Na trilha em direção ao centro do País aberta pelo gaiteiro Pedro Raymundo em 1943 com o sucesso do xote Adeus, Mariana, e consolidada pelo êxito do Conjunto Farroupilha (que ganharam o País reinterpretando inovadoramente o cancioneiro folclórico do Rio Grande do Sul) em meados da década seguinte, os acordeonistas Os Irmãos Bertussi rumavam de Caxias do Sul para o Rio de Janeiro em busca de reconhecimento nacional. E conseguiram. No ano de 1955 a dupla Honeyde e Adelar Bertussi (falecidos respectivamente em 1996 e 2017) fazia pela gravadora Copacabana sua estreia em estúdios de gravação, com o lançamento do disco em oito polegadas intitulado Coração Gaúcho. Com esse trabalho, os Bertussi eternizavam-se na história da fonografia como pioneiros da chamada "música gauchesca de baile", e também por terem sido a primeira dupla de gaitistas a realizar no Brasil a gravação de uma obra discográfica.
Nos 10 anos em que juntos atuaram (apresentando-se por todos os recantos imagináveis do território nacional), Adelar e Honeyde Bertussi deixaram um legado que ultrapassa gerações, chegando a deixar de lado o aspecto de cunho musical para alcançar, através de sua arte, um status de representação da vida tradicionalista. Os Irmãos Bertussi são responsáveis por incontáveis êxitos populares como São Francisco é terra boa, Cavalo preto, Sangue de gaúcho, Oh! de casa, Êta baile bom e, em especial, o big hit O casamento da Doralice. Esta última é considerada o primeiro registro gravado de uma canção no ritmo legitimamente riograndense conhecido como bugio.
Para o acordeonista Gilney Bertussi (filho de Adelar e desde 1999 responsável por perpetuar, nos palcos e estúdios de gravação, a obra de seus antepassados) mais do que tão-somente criadores de uma música regionalista-fandangueira feita para dançar, a importância dos Irmãos Bertussi é incomensurável para a cultura regional do Estado. "Sempre que se fala em tradicionalismo é obrigatório que se mencione a trajetória dos Irmãos Bertussi. Não existe qualquer possibilidade de se falar a respeito deste tema sem que tal sobrenome esteja envolvido".
O reconhecimento da arte musical da dupla, a propósito, ultrapassa as fronteiras do Rio Grande, tendo cativado nacionalmente, dentre outros, nomes de grande peso e importância como o Rei do Baião Luiz Gonzaga, Sivuca e os compositores David Nasser e Herivelto Martins. Em seu próprio Estado, por sua vez, inspiraram uma miríade de conjuntos, todos sempre dispostos a prestarem suas reverências aos Irmãos Bertussi. A lista é das mais compridas. Vai desde Renato Borghetti e Luiz Carlos Borges, passando por Os Serranos, Porca Véia e Mulheres Pampeanas.
Na opinião de Ângelo Marques, gaiteiro e vocalista do conjunto Os Tiranos (também oriundo da região da Serra gaúcha), para qualquer músico de baile que se preze, os Irmãos Bertussi são até hoje uma inegável influência. Em primeiro lugar, pontua Ângelo, por sua qualidade e "divino dom musical" e depois também por conta de a dupla nunca ter deixado de estudar e se aperfeiçoar. "Esses tempos, assistindo a uma entrevista concedida pelo Adelar, tomei conhecimento, por intermédio de suas palavras, que ele nunca parou de ampliar seu conhecimento musical. Isso diz muito a respeito da dedicação com a qual os Irmãos Bertussi encaravam aquilo que faziam", observa.
Folclorista, compositor e pesquisador da cultura riograndense, Paixão Côrtes destacou, acerca da importância dos Irmãos Bertussi, que a dupla surgiu exatamente no momento no qual nasce e floresce o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Com a criação dos CTGs, escreveu Côrtes, seus salões de baile passaram a ser embalados pelas valsas, xotes, rancheiras, marchinhas, bugios e sambas campeiros trazidos pelos acordeonistas serranos. "Música de salão, música de baile, música fandangueira do Sul do Brasil. Não importa. Seja lá qual for o nome, os Irmãos Bertussi consolidaram um estilo musical inconfundível."
