Ana Esteves, Especial para o JC
O Sicredi foi responsável por quase 65% das operações contratadas no âmbito do Programa Bônus Mais Leite, durante a safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul. Segundo balanço divulgado pelo banco, nesta terça-feira (1), na Expointer, foram realizadas 1.985 operações na safra, que movimentaram mais de R$ 122 milhões em crédito. Do total, 1.344 operações, equivalentes a 67,7%, foram destinadas ao custeio da atividade, enquanto 641, ou 32,3%, corresponderam a investimentos.
As operações resultaram em mais de R$ 18 milhões em subvenções amortizadas, o equivalente a cerca de 60% do total de recursos subsidiados pelo programa no período. Para o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, a participação da instituição ganha importância diante do cenário enfrentado pela cadeia leiteira gaúcha. Outro dado considerado relevante é o volume de recursos economizado pelos produtores em razão da subvenção. “O produtor já pegou uma taxa de juros beneficiada por ser Pronaf e ainda pagou menos. Foram R$ 18 milhões que ele deixou de desembolsar em juros”, explicou Port.
O executivo destaca que o investimento em novas tecnologias também tem ajudado a movimentar a tomada de crédito, pela necessidade de ganhos em produtividade para os produtores que desejam se manter na atividade. “A produção de leite demanda do produtor aquela vocação diária, com horário marcado praticamente. Ao automatizar, se rompe esse vínculo, que é tão difícil”, afirmou. A atuação do Sicredi ganha relevância em um cenário de desafios para a cadeia leiteira no Estado, marcada pela pressão sobre os preços pagos aos produtores, aumento dos custos de produção e impactos provocados por eventos climáticos extremos. Nesse contexto, o acesso ao crédito e a mecanismos de subvenção pode contribuir para a continuidade e a qualificação da atividade nas propriedades familiares, garantindo a permanência das famílias na atividade econômica”, afirma.
O desempenho coloca a instituição como principal agente financeiro do Bônus Mais Leite no Estado. No balanço geral do programa, o governo gaúcho contabilizou R$ 181,9 milhões em financiamentos rurais e mais de 2,8 mil famílias beneficiadas. Voltado à agricultura familiar, o programa atende produtores com Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) ativo. Os recursos podem ser utilizados tanto para custeio quanto para investimentos. Na primeira modalidade, o crédito é destinado à aquisição de itens necessários à produção, como ração, sementes e outros insumos. Já os financiamentos de investimento podem ser aplicados em estruturas e melhorias das propriedades, incluindo salas de ordenha, sistemas de irrigação e formação ou recuperação de pastagens.
Durante a entrevista coletiva, a instituição financeira divulgou ainda dados referentes à liberação de crédito durante o Plano Safra 2025/2026: foram R$ 22 bilhões em crédito rural no Rio Grande do Sul, montante que corresponde a 34% de todo o crédito rural liberado pela instituição no território gaúcho e representa, pelo segundo ano consecutivo, a maior participação entre as instituições financeiras. Em todo o País, o Sicredi liberou R$ 69 bilhões no ciclo. Foram 320 mil operações, das quais 166 mil realizadas no Rio Grande do Sul. A quantidade de contratos no Estado, praticamente metade do total nacional, reflete o perfil da produção gaúcha, marcado pela forte presença da agricultura familiar e de pequenos e médios produtores.