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Publicada em 01 de Setembro de 2026 às 16:35

Setor de madeira processada é um dos mais afetados por tarifas dos EUA, diz especialista na Expointer

Vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Leonardo de Zorzi, atua na área

Vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Leonardo de Zorzi, atua na área

FERNANDA DAVOGLIO/ESPECIAL/JC
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Cássio Fonseca
Cássio Fonseca Repórter
Os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil preocupam a indústria gaúcha e, como é de se esperar, o assunto volta à pauta na 49ª Expointer. Nesta terça-feira (1º), na Casa Fiergs, especialistas da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul debateram o reflexo das medidas norte-americanas para as exportações do Estado.

A instabilidade criada pelo primeiro tarifaço, de 50%, ainda em 2025, quando comparada com o novo capítulo dessa novela em que as sobretaxas são de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros — somados, chegam a 37,5% —, foi menos nociva para a indústria, conforme avaliação do vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Leonardo de Zorzi.

Ele entende que, na primeira ocasião, por mais que se perdesse mais competitividade, a sensação era que seria algo passageiro. “Agora, não sei se teremos resultados a curto prazo, que é nossa prioridade, e estou com mais expectativas em uma lista de exceções”, completa.
Os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil preocupam a indústria gaúcha e, como é de se esperar, o assunto volta à pauta na 49ª Expointer. Nesta terça-feira (1º), na Casa Fiergs, especialistas da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul debateram o reflexo das medidas norte-americanas para as exportações do Estado.

A instabilidade criada pelo primeiro tarifaço, de 50%, ainda em 2025, quando comparada com o novo capítulo dessa novela em que as sobretaxas são de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros — somados, chegam a 37,5% —, foi menos nociva para a indústria, conforme avaliação do vice-coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Fiergs, Leonardo de Zorzi.

Ele entende que, na primeira ocasião, por mais que se perdesse mais competitividade, a sensação era que seria algo passageiro. “Agora, não sei se teremos resultados a curto prazo, que é nossa prioridade, e estou com mais expectativas em uma lista de exceções”, completa.
Atuante na área de madeira processada, Leonardo de Zorzi vê seu setor como um dos mais prejudicados e crê que, até o final do ano, perderá mais espaço no comércio com os norte-americanos.

Ainda conforme o diretor, o Brasil, que antes era líder de nichos como cercas residenciais e molduras, viu sua competitividade despencar nos EUA. “O País passou de melhor alternativa do mercado para a pior", correndo o risco de ver sua participação de mercado cair de 3/4 para apenas 1/4.

Por fim, ele relata que, embora as indústrias busquem outros mercados, há uma forte penalidade nos preços e margens, pois as indústrias precisam dar descontos agressivos para conquistar novos clientes rapidamente, gerando prejuízos severos.

Além disso, o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiergs, Luciano D’Andrea, aponta que, sob a liderança de Donald Trump, a tarifa deixou de ser apenas um instrumento de arrecadação ou competitividade para se tornar uma ferramenta de negociação geopolítica.
Esse movimento é ainda prejudicial para o Rio Grande do Sul, já que ele lembra que os EUA são o segundo principal destino das exportações gaúchas. Sem contar que a China, 1º colocada, importa majoritariamente commodities agrícolas (90% produtos básicos), enquanto os norte-americanos compram 99% de produtos industrializados, que carregam maior valor agregado.

Diante deste cenário, o gerente reforça que não é simples transferir o volume exportado para a Europa ou China, uma vez que as demandas culturais e construtivas são diferentes.

“Não sugerimos retaliação. Mesmo que aprovada a lei de reciprocidade, entendemos que pelo nosso tamanho de PIB esse não seja o melhor caminho. O Canadá é um exemplo”, acrescenta D’Andrea.

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