Aumentativos enganam. Pelo menos, no caso de Carlos Reichenbach, largamente conhecido no meio do cinema pelo apelido de Carlão, esse equívoco é totalmente plausível. O vozeirão possante de fumante inveterado por quase toda a vida e a figura grandalhona de barba farta, cabelos lisos e óculos fundo-de-garrafa de armação grossa nunca lhe foram superlativos suficientes para esconder o coração aglutinador e a pessoa amável que habitava aquele corpo até o fatídico 14 de junho de 2012, quando faleceu vítima de uma parada cardiorrespiratória. O mesmo dia em que completava 67 anos. A data, assim, toma duplo significado: ao mesmo tempo celebra os 80 anos, que faria se estivesse vivo, e marca os 13 do último plano-sequência que os olhos com 20 graus de miopia desse homem de alma corsária filmaram em vida.
"Doce", "amigo", "generoso", "brincalhão", "culto", "gentil", "parceiro", "leve", "divertido", "pensador", "libertário". Estes são alguns dos adjetivos - que, por vezes, se repetem - utilizados por diversos amigos e ex-colegas, ditos com manifesta saudade de Carlos Oscar Reichenbach Filho. Cineasta, roteirista, fotógrafo e músico, foi uma das figuras mais importantes e influentes da sétima arte no Brasil, tornando-se referência do chamado Cinema Marginal, que reuniu, em torno de uma arte transgressora e autoral, no final dos anos 1960, nomes históricos do cinema brasileiro como Rogério Sganzerla, Julio Bressane, Ozualdo Candeias, José Mojica Marins e o próprio Reichenbach.
Já na Boca do Lixo, polo de produção cinematográfica localizado nas imediações do bairro de Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo, nos anos 1970, realizou e ajudou a realizar centenas de filmes, dentre estes as famigeradas pornochanchadas, produções de baixo orçamento sobre costumes com teor erótico, que faziam bastante sucesso junto ao público à época.
Gaúcho nascido em Porto Alegre, em 1945, quando a Segunda Guerra Mundial se encaminhava para o fim, Reichenbach, de origem alemã, mudou-se com a família com um ano de idade do Rio Grande do Sul para São Paulo, adotando a partir de então a capital paulista como sua cidade. Foi em Sampa que construiu sua trajetória e solidificou, em mais de quatro décadas, um cinema de autor marcado pelo raro casamento entre o popular e o erudito. Ele sabia como poucos unir estes dois mundos. "Sempre me fascinou", disse Reichenbach certa vez, "essa capacidade da arte de dialogar entre o erudito e o popular, e 'popular' para mim não tem nada a ver com 'comercial'".
Amante de cineastas como Valerio Zurlini, Jean-Luc Godard, Fritz Lang e Russ Meyer, mas especialmente os japoneses (Shohei Imamura, Yasuzo Masumura, Eizo Sugawa), era capaz de fazer uma pornochanchada barata ter intenções filosóficas com a maior naturalidade e eficiência. "Seus filmes da Boca do Lixo têm um apelo erótico, mas ao mesmo tempo ele aproveitava para contrabandear algumas ideias de filósofos e pensadores que gostava, como [Søren] Kierkegaard e [Pierre-Joseph] Proudhon", observa o cineasta e professor de cinema sergipano radicado no Rio Grande do Sul Milton do Prado, amigo de Reichenbach por mais de dez anos.
"Seu cinema parecia fácil, simples. Mas era a decantação de seu enorme conhecimento de cinema, de música e de literatura também", percebe o crítico de cinema Inácio Araújo, corroteirista e montador de vários filmes de Reichenbach. A visão política de esquerda e o inconformismo com o status quo pontuam, no entanto, toda sua trajetória. "Carlão era um anarquista, um libertário. É difícil dizer, mas bem possivelmente ele, se estivesse vivo, estaria hoje combatendo o fascismo em suas obras, de sua forma intelectual e permanentemente criativa", cogita a conterrânea Sara Silveira, uma das principais produtoras de cinema no Brasil, amiga e sua ex-sócia na Dezenove Som e Imagens. Ao lado dela, Reichenbach produziu todos seus últimos cinco filmes, entre os quais Alma Corsária (1993), Bens Confiscados (2005) e Falsa Loura (2007).
