iniciativas foi trazer ao Estado a Cabaña Las Lilas, marca premium já utilizada pela empresa na Argentina. No mercado gaúcho, a Minerva diferencia animais terminados a pasto daqueles terminados a grão. Segundo Tito, a estratégia busca aproximar a percepção de valor da carne produzida no Estado daquela observada no Uruguai e na Argentina.
Apesar da avaliação positiva sobre o gado gaúcho, o executivo vê espaço para elevar a eficiência da produção. Um dos pontos considerados mais críticos é a cria. Por ter um ciclo mais longo até a venda dos terneiros, a atividade é particularmente afetada pelo custo elevado do crédito e também sofreu com as adversidades climáticas dos últimos anos. “Acho que a cria ainda tem muito ganho de eficiência para buscar”, avalia.
Tito defende um programa de fomento que possa reunir poder público e iniciativa privada, com melhores condições de financiamento e maior assistência aos produtores.
Outro desafio está na terminação. Segundo ele, ainda existe distância entre o nível tecnológico empregado na produção intensiva no Rio Grande do Sul e nas operações do Centro-Norte do País. Avançar nessa etapa permitiria entregar animais mais jovens e pesados à indústria, aumentando as possibilidades de valorização.
A Minerva busca atuar nesse ponto com um programa de barter voltado à engorda. A ferramenta pode financiar a compra de animais e de insumos, como milho, farelo de soja e ração, e ser combinada com mecanismos de fixação antecipada do preço de venda. As operações costumam ter duração de dois a quatro meses e, por isso, não atendem à cria.

 

A valorização do animal, porém, depende cada vez mais de fatores que não estão apenas nas características do produto final. Tito cita rastreabilidade, sustentabilidade, bem-estar animal e controle de resíduos entre os aspectos que ganham peso no acesso aos mercados. “O mercado está olhando cada vez mais para a qualidade”, afirma.
Segundo ele, isso envolve tanto atributos da carne, como maciez, cobertura de gordura, sabor e aparência, quanto a forma como o animal foi produzido. “Não adianta o produto ser bom se não foi produzido da forma correta.”
Esse é um dos temas levados pela Minerva à programação da Expointer. Em painel  que ocorre nesta quarta-feira, no estande da companhia no parque Assis Brasil, a empresa pretende mostrar como as características do animal interferem no aproveitamento da carcaça e na destinação comercial dos cortes.
Tito recorre a uma comparação para explicar essa lógica. “A indústria frigorífica é uma indústria de desmontagem. Ao contrário da indústria automotiva, você compra as peças, monta e sai o carro. Aqui o carro vem inteiro, a gente desmonta e vende as peças.”
Como cada corte pode seguir para um mercado diferente, explica, a indústria procura animais que permitam atender às exigências dos diferentes compradores. Quanto maior a qualidade do produto e do processo, maior também a possibilidade de acessar mercados mais valorizados e gerar bonificações ao produtor.
A necessidade de diversificar destinos ganha relevância também diante da restrição da União Europeia à entrada de carne brasileira, que passa a vigorar nesta quinta-feira (3). Embora o bloco tenha participação limitada no volume total exportado pelo País, compra cortes de maior valor agregado. Para a produção gaúcha, a estratégia passa pela busca de alternativas tanto no mercado interno quanto em outros destinos internacionais.

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