Juarez Fonseca, especial para o JC
Em dezembro passado, na paradisíaca praia cearense de Jericoacoara, foram comemorados os 15 anos do Festival Choro Jazz, um dos maiores eventos da música brasileira. Desde 2009, centenas de grandes artistas de vários estados passaram por aquele palco mágico - e essa é a palavra mais usada pelos próprios músicos para falar de seu sentimento ao tocar ali, de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti a Renato Borghetti e Yamandu Costa, passando por Mônica Salmaso, João Bosco, Raul de Souza, Toninho Horta, Guinga, João Donato, Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Dori Caymmi, Almir Sater, André Mehmari, Gilberto Monteiro, o Quartchêto. Sem falar em nomes internacionais como os norte-americanos Bobby McFerrin e Terence Blanchard, o francês Richard Galeano, o cubano Pepe Cisneros.
Em 2024, o Choro Jazz ampliou o raio de ação: foi apresentado em Soure (ilha do Marajó), Belém, Fortaleza, Crato (no Cariri cearense), além de seu berço Jericoacoara - onde cerca de 70 artistas foram vistos e ouvidos pela heterogênea plateia aglomerada na praça central de Jeri (como o lugar, "descoberto" por hippies nos anos 1970, é carinhosamente chamado). Mas por que um festival lá e não em uma cidade grande? Porque, além de muitos turistas e uma população crescente, era um dos lugares prediletos do gaúcho Antônio Ivan Santos da Silva, por todos conhecido como Capucho, pós-hippie "desgarrado" em Fortaleza havia algum tempo, já com respeitável bagagem de produtor/agitador musical, que um dia acordou decidido a fazer o festival. E aqui começa esta reportagem, em tudo diferente do comum.
A história de Capucho vale um filme. Filho de agricultores pobres e analfabetos de Erval Seco, em 1963 Antônio Ivan foi com os pais, ainda bebê, para Palmeira das Missões, em busca de algum novo horizonte - no caso do pai, alguns biscates; no da mãe, empregada doméstica. Criaram seis filhos, só um nascido em maternidade. "O resto nasceu no mato", resume ele. "Comecei a trabalhar cedo pra ter o que comer em casa, então parei de estudar na 5ª Série. Vendia jornais e revistas nas ruas, nas horas livres gostava de jogar futebol. Com 14 anos fui pra Porto Alegre, morar com minha irmã mais velha. Ficava indo e voltando para Palmeira, onde os campeonatos de futebol me davam uns pilas aqui e ali. Aí conheci um cara chamado Otaviano, que gravava fitas cassetes pra vender na cidade."
O destino o encaminhava para a música, nas seleções que fazia com Otaviano. Ouvia música no rádio, nos bares, e diz que nunca gostou daqueles sucessos pasteurizados. Tinha o chamado bom-gosto musical. Mas, antes de seguir, cabe lembrar de onde vem o apelido. "Em um dia de chuva fui jogar futebol naquelas peladas da vila, vestindo uma capa de plástico marrom com capuz. Aí alguém falou que parecia um padre capuchinho. Pronto: