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Publicada em 01 de Setembro de 2026 às 11:34

Veterinário descarta perigo sanitário após mortes de animais na Expointer

André Dalto, veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ressalta que não há riscos para os outros animais na exposição

André Dalto, veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ressalta que não há riscos para os outros animais na exposição

Mauro Belo Schneider/Especial/JC
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Ana Esteves, especial para o JC

A morte de três bovinos da raça Angus e de um equídeo da raça Percheron, durante a 49ª Expointer, gerou dúvidas sobre a possibilidade de a causa dos óbitos estar relacionada com doenças infectocontagiosas. Mas, segundo o médico-veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), André Dalto, um dos responsáveis pelo atendimento veterinário na feira, a possibilidade de ser uma doença transmissível foi descartada.

Ana Esteves, especial para o JC

A morte de três bovinos da raça Angus e de um equídeo da raça Percheron, durante a 49ª Expointer, gerou dúvidas sobre a possibilidade de a causa dos óbitos estar relacionada com doenças infectocontagiosas. Mas, segundo o médico-veterinário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), André Dalto, um dos responsáveis pelo atendimento veterinário na feira, a possibilidade de ser uma doença transmissível foi descartada.

“Entre os bovinos, um dos animais teve confirmada a morte por tristeza parasitária bovina e outros dois ainda estão em investigação, mas tudo indica que tenha relação com intoxicação alimentar”, explica. Sobre o cavalo, o médico-veterinário e patologista da faculdade de Medicina Veterinária da Ufrgs, David Driemeier, afirmou que análises preliminares do aspecto dos órgãos não indicam a ocorrência de doença infecto-contagiosa.

Dalto acrescenta que é a primeira vez que é registrada a morte de quatro animais, ao mesmo tempo, em uma Expointer. “Os óbitos não são novidade na feira, mas dessa vez se concentraram no mesmo dia”, observou.

Dois dos animais mortos pertenciam à mesma cabanha, localizada na região Sul do Estado, e eram bovinos rústicos. Os quatro animais chegaram ao parque no sábado e, no dia seguinte, dois começaram a apresentar hipersalivação e morreram. Os corpos foram encaminhados ao setor de Patologia da Ufrgs, onde passaram por necropsia e não foram identificadas alterações compatíveis com uma doença infecciosa. Amostras do fígado e conteúdo ruminal, foram coletadas e encaminhadas para análises complementares, que devem ajudar a esclarecer a causa da morte.

“Eles podem ter sido submetidos a uma mudança brusca na dieta e consumido grande quantidade de alimento ao qual não estavam adaptados”, informa Dalto. A orientação para essas situações é reforçar os cuidados com o manejo alimentar, mudar a dieta gradualmente, mesmo quando o alimento é considerado adequado para a espécie.

O terceiro óbito envolveu um animal de argola e teve causa confirmada, a partir da realização de testes rápidos, depois confirmados pela avaliação patológica, que fecharam diagnóstico em tristeza parasitária bovina, uma doença que gera anemia grave. “Os animais podem carregar esses agentes de forma subclínica, sem apresentar sinais da doença. Em determinadas circunstâncias, entretanto, o quadro pode evoluir para anemia intensa e morte”, explica o médico-veterinário.

A avaliação é de que o animal já tenha chegado ao parque infectado e desenvolvido a doença durante a permanência na feira. A enfermidade não é transmitida diretamente de bovino para bovino e ocorre principalmente por meio de carrapatos e outros mecanismos relacionados ao sangue.

Em nota, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) informou que está monitorando os casos. "A Secretaria aguarda o laudo com o resultado da necropsia dos animais, a ser realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para saber a causa das mortes.” O comissário-geral da Expointer, Pablo Charão, afirmou que a “equipe técnica poderá se manifestar somente depois do laudo da Ufrgs".


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