A instabilidade criada pelo primeiro tarifaço, de 50%, ainda em 2025, quando comparada com o novo capítulo dessa novela em que as sobretaxas são de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros — somados, chegam a 37,5% —, foi menos nociva para a indústria, conforme avaliação do vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Leonardo de Zorzi.
Ele entende que, na primeira ocasião, por mais que se perdesse mais competitividade, a sensação era que seria algo passageiro. “Agora, não sei se teremos resultados a curto prazo, que é nossa prioridade, e estou com mais expectativas em uma lista de exceções”, completa.
Ainda conforme o diretor, o Brasil, que antes era líder de nichos como cercas residenciais e molduras, viu sua competitividade despencar nos EUA. “O País passou de melhor alternativa do mercado para a pior", correndo o risco de ver sua participação de mercado cair de 3/4 para apenas 1/4.
Por fim, ele relata que, embora as indústrias busquem outros mercados, há uma forte penalidade nos preços e margens, pois as indústrias precisam dar descontos agressivos para conquistar novos clientes rapidamente, gerando prejuízos severos.
Além disso, o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiergs, Luciano D’Andrea, aponta que, sob a liderança de Donald Trump, a tarifa deixou de ser apenas um instrumento de arrecadação ou competitividade para se tornar uma ferramenta de negociação geopolítica.
Diante deste cenário, o gerente reforça que não é simples transferir o volume exportado para a Europa ou China, uma vez que as demandas culturais e construtivas são diferentes.
“Não sugerimos retaliação. Mesmo que aprovada a lei de reciprocidade, entendemos que pelo nosso tamanho de PIB esse não seja o melhor caminho. O Canadá é um exemplo”, acrescenta D’Andrea.