Ana Esteves
especial para o JC
Depois de décadas presentes na pecuária gaúcha, as raças sintéticas vivem um novo momento de expansão entre os criadores do Rio Grande do Sul. De olho no mercado do Brasil Central, produtores ampliaram os investimentos em cruzamentos que combinam características de raças britânicas com a rusticidade e a adaptação dos zebuínos. A estratégia busca ampliar as possibilidades de comercialização e melhorar a rentabilidade da atividade. O bom momento da pecuária, com a retomada dos preços e a valorização dos terneiros também colabora para movimentar o setor.
Esse cenário refletiu no número de animais resultantes de cruzas, inscritos na 49ª Expointer: o Brangus aumentou em 31,76% o número de participantes, de 148 em 2025 para 195 nesta edição. Já o Braford teve aumento de 1,95%, de 154 para 157 animais.
No caso do Brangus, são reunidas as características de qualidade de carne e fertilidade associadas ao Angus com maior capacidade de adaptação ao calor e resistência a parasitas dos zebuínos. “Outro diferencial apontado é a capacidade de consumo e conversão de matéria seca, especialmente em ambientes onde as pastagens apresentam maior teor de fibra e menor digestibilidade”, afirma o executivo da Associação Brasileira de Brangus, Roberto Grecellé.
A procura não se restringe ao Rio Grande do Sul, pois a Associação Brasileira de Brangus reúne cerca de 350 associados em 18 estados e a genética vem ganhando ainda espaço principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste.
A raça Braford, cujos cruzamentos começaram na década de 1960, também está entre as raças preferidas pelos criadores gaúchos. Resultado do cruzamento entre Hereford e raças zebuínas, os animais apresentam maior capacidade de adaptação a ambientes desafiadores, característica que ganha relevância no Estado, que passou a enfrentar períodos de temperaturas mais elevadas, estiagens e dificuldades na disponibilidade de pastagens.
A busca por adaptação, no entanto, não significa que as raças puras tenham perdido espaço. “Enquanto o Hereford apresenta desempenho destacado em regiões com maior disponibilidade de alimento e condições mais favoráveis, o Braford amplia a possibilidade de produção em ambientes mais hostis”, informa o gerente executivo da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Felipe Azambuja.