Da sua vasta filmografia, destacam-se ainda Lilian M: Relatório Confidencial (1975); A Ilha dos Prazeres Proibidos (1979); Filme Demência (1985); Anjos do Arrabalde - As Professoras (1987), vencedor do 15º Festival de Gramado; Dois Córregos - Verdades Submersas no Tempo (1999); e Garotas do ABC (2003). Ao todo, são 25 filmes autorais, a maioria longas. Consta que, entre 1971 e 1974, Reichenbach fotografou mais de 200 filmes comerciais e institucionais. "Com aquela altura toda, aquelas mãos grandes e aquele vozeirão, Carlão era, na verdade, uma doçura de pessoa num corpo de gigante", relata Sara.
Como se vê, os aumentativos não dão conta do real tamanho de Carlos Reichenbach.
Nascido para o cinema
Carlos Reichenbach, flagrado em intervalo de filmagens; para o realizador, qualquer ideia podia virar bom cinema
/LUCIANA FIGUEIREDO/DIVULGAÇÃO/JC"Uma pessoa que nasceu para o cinema." Essa é a visão de Carlos Reichenbach descrita pelo cineasta catarinense João Callegaro, colega dos tempos de faculdade e com quem fundou, junto com o crítico de cinema mineiro Antonio Lima, a produtora Xanadu, em 1968. "Carlão conseguia fazer de qualquer ideia um bom filme. Ele era capaz de pegar uma história banal e recheava do que ele achava que era bom cinema", avalia Callegaro. E era qualquer ideia mesmo. Dramas sociais, comédias, pornochanchadas, experimentais ou suspenses - qualquer coisa que o instigasse podia virar filme. "Carlão fazia filmes que eram janelas, e isso ampliava a nossa noção de mundo", considera Milton do Prado. Para o ator e cineasta gaúcho Werner Schünemann, a ficção, para Reichenbach, era uma maneira de chegar ao interior humano.
Filho de importante editor e industrial gráfico, Reichenbach herdou o amor pelos livros e pela palavra escrita, mas encantou-se pelo cinema ao ouvir, ainda criança, um cineasta amigo da família ler o roteiro de um filme nunca rodado. De 1966, quando entrou na Escola Superior de Cinema, das Faculdades São Luís, até a sua morte, em 2012, Reichenbach envolveu-se com cinema das mais diversas formas, seja realizando seus próprios filmes, roteirizando, produzindo, fotografando, ensinando, promovendo cinefilia etc.
Na faculdade, Callegaro e Reichenbach tiveram aulas com renomados nomes do cinema, como os cineastas paulistas Roberto Santos (1928-1987) e Luiz Sérgio Person (1936-1976). Aliás, Person, além de professor, foi um importante incentivador para que Reichenbach seguisse no audiovisual. O diretor de clássicos do cinema nacional como O Caso dos Irmãos Naves e São Paulo Sociedade Anônima identificou no aluno o talento para a profissão, o que resultou no primeiro filme do pupilo, o curta Esta Rua Tão Augusta, de 1968.
Ao todo, Reichenbach produziu 25 filmes autorais, a maioria deles longas
CINEMATECA DO MAM/REPRODUÇÃO/JC
Marina Person, cineasta e atriz paulista filha de Luiz Sérgio, e que também trabalhou como atriz e assistente de produção de Reichenbach, muito ouviu dele sobre o sentimento de gratidão que tinha para com seu pai, com quem ela mesma conviveu pouco, por menos de sete anos, antes da sua morte. "Foi Person quem me colocou no cinema", dizia Reichenbach, que mencionava o mestre sempre que possível. Em Anjos do Arrabalde, por exemplo, as personagens trabalhavam em um colégio fictício chamado Escola Estadual de 1º Grau Prof. Luiz Sérgio Person. A principal alusão, no entanto, está em Filme Demência, releitura do mito de Fausto, que Reichenbach dedica a Person e presta tributo a São Paulo Sociedade Anônima.
