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Esportes

- Publicada em 05 de Agosto de 2022 às 16:26

Jô Soares cobriu Copas, torcia pelo Flu e 'cornetava' seleção: ‘Bota ponta, Telê’

Torcedor fanático do Fluminense, Jô sempre esteve presente nos mais diversos eventos esportivos

Torcedor fanático do Fluminense, Jô sempre esteve presente nos mais diversos eventos esportivos


FLUMINENSE FC/REPRODUÇÃO/JC
Agência Estado
Jô Soares, que morreu na madrugada desta sexta-feira, teve uma vida ligada ao futebol. Torcedor do Fluminense, o ex-apresentador, escritor e humorista cobriu algumas edições da Copa do Mundo e viu o bordão "Bota ponta, Telê" ficar famoso na década de 1980, "cornetando" o então técnico da seleção brasileira. Antes do Mundial de 1982, seu personagem humorístico chamado Zé da Galera, do programa Viva o Gordo, da TV Globo, pedia que Telê Santana colocasse pontas no time titular.
Jô Soares, que morreu na madrugada desta sexta-feira, teve uma vida ligada ao futebol. Torcedor do Fluminense, o ex-apresentador, escritor e humorista cobriu algumas edições da Copa do Mundo e viu o bordão "Bota ponta, Telê" ficar famoso na década de 1980, "cornetando" o então técnico da seleção brasileira. Antes do Mundial de 1982, seu personagem humorístico chamado Zé da Galera, do programa Viva o Gordo, da TV Globo, pedia que Telê Santana colocasse pontas no time titular.
"Telê, acorda. Quem fala aqui é o Zé da Galera. Estou te ligando para fazer um apelo. Ponta é muito importante, Telê. Bota ponta na seleção, Telê. Todo mundo diz que você tem estrela e estrela também tem ponta. Você está cuspindo no prato que comeu? Você também foi ponta, Telê", pedia ao treinador em uma ligação feita de um orelhão. O apelo tomou grandes proporções. Em uma entrevista, o então atacante da seleção brasileira Renato Portaluppi até agradeceu Jô Soares pela campanha, dizendo que mais técnicos estavam dando oportunidades aos pontas.
"Penso como o Zé da Galera - afinal, sou torcedor de me descabelar quando a seleção joga - e não posso deixar de insistir na pergunta: cadê os pontas, Telê? Telê, tem de ser ponta autêntico, como o Éder. Este, pelo menos, não estranha a grama do campo", escreveu Jô em um longo texto à época para a revista Placar, dando palpites em todos os setores do time brasileiro.
Jô esteve presente na Copa do Mundo de 1950, em que o Brasil foi derrotado na partida decisiva para o Uruguai em um Maracanã lotado, e também na de 1954. As duas experiências fizeram com que escrevesse um livro, ao lado dos jornalistas Armando Nogueira e Roberto Muylaert, que também acompanharam in loco a seleção brasileira. "A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar" foi lançado em 1994.
No Mundial de 1994, levou o programa "Jô Soares Onze e Meia", do canal SBT, para os Estados Unidos. Dessa vez, Jô foi pé quente e deu sorte para o Brasil, que venceu a Itália na final e encerrou um jejum de 24 anos sem levantar a taça da Copa do Mundo. Já no último Mundial, em 2018, na Rússia, foi convidado pelo canal Fox Sports a participar da cobertura da competição. Em 2000, integrou a equipe de comentaristas da TV Globo nas Olimpíadas de Sydney 2000, na Austrália.
Jô Soares também tinha forte ligação com o basquete. Ele era sobrinho do técnico Kanela, responsável pelo bicampeonato mundial do Brasil em 1959 e 1963. A segunda conquista, cujo torneio foi realizado no Rio de Janeiro, fez com que Jô, então com 25 anos, visse uma festa incrível pela cidade carioca.
Em toda a história nos seus programas de entrevista, sempre levou os principais nomes do esporte para debater sobre suas carreiras, de Ronaldo Fenômeno a Ayrton Senna, passando por Neymar e, claro, Pelé. Vez ou outra ele se vestia com uniformes esportivos.
Rei do Futebol, Pelé exaltou sua relação com Jô Soares e disse ser um admirador do trabalho do ex-apresentador. "Jô era um grande amigo, inteligente, perspicaz, bem humorado e que adorava uma boa conversa. Acordo muito triste com a notícia de que essa grande estrela nos deixou. Apesar daquela famosa fala do filme, não, eu não sou Jô Soares. Mas como profundo admirador, eu adoraria ter sido", escreveu.
Vários clubes brasileiros como Botafogo, Palmeiras lamentaram a morte de Jô Soares, incluindo o Fluminense, que se manifestou nas redes sociais sobre um dos torcedores mais célebres de sua história. "O Fluminense lamenta profundamente a morte do apresentador, humorista, ator e escritor Jô Soares, um dos principais nomes do cenário cultural brasileiro e Tricolor de coração. Desejamos muita força aos amigos e familiares".
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