"Purungos Acoierados"
Os Irmãos Bertussi, Adelar e Honeyde, marcaram época na música regional gaúcha
ACERVO IMHC-UCS/REPRODUÇÃO/JCMas essa história tem início bem antes do triunfante trajeto de sucesso percorrido pelos Irmãos Bertussi ao longo de sua carreira musical. Na verdade começa, atenta Gilney Bertussi, com o bisavô João Bertussi, o qual fez parte do grupo de imigrantes italianos que primeiramente fincaram pé na Serra Gaúcha no final do século XIX. A formação da família deu-se na localidade de São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, em São Francisco de Paula, hoje pertencente a Caxias do Sul.
Já o filho de João, Fioravante Bertussi, um genuíno entusiasta da música, tornou-se clarinetista e regente de bandas em Criúva. E, aos seus descendentes, proporcionou estudo de teoria musical. Da união entre Fioravante e Juvelina vieram ao mundo quatro filhos: Walmor e Wilson e, contando dez anos de diferença, Honeyde e Adelar (nascidos respectivamente em 1923 e 1933).
Familiarmente, a saga musical dos Bertussi tem seu "marco poético" fundamental em uma situação romântica ocorrida em 10 de novembro de 1920. Neste dia, diz Gilney, o bisavô Fioravante compôs uma valsa, planejando fazer uma serenata com o fito de conquistar o coração de Juvelina. "A composição Valsa para Juvelina é o ponto de partida daquilo que se convencionou chamar de 'Música Bertussi'". A canção surtiu o efeito desejado e duas décadas depois, em 1940, Fioravante Bertussi formou com seus quatro filhos o conjunto Dois Purungos Acoierados, de duração efêmera, para tocar em bailes e festas. A formação contava com Honeyde (violão e acordeon), Walmor (clarinete e bateria), Wilson (clarinete e saxofone) e Adelar - que, ainda menino, tocava cavaquinho, gaita de botão e pandeiro, aperfeiçoando-se mais tarde no acordeon. "Quando Wilson e Valmor deixam de participar do Dois Purungos Acoierados, Honeyde e Adelar deram continuidade ao grupo, apresentando-se como dupla", explica.
Além do pioneirismo em estúdio, Irmãos Bertussi se destacaram por inovações como o uso de duas gaitas simultâneas
ACERVO FAMÍLIA BERTUSSI/REPRODUÇÃO/JC
O nome Os Irmãos Bertussi só seria adotado artisticamente a partir de 1949. Nessa época, pontua Gilney, a dupla deu início ao pioneirismo pelo qual tornaram-se conhecidos e festejados como eméritos animadores de bailes. E a prodigiosidade da dupla, ele prossegue, não cessaria por aí. "Meu pai Adelar e meu tio Honeyde começaram a utilizar duas gaitas em suas apresentações, ao contrário do à época estabelecido formato gaita-violão". Além de tudo, completa Gilney Bertussi, os dois inovaram introduzindo o ineditismo da bateria nos shows que realizavam. "Fora ainda que estiveram entre os primeiros a apresentar temas eruditos no acordeom para o mercado brasileiro", afirma.
Os irmãos Honeyde e Adelar atuaram juntos em milhares de festas, bailes e shows Brasil afora até o ano de 1966. Sob a denominação de Os Irmãos Bertussi, a dupla de acordeonistas apresentou-se pela última vez como dupla de acordeonistas na simbólica noite de 21 de março daquele ano, durante o show de encerramento da tradicional Festa da Uva em Caxias do Sul.
Após a dissolução da dupla, Honeyde e Adelar Bertussi deram continuidade às suas sólidas carreiras artísticas, atuando em parceria com outros profissionais do acordeom. Honeyde inicialmente fez dupla com seu filho Daltro, gravando com ele três LPs. Depois tocou com músicos, dentre outros, como Paulo Siqueira, Acioly Machado e Oscar dos Reis (com quem gravou outros cinco álbuns). Além das parcerias, seguiu trabalhando intensamente em carreira solo até o final de sua vida.