No documentário Person, de 2007, sobre a vida de Luiz Sérgio e dirigido por Marina, Reichenbach conta que, ainda estudante, foram exibidos em aula filmes de terror de José Mojica Marins (1936-2020), o Zé do Caixão. A maioria dos alunos desdenhava, considerando-o um cineasta menor. O jovem Reichenbach, no entanto, mostrava-se já um fã ardoroso de Mojica. Foi então que Person, irritado, ralhou com a classe: "Vocês são todos uns idiotas! Ninguém aqui vai fazer do cinema a sua vida, apenas aquele gordinho de óculos ali", disse, apontando para o rapaz no fundo da sala. O "gordinho de óculos" era Carlos Reichenbach.
Raros Sonhos Flutuantes
Reichenbach em uma das famosas Sessões do Comodoro, do CineSesc
/ALF RIBEIRO/CINE SESC/DIVULGAÇÃO/JCNa sinopse do filme Raros Sonhos Flutuantes, de 1990, do japonês Eizo Sugawa, o qual Carlos Reichenbach considerava um dos seus de cabeceira, um homem de meia idade se hospitaliza e conhece uma paciente idosa com a qual divide um quarto cujos leitos são separados apenas por uma fina tela. Os dois, sem se verem, conversam sobre poesia, criando um vínculo romântico usando apenas suas vozes para se comunicarem. Este breve enredo traduz muito bem, através das simbologias da "tela", da "voz", da sensibilidade e, consequentemente, da imaginação, a magia que a sétima arte exercia sobre Reichenbach.
Cinéfilo voraz, Reichenbach cresceu vendo os filmes de Hollywood e, depois, da revolução da Nouvelle Vague francesa e do Cinema Novo brasileiro. Frequentava desde cedo diversas salas de bairro de São Paulo e as sessões da Sociedade Amigos da Cinemateca. Décadas mais tarde, foi ele mesmo quem promoveu exibições e debates. As famosas Sessões do Comodoro, ocorridas no CineSesc, no Centro de São Paulo, mobilizaram a cinefilia paulistana de 2004 a 2012, exibindo mais de 100 títulos de variados cineastas, gêneros e nacionalidades, do chileno Alejandro Jodorowsky ao sul-africano Darrell Roodt.
"Conheci muito do cinema asiático através do Carlão", admite Marina Person. "Ele me influencia até hoje pela cinefilia e pelo amor que tinha pelo cinema, principalmente, por dar atenção a cinematografias que não são as dos cânones. Certamente ele gostava dos consagrados, mas estimulava a gente a assistir coisas que estavam fora do circuito comercial", completa.
E quer metáfora de "sonho flutuante" maior do que o som e a música? Arte esta a qual Reichenbach também dominava. Tendo estudado piano na infância, ele mesmo compôs a trilha sonora de dois de seus longas: Extremos do Prazer (1983) e Alma Corsária. "Quando conheci Carlão, no final dos anos 1980, ele estava meio desiludido com cinema e pensava em só fazer música a partir de então. Por sorte, eu o convenci de seguir no cinema também", conta Sara Silveira.
O conhecimento musical, aliás, ajudava na hora da criação das trilhas. Trabalharam com Reichenbach nomes como Ivan Lins, Nelson Ayres, Hyldon, Manoel Paiva, Luiz Chagas e o paulista Xuxa Levy, que compôs parte da trilha de Garotas do ABC. Da sua experiência com Reichenbach, o que mais lhe marcou foi a relação de confiança. "Ele estava sempre de bom humor e sabia delegar, não queria controlar tudo", ressalta. "O fato de ele também ser músico só ajudava, pois vinha com algumas ideias muito bem encaminhadas do que ele gostava, e a partir dali me deixava à vontade para criar", valoriza Levy.
Cinema de alma
Cena de Filme Demência (1986), um dos clássicos da filmografia de Reichenbach
/MUBI/REPRODUÇÃO/JCFazer cinema é uma prática coletiva. Para Reichenbach, esse entendimento era ainda mais profundo, visto sua personalidade agregadora e colaborativa. Já nos primeiros anos, o longa de episódios As Libertinas, de 1968, foi filmado em parceria com João Callegaro e Antonio Lima. Mesmo no seu "Cinema de Alma", na Boca do Lixo, no qual dispunha de pouca verba, nunca deixou de contar com a participação dos outros.
Por um breve período, nos anos 1970, Reichenbach atuou com publicidade, a qual considerou, mesmo que rentável, a experiência mais árdua da sua vida. "Não trocaria o convívio sincero e libertário com o pessoal da Boca do Lixo por nenhuma fortuna advinda do cinema publicitário", exaltava.
