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Publicada em 08 de Abril de 2024 às 14:51

Como explicar a hegemonia gremista no RS?

Com Renato fora de campo e jogadores cascudos dentro, Tricolor conhece o caminho das pedras para faturar o Gauchão

Com Renato fora de campo e jogadores cascudos dentro, Tricolor conhece o caminho das pedras para faturar o Gauchão

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA/JC
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Juliano Tatsch
Juliano Tatsch Editor-assistente
No sábado (6), o Grêmio conquistou seu 43º título do Campeonato Gaúcho, sendo o sétimo consecutivo, feito somente obtido nos anos 1960, quando levantou a taça estadual entre os anos de 1962 e 1968. Na soma histórica, o Inter ainda está na frente, com 45 conquistas, mas o Tricolor já está aparecendo no retrovisor do Colorado.
No sábado (6), o Grêmio conquistou seu 43º título do Campeonato Gaúcho, sendo o sétimo consecutivo, feito somente obtido nos anos 1960, quando levantou a taça estadual entre os anos de 1962 e 1968. Na soma histórica, o Inter ainda está na frente, com 45 conquistas, mas o Tricolor já está aparecendo no retrovisor do Colorado.
Neste ano, o Inter investiu mais (muito mais), tinha razões para estar mais mobilizado e, de dentro para fora do clube, convenceu a torcida de que o título em 2024 era inevitável (ou alguém esqueceu o treinador Eduardo Coudet dizendo que tinha uma Ferrari nas mãos e que estava iludido com o time e o presidente Alessandro Barcellos garantindo que o Inter iria voltar a ser campeão já no Estadual?).
O que aconteceu, então? O que explica tamanha hegemonia do Grêmio no cenário local?
Na opinião deste jornalista, tudo passa pelo psicológico, pela força mental, pela tranquilidade na hora de decidir, por confiar na própria capacidade de superar as adversidades e vencer, na melhor administração da pressão pela conquista.
O Grêmio não tinha o melhor time nas sete vezes seguidas em que foi campeão estadual. Um exemplo foi a conquista de 2022. O Tricolor, treinado por Roger Machado, era um time fraquíssimo, que estava na Série B do Brasileirão e buscava se remontar após um 2021 catastrófico. Pois esse Grêmio que tinha Thiago Santos, Elias Manoel, Janderson, Churin, goleou o maior rival por 3 a 0 no Beira-Rio na semifinal do Gauchão e bateu o Ypiranga na decisão.
Ou seja, a hegemonia gremista não conquistada porque o time da Arena era melhor nesse período de sete anos. Em alguns deles, era pior, bem pior. Mas, ainda assim, venceu.
O fato é que o Inter, aparentemente, com um olhar de quem analisa de fora, desaprendeu a ganhar. Na hora decisiva, o Colorado fraqueja, sente o peso, se desconcentra e, assim, a cada ano que passa, o título se torna cada vez mais urgente, a pressão cresce, o nervosismo aflora e, junto com ele, o medo de perder.
Esse, aliás, é um fator fundamental na sequência de fracassos vermelhos. O Inter necessita ganhar, mas teme perder, pois a derrota significa mais um ano de seca, mais pressão, mais desgaste, mais críticas, mais sentimento de impotência. E o temor da derrota desconcentra e tira o foco. É como um piloto de corridas que, a cada curva, acha que irá derrapar, escapar e ir para a caixa de brita, enquanto o seu adversário segue firme, confiante, sabedor de onde tem de fazer as freadas, onde tem de iniciar a reaceleração, onde tem de meter o pé no acelerador com mais força.
O Inter é esse piloto. Quando lhe dão um carro melhor, aprimorado, com peças de primeira qualidade, a confiança sobe nos discursos e o clima fora do vestiário se inflama com a iminente conquista. Entretanto, quanto mais perto da linha de chegada, maior é o medo de errar e fracassar mais uma vez. Já aconteceu em tantas outras ocasiões, porque não aconteceria de novo?
E é exatamente por isso, por cenário nos lados do Beira-Rio, que o Grêmio navega em águas tranquilas há sete anos no RS. O Tricolor sabe como vencer o campeonato estadual, seu treinador é cancheiro e conhece como ninguém as peculiaridades da disputa local, e o time conta com jogadores casca grossa, que não tremem na hora decisiva. No Gauchão, o Grêmio sabe que não precisa dar show, não precisa encantar nem iludir. Basta jogar o necessário. Apenas isso.
O Inter não ganha um título de expressão desde 2011. Não ganha um estadual desde 2016. Não chega em uma final de Gauchão faz três anos. Somado a isso, estão os repetidos fracassos, muitos deles no Beira-Rio, como as eliminações para o Fuminense na Libertadores, para o Vitória e para o América-MG na Copa do Brasil, para o Melgar na Sul-Americana.
Em 2024, o ciclo parece se repetir, mas o ano ainda não acabou. O elenco colorado tem qualidade, o treinador tem o respaldo da direção e o time tem três competições grandes pela frente (Copa do Brasil, Sul-Americana e Brasileirão). A corrente pode ser quebrada, mas, para isso, é preciso deixar de temer a derrota e canalizar todas as forças na busca pela vitória.

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