Memorial aos Irmãos Bertussi está localizado no distrito de Criúva, em Caxias do Sul
FAZENDA DOS BERTUSSI/DIVULGAÇÃO/JC
Durante a década de 1970, Adelar criou o grupo Os Cobras do Teclado, tendo ao seu lado o também gaiteiro Itajaiba Mattana. A parceria entre os dois acordeonistas acabou rendendo uma série de discos, lançados nos mais diversos formatos. De atuação intensa, estima-se que Adelar tenha realizado mais de 6 mil apresentações entre bailes, shows e participações especiais no Brasil e no exterior ao longo de sua jornada profissional. Compositor prolífico, Adelar contabiliza mais de 400 canções gravadas, incluindo folclóricas e regionais do Rio Grande do Sul, além de músicas populares brasileiras, internacionais e clássicos da música erudita.
Gilney, o amigo punk
Gilney Bertussi e Luciano Paim promovem união entre o punk e o gaudério
RONALDO ZIRKEL/DIVULGAÇÃO/JC"Pra quem não sabe, eu sou o Luciano Paim /E o meu conjunto é o Hardcore Serrano /Vou misturando punk rock com gaudério /Não leve tão a sério, que é pura diversão". São nessas estrofes iniciais da música Chimarrão com Rivotril que Luciano Paim (baterista e membro fundador da banda caxiense Ligante Anfetamínico) literal e bem-humoradamente 'dá a letra', dizendo ao que veio no terceiro single de sua carreira solo, lançado recentemente. Ao lado do grupo Hardcore Serrano e professando como influências, dentre outras, medalhões do punk e do hardcore nacional e internacional como Ramones, Sex Pistols, The Clash, Wander Wildner e Os Replicantes, nessa novíssima fase de sua carreira Paim também traz para dentro de seu picante molho sonoro a tradicional e centenária musicalidade advinda dos gaiteiros caxienses Os Irmãos Bertussi.
Juntamente com outras duas canções, O Meu Recado e Baile Punk na Serra, a faixa Chimarrão com Rivotril será lançada em um álbum completo, a ser gravado ainda neste ano, que em breve deverá estar disponível para streaming. Um dos grandes entusiastas de Paim nessa nova empreitada é o gaiteiro Gilney Bertussi (também conhecido como "quinto integrante" da Ligante Anfetamínico), o qual se diz sempre pronto para encarar novas aventuras entre a música jovem e o tradicionalismo gaúcho. "É importante quebrar certos preconceitos, que existem mais por parte dos tradicionalistas. De minha parte, gosto muito desse contato porque também me ajuda a ser conhecido no meio do rock", afirma Gilney por ocasião de sua participação que fez com a Ligante Anfetamínico na canção Punk dos Pampas. Gilney é referendado por Paim na letra do single Chimarrão com Rivotril.
Filho de Adelar Bertussi, Gilney é um dos principais responsáveis pela preservação do legado musical da família
FAZENDA DOS BERTUSSI/DIVULGAÇÃO/JC
Luciano Paim afirma ter conhecido Os Bertussi ainda na infância, por influência dos pais. "Sempre senti um certo distanciamento dos roqueiros dos grandes centros urbanos, os quais costumam dizer que haviam conhecido o rock através dos Pais. No meu caso, meus pais apresentaram Os Bertussi. Por isso eu costumo dizer que a dupla de gaiteiros, aqui na Serra, é como se fossem os nossos Beatles! Percebo que, quando o pessoal do rock tenta juntar música gaúcha, geralmente escolhem as milongas para fazerem suas misturas. Mas eu prefiro a gaita alegre dos Bertussi, que, para mim, combina perfeitamente com o espírito do punk rock", conclui Paim.
Também músico oriundo da Serra, mais precisamente de Bento Gonçalves, o guitarrista Evandro Demari também diz-se fã da tradição musical dos Bertussi. Integrante da pioneira banda de blues A Elétrika Tribo (e agora prestes a lançar novo álbum de inéditas a partir do sigle Sua guitarra), ele conta que já teve oportunidade, durante um show que promoveu, de tocar ao lado da dupla Adelar e Gilney Bertussi, ou seja, pai e filho, em meados dos anos 2000. Para Demari é como se ele estivesse vendo no palco uma espécie de personificação dos ingleses Rolling Stones numa versão serrana. "O entrosamento entre Adelar e Gilney era tão legítimo que parecia, aos meus olhos e ouvidos, que eu estava diante de Keith Richards e Mick Taylor", coteja.