Este senso coletivo se estendeu aos diversos amigos que Reichenbach fez ao longo da vida. Alguns, verdadeiros encontros de almas. Sara Silveira, ex-sócia, conviveu bastante com ele e se tornou uma de suas mais próximas amizades. "Tínhamos personalidades totalmente diferentes, mas nos entendíamos totalmente: eu, mais impositiva, e ele sempre com aquela cordialidade, calma e generosidade", revela Sara.
Todos que trabalharam com Reichenbach guardam lembranças semelhantes. E não foram poucos. Pelas lentes do realizador, estrelaram nomes como: Betty Faria, Selton Mello, Cauã Reymond, Camila Pitanga, Beth Goulart, Ney Latorraca, Carlos Alberto Riccelli, Antônio Pitanga, Cláudio Mamberti, Sandra Bréa e os gaúchos Fernanda Carvalho Leite e Werner Schünemann, que atuou em Bens Confiscados. "Era uma convivência de abraços", lembra o ator. "Além disso, Carlão acreditava muito nos atores e promovia discussões no set conosco, o que era muito frutífero", acrescenta.
Betty Faria, que contracena com Schünemann e Marina Person em Bens Confiscados, já havia, anos antes, provado do caráter benevolente do cineasta. Em recente depoimento a um programa de TV, ela fala sobre sua gratidão a Reichenbach por tê-la dado a oportunidade de romper com os estereótipos dos papeis das novelas quando interpretou a professora Dália em Anjos do Arrabalde. "Ele me deu a chance de quebrar uma imagem que vinha sendo construída sobre mim", recorda Betty, Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado de 1987.
Já Milton do Prado conheceu Reichenbach em razão de um trabalho acadêmico, nos anos 1990. Ele estreitou relação com o mestre de forma online quando viveu no Canadá, no início dos anos 2000, correspondendo-se e trocando ideias através dos blogs de cinema. Depois, de volta ao Brasil, sempre dava um jeito de se encontrarem. "Conversar com ele rendia horas. Ele falava bastante, mas te ouvia também. Tu saías turbinado e com vontade de tocar os próprios projetos", relembra Milton.
Utopia e poesia
Em 1987, durante premiação para Anjos do Arrabalde no Festival de Gramado
/MFCG/REPRODUÇÃO/JC"Antes de ser um anarquista, eu sou um utopista", dizia Carlos Reichenbach, que gostava da maior forma de expressão das utopias: a poesia. Admirador do poeta Mário Faustino, citava-o: "quando baixa o branco absoluto, abra o livro de seu poeta preferido". O "branco absoluto" para Reichenbach, evidentemente, não era a falta de ideias, visto que tinha sempre algum roteiro escrito ou por filmar. Esse estado de "ponto zero", para alguém como ele, tinha mais a ver com os recursos para realizar suas produções.
"Eu sempre fui meu próprio produtor, desde 21 anos de idade", contou Reichenbach em entrevista ao blog Contracampo. "No Brasil, é impossível sonhar com investidores desvairados que caem do céu para oferecer dinheiro para você produzir filmes deslumbrantes. É preciso aprender a arregaçar as mangas", defendia.
Embora tenha mantido um caráter artesanal no modo de realizar os filmes, essa realidade teve uma considerável mudança a partir dos anos 1990. Ao lado de Sara Silveira na produtora Dezenove, Reichenbach viveu seu último ciclo produtivo, aquele que pode ser considerado o mais poético. Com Sara, que havia sido produtora executiva de Anjos do Arrabalde, o cineasta filmou o hoje cultuado Alma Corsária, de 1993, empreendido praticamente só com verba própria e um marco do cinema nacional pós extinção da Embrafilme, no governo Fernando Collor. Paulatinamente, entretanto, as mudanças políticas do audiovisual avançaram e as condições foram melhorando. Assim, puderam ser viabilizados algumas de suas melhores obras: Dois Córregos, Garotas do ABC, Bens Confiscados e Falsa Loura.
"Acredito que o cinema dele tenha se tornado mais poético em seus últimos filmes, muito por causa da possibilidade de contar com mais recursos para essas realizações através das leis e editais", considera Sara. "A maneira de filmar e a criatividade dele se mantiveram, mas tendo mais condições financeiras para produzir, tudo melhora."
