A ASAS Group é uma agência de subscrição de riscos especializada em seguros de nichos complexos. Com cerca de 11 anos no mercado, a empresa projeta expansão no Rio Grande do Sul impulsionada pelos setores do agronegócio, property e aviação, e pela demanda de prevenção gerada por enchentes.
Fundada em São Paulo, a agência começou com 2 pessoas e hoje conta sessenta colaboradores. Atuando de forma independente, a ASAS tem como objetivo encontrar soluções sob medida para necessidades consideradas complexas na América Latina. Os focos incluem linhas financeiras, responsabilidade civil, equipamentos, drones e aviação.
A operação funciona como um Managing General Agent (MGA). Isso significa que o grupo opera com todas as funções técnicas e operacionais de uma seguradora tradicional: fazendo a análise de risco, a precificação, a comercialização e até a regulação de sinistros. A principal diferença para o modelo convencional é a ausência de capital próprio para bancar o lastro financeiro dos riscos. Por não ser legalmente uma seguradora, a emissão oficial das apólices e o pagamento final das indenizações ficam a cargo de seguradoras parceiras.
Esse formato de atuação é o que, segundo os executivos da empresa, viabiliza a oferta de coberturas nichadas. Eles explicam que, como a agência não divide sua operação com produtos massificados e de varejo, típicos de companhias convencionais, ela consegue dedicar tempo e profissionais específicos para estudar a fundo áreas que exigem alto conhecimento técnico. Eles afirmam que, na prática, isso ajuda o mercado a encontrar proteção financeira para cenários atípicos e operações complexas, preenchendo a lacuna deixada por grandes seguradoras que frequentemente evitam esses riscos mais difíceis de serem precificados.
O CEO da empresa, Guilherme Delfino explica que a corporação não busca o cliente final de forma direta, dependendo exclusivamente de uma rede de profissionais para garantir alinhamento com as soluções específicas ofertadas. A estratégia visa não competir com sua própria rede, fomentando assim o ecossistema local e as parcerias com os corretores.
"Nosso canal é o corretor e a assessoria. Não vamos diretamente ao segurado para captar negócio ou para convencer ele a contratar um seguro. Nós temos uma rede de corretores", ilustra Delfino.
Ele afirma, então, que o diferencial de seu modelo está na agilidade de análise de propostas e na proximidade com parceiros locais, evitando a despersonalização do atendimento. A intenção, segundo o executivo, é manter os subscritores disponíveis para debater casos complexos diretamente com os vendedores.
"Nós somos especialistas, se não é para ser especialista não é para estar no meio. Não fazemos nada sem estudar e sem ter um especialista para tocar esse negócio. Estamos investindo em digitalização na parte burocrática, para liberar o nosso time para ficar próximo dos corretores. A gente não quer perder esse serviço diferenciado", afirma Delfino.
Sobre a atuação no Rio Grande do Sul, os gestores constatam que o mercado gaúcho possui grande potencial. O diretor comercial, Jean Figueró, destaca que a área agrícola, o setor de maquinários e os riscos industriais representam as principais oportunidades na região. Ele lembra que o Estado historicamente sempre teve um alto volume de produção de seguros, mesmo que esses números tenham diminuído nos últimos tempos.
"Durante muitos anos, o mercado do Rio Grande do Sul era o terceiro responsável pela produção do seguro do país. Nós caímos para quinto lugar hoje. Mas, de um modo geral, pela questão agrícola e de equipamentos, ainda é um bom mercado", avalia Figueró.
Para ajudar a impulsionar o setor local, o diretor comercial afirma que a agência foca em aceitações restritas no mercado tradicional. “Temos linhas de aceitação que eventualmente são mais restritas no mercado. Um risco com inflamável, por exemplo, que alguma outra companhia faz o sinal da cruz e não quer saber, nós analisamos", exemplifica.
Outro fator que pode impulsionar os negócios da empresa em solo gaúcho é o cenário pós-enchentes. Segundo ele, o episódio evidenciou a fragilidade das operações locais e a urgência de proteção.
"Infelizmente, a dor acaba ensinando muito mais rápido. O Rio Grande do Sul é um mercado latente pro seguro e percebemos nas movimentações que acontecem que as pessoas estão muito mais antenadas no clima. Torcemos para que o empresário se conscientize que a empresa que ele construiu tem que estar protegida de alguma forma", avalia Figueró.
Para concretizar essa expansão, a agência vem intensificando sua presença física e estratégica no Estado. Delfino avalia a região Sul como um polo estratégico e um dos "motores do Brasil", o que justifica os recentes investimentos locais.
Outro pilar fundamental para o avanço dos negócios no Rio Grande do Sul é a aproximação constante com os parceiros. A empresa busca focar na promoção de encontros presenciais regulares, com o objetivo de construir relacionamentos de longo prazo.
Assim, os executivos afirmam que a companhia prepara um evento presencial exclusivo para novembro, em Porto Alegre. O encontro reunirá um grupo selecionado e filtrado de corretores especialistas para o lançamento de novidades e soluções voltadas aos nichos complexos em que a ASAS atua.
"Não adianta fazermos um evento e convidar alguém, e ele não trazer negócio porque não vende o que fazemos. Precisamos realmente filtrar para que venha o corretor certo para nos conhecer", antecipa Figueró.
O CEO da companhia acrescenta que esse rigor garante a efetividade das ações locais para estreitar laços. "Quando chegamos a um evento de 50 corretores, por exemplo, são realmente profissionais que atuam no nível em que atuamos. É a forma que gostamos de usar para estar presentes e nos aproximar do mercado", finaliza Delfino.