Discografia essencial da Música Bertussi
Capa do álbum Oh! De Casa, dos Irmãos Bertussi
RCA VICTOR/REPRODUÇÃO/JCCoração Gaúcho - Vol I (Copacabana, 1955)
Compacto oito polegadas gravado em agosto de 1955 e lançado em dezembro daquele mesmo ano pela gravadora Copacabana, com acompanhamento em estúdio do Regional de Canhoto. Traz em seus sulcos as canções Nordeste gaúcho, Mistura fina, O Tropeiro e Eta baile bom (essa com presença de pandeiro). O lançamento do disco rendeu, na época, uma reportagem especial de duas páginas na revista O Cruzeiro.
Coração Gaúcho - Vol II (Copacabana, 1956)
Compacto no qual encontra-se a primeira gravação que se tem notícia do gênero bugio (tido como genuinamente gauchesco) na história da fonografia brasileira. Trata-se da célebre e popular canção O Casamento de Doralice. A respeito de sua origem, Adelar contou que sua primordial inspiração - a despeito do ambiente predominantemente masculino da música gauchesca - veio do feminino toque de uma lendária gaiteira e às da gaita-ponto da região de Mulada (recanto do interior de Caxias) a qual atendia pelo apelido de Losa do Benjamim.
Só Pra Você (Copacabana, 1958)
Primeiro álbum completo dos Irmãos Bertussi e, desta vez, inteiramente instrumental. Inclui em seu repertório incursões por gêneros como bolero, choro, tango e até mesmo música clássica. Destaque para o ritmo lascivo de Dança do pecado, a qual arrebatou o jornalista e compositor David Nasser.
Nos Pagos do Sul (Copacabana, 1958)
Também em 1958 os Irmãos Bertussi apresentam o álbum Nos Pagos do Sul. O disco reúne em seus sulcos peças do cancioneiro regional riograndense e também músicas coletadas no folclore da serra gaúcha , como Xote da laranjeira e a rancheira Sereno da madrugada (com flauta de Altamiro Carrilho). O disco novamente traz o acompanhamento do Regional de Canhoto.
Irmãos Bertussi na capa do LP Nos Pagos do Sul
RCA VICTOR/REPRODUÇÃO/JC
Oh! de Casa (RCA-Victor, 1962)
O disco lançado em 1962 pela gravadora RCA-Victor tem em sua faixa-título um dos grandes sucessos dos Irmãos Bertussi, com o timbre de acordeon utilizado em sua gravação tendo se tornado, através dos tempos, numa espécie de marca registrada da dupla de gaiteiros. Incluiu faixas como Tinindo a espora, Festa de São João, Saudades de Criúva e Morena solteira.
Amor Del Alma (RCA-Victor, 1963)
Último disco gravado pelos Irmãos Bertussi antes da dissolução da dupla em 1965. Totalmente instrumental (com exceção da faixa-título), Amor Del Alma desfila em seu repertório, além de tangos, choros, valsas e milongas, a fox-canção de Cabana do Paraná e o bolero em Poema de Natal.
O Gaúcho (RCA-Camden, 1966)
Tendo ao seu lado o filho Daltro, em 1966 Honeyde Bertussi faz a gravação do LP O Gaúcho. O disco reúne canções, dentre outras, como Carreteiro do meu pago, Manhoso, Briga de Marimbondo, o vanerão-bugio Chico Fumaça (de autoria de Daltro) e Lugar onde nasci. A instrumentação utilizada nas sessões de gravação do LP conta com dois violões, cavaquinho, contrabaixo e bateria com vassourinhas, além de dois acordeões.
Adelar Bertussi e Itajaiba Mattana - Os Cobras do Teclado (Som, 1967)
Disco gravado por Adelar Bertussi e Itajaiba Mattana sob a denominação da dupla de acordeonistas Os Cobras do Teclado, por eles formada a partir de meados da década de 1960. O LP com lançamento realizado pelo selo fonográfico Som reúne dentre outras canções como Estrela da Madrugada, Bandinha do padre, Gauchada do meu pago, Noites da Vacaria e Cabocla sincera.
Tributo aos Irmãos Bertussi - Vários Intérpretes (Vertical, 2015)
Disco que celebra a história musical da família Bertussi, o álbum Tributo aos Irmãos Bertussi apresenta o repertório dos acordeonistas na voz e interpretação de artistas e grupos como Porca Véia, Mulheres Pampeanas, Os Tiranos e Grupo Manotaço. Interpretações para músicas como A gaita do falecido, Cavalo preto, Oh! de casa, Baile da encruzilhada e Loura casada.
Os Irmãos Bertussi documentados
Irmãos Bertussi gravaram 'O Casamento de Doralícia', primeiro bugio registrado em disco
ACERVO PESSOAL ADELAR BERTUSSI/DIVULGAÇÃO/JCA vida e a obra dos Irmãos Bertussi podem ser melhor conhecidos em dois documentários:
Adelar Bertussi – O tropeiro da música gaúcha (2011), com direção de Lissandro Stallivieri. O filme promove um resgate da trajetória do integrante de Os Irmãos Bertussi a partir da década de 40. Durante quatro anos uma equipe acompanhou os passos de Adelar Bertussi, um homem campeiro, que na época das filmagens ainda percorria os campos a cavalo, em diversos locais, como por exemplo, em sua fazenda em São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, interior de Caxias do Sul, passando pelo Rodeio de Vacaria e chegando em Nova York nos Estados Unidos.
Gilney Bertussi: Filho de gaiteiro – O legítimo herdeiro da música Bertussi (2018), dirigido por Leonardo Vivan. Músicas e depoimentos para registrar a trajetória artística de Gilney Bertussi, filho de Adelar, que começou sua vida musical aos nove anos de idade. Também é o último registro em imagens de Adelar, falecido cinco meses depois, em 30 de setembro de 2017. No documentário, Adelar fala sobre o filho, canta e toca com ele. Trechos do filme tiveram sua gravação durante o Festchê III em 2006 e também durante a Festa da Uva em 2 de março de 2006, no qual o grupo Os Bertussi apresentou clássicos eternizados pela família de acordeonistas em canções de enorme popularidade (e até hoje muito presentes no imaginário) como, por exemplo, Oh! De casa e O Cancioneiro das coxilhas".
Adelar Bertussi – O tropeiro da música gaúcha (2011), com direção de Lissandro Stallivieri. O filme promove um resgate da trajetória do integrante de Os Irmãos Bertussi a partir da década de 40. Durante quatro anos uma equipe acompanhou os passos de Adelar Bertussi, um homem campeiro, que na época das filmagens ainda percorria os campos a cavalo, em diversos locais, como por exemplo, em sua fazenda em São Jorge da Mulada, distrito de Criúva, interior de Caxias do Sul, passando pelo Rodeio de Vacaria e chegando em Nova York nos Estados Unidos.
Gilney Bertussi: Filho de gaiteiro – O legítimo herdeiro da música Bertussi (2018), dirigido por Leonardo Vivan. Músicas e depoimentos para registrar a trajetória artística de Gilney Bertussi, filho de Adelar, que começou sua vida musical aos nove anos de idade. Também é o último registro em imagens de Adelar, falecido cinco meses depois, em 30 de setembro de 2017. No documentário, Adelar fala sobre o filho, canta e toca com ele. Trechos do filme tiveram sua gravação durante o Festchê III em 2006 e também durante a Festa da Uva em 2 de março de 2006, no qual o grupo Os Bertussi apresentou clássicos eternizados pela família de acordeonistas em canções de enorme popularidade (e até hoje muito presentes no imaginário) como, por exemplo, Oh! De casa e O Cancioneiro das coxilhas".
* Cristiano Bastos é jornalista e autor de Julio Reny – Histórias de amor e morte (Prêmio Açorianos de Melhor Livro em 2015), Júpiter Maçã: A efervescente vida e obra, Nelson Gonçalves: O rei da boemia, Nova carne para moer e Gauleses irredutíveis – Causos & Atitudes do Rock Gaúcho. Também publicou, em 2023, a obra de jornalismo e artes gráficas 100 grandes álbuns do rock gaúcho: influências e vertentes (Nova Carne Livros).