Inteiramente cercado pelas águas do lago Guaíba, a sede do Grêmio Náutico União na Ilha do Pavão viveu cenas de terror em 2024. Com a histórica enchente, o nível da água chegou aos 5,37 metros de altura e engoliu as piscinas, quiosques, salões, quadras esportivas, academia e o restaurante.
O avanço das águas para a estrutura do clube é um evento quase que anual, como relata o diretor da equipe de remo Vanildo Santana. “Todo inverno a gente tem uma inundação aqui, mas normalmente não passa da altura da canela”, explica. Mas, naquele ano, as dimensões foram muito maiores.
O clube quase desapareceu no horizonte. Algumas edificações ficaram inteiramente submersas ou deixaram apenas a cumeeira à mostra. Uma das medidas que a associação costumava tomar para mitigar as perdas era colocar objetos que pudessem ser danificados em andaimes e elevar barcos até a prateleira mais alta. Mas, com a magnitude sem precedentes da enchente, os andaimes foram levados e os barcos empenaram ou se quebraram, apesar dos esforços. Dentre as baixas também estava um gerador, avaliado em cerca de R$ 300 mil.
Mas, mesmo enquanto toda a estrutura estava submersa, o GNU voltou sua atenção às vítimas. A sede do bairro Moinhos de Vento recebeu cerca de 300 desabrigados por cerca de um mês e também serviu como centro de coleta de doações. O presidente do clube, Ricardo Rodrigues Alves, lembra que os associados também se envolveram no auxílio aos afetados. “Nossos associados imediatamente se prontificaram a auxiliar como podiam. Médicos, dentistas e veterinários ficaram à disposição dos abrigados. Cedemos um catamarã e duas barcas, e a fila de pessoas dispostas a ajudar era tão grande que por vezes era necessário pedir que voltassem para casa, por falta de embarcações”, destaca. Cerca de mil resgates foram realizados na região das ilhas.
Após os primeiros dias, as doações foram levadas para o espaço do GNU no Alto Petrópolis. Lá, voluntários se dedicaram à produção de marmitas, com uma média de 3.400 refeições por dia, entre café, almoço e janta.
Quando a água finalmente baixou, foi possível perceber o escopo do dano na Ilha do Pavão. “Quando a gente chegou aqui, era tudo barro. A gente tinha que tirar com pás, rodos reforçados e até uma retroescavadeira que trouxemos para auxiliar na limpeza”, lembra o subgerente operacional da sede da Ilha do Pavão, Ralf Gutschwager.
O prejuízo financeiro total foi estimado em mais de R$ 1,5 milhão, segundo o subgerente operacional. Mas, passados dois anos, as estruturas foram todas recuperadas e em alguns casos receberam até melhorias. Apesar dos gastos, Gutschwager relata que a agremiação não teve cicatrizes financeiras. “As finanças do clube estão muito saudáveis, inclusive fizemos um investimento significativo no Alto Petrópolis recentemente”, conclui.
A catástrofe também motivou a criação de um novo plano de contingência. O GNU tem uma equipe que monitora constantemente o nível dos afluentes do Guaíba e caso cheguem a um patamar preocupante, medidas emergenciais são acionadas. O novo gerador também foi instalado em uma posição mais alta, para evitar danos.
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