O reconhecimento a um Reichenbach mais maduro e inspirado não tardou. Todos os filmes da última fase conquistaram premiações, sejam nacionais ou internacionais. Alma Corsária ganhou prêmios de melhor Filme no Festival de Brasília (onde levou outros quatro, entre os quais Diretor e Roteiro), no Pesaro Film Festival, na Itália, e no Troféu APCA. Em 2015, entrou na lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, assim como Dois Córregos, reconhecido em festivais de Portugal e Brasil.
REPORTAGEM CULTURAL - Viver - Carlos Reichenbach - cena do filme avanti popolo
DEZENOVE FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Mas não somente os filmes: o próprio Reichenbach, redescoberto pelo público, passou a gozar de maior valorização. Entre os reconhecimentos, dois na sua terra-natal, Rio Grande do Sul: o primeiro troféu Eduardo Abelin, no 29º Festival de Cinema Gramado, em 2001, e a homenagem a realizadores de expressão nacional do Festival Santa Maria Vídeo e Cinema de 2005.
De França, onde esteve participando do Festival de Cannes, Sara adianta que prepara um documentário sobre o amigo e parceiro. "Carlão merece ser lembrado pela pessoa que era e por ser um intelectual criativo e visionário", afirma. "Foi ele quem me fez acreditar em fazer cinema e quem me ensinou tudo", confessa. Com "profundas saudades", Sara conta que Reichenbach, após ter parado de fumar, tempos antes de morrer, reclamou-lhe certa vez da falta que o cigarro lhe fazia para ajudar no raciocínio. "Carlão dizia que tinha ficado mais burro depois que parou de fumar. Eu digo que fiquei mais burra depois que ele morreu", parafraseia.
Reichenbach não concordava quando se falava em "morte das utopias". Humanista, o presente era para ele, pelo contrário, a alvorada para novas esperanças. Algo muito coerente a alguém que nasceu e partiu na mesma data, e que deixou, neste ciclo, um legado de amor ao cinema e, principalmente, aos antagonismos da beleza e do mistério da existência humana. Uma alma "corsária" no melhor sentido desta palavra: graça. E tomada de anarquia e poesia. De utopia e finitude. De vida e morte. De luz e sombra.
Filmografia de Carlos Reichenbach
Reportagem cultural - viver - Carlos Reichenbach durante as gravações de 'Filme Demência'
/CINEMATECA BRASILEIRA/REPRODUÇÃO/JCCurtas-metragens
- Esta Rua Tão Augusta (1968)
- Sonhos de Vida (1979)
- Sangue Corsário (1979)
- O M da Minha Mão (1979)
- Olhar e Sensação (1994)
- Equilíbrio e Graça (2002)
Longas-metragens
- As Libertinas (episódio "Alice" - 1968)
- Audácia (episódios "Prólogo" e "A Badaladíssima dos Trópicos X Os Picaretas do Sexo" - 1970)
- Corrida em Busca do Amor (1972)
- Lilian M.: Relatório Confidencial (1975)
- Sede de Amar (1977)
- A Ilha dos Prazeres Proibidos (1979)
- Amor, Palavra Prostituta (1980)
- O Império do Desejo (1981)
- O Paraíso Proibido (1981)
- As Safadas (episódio "Rainha do Fliperama" - 1982)
- Extremos do Prazer (1984)
- Filme Demência (1986)
- Anjos do Arrabalde - As Professoras (1987)
- City Life (episódio: "São Paulo - Desordem em progresso/Disorder in Progress" - 1990)
- Alma Corsária (1993)
- Dois Córregos: Verdades Submersas no Tempo (1999)
- Garotas do ABC (2003)
- Bens Confiscados (2004)
- Falsa Loura (2007)
* Daniel Rodrigues é jornalista, escritor, radialista e crítico de cinema. Atual presidente da Associação de Críticos de Cinema do RS (Accirs), tem duas obras lançadas: Anarquia na Passarela, vencedor do Açorianos de Literatura, e Chapa Quente, além de participação em antologias de contos e no livro 50 Olhares da Crítica Sobre o Cinema Gaúcho, editado pela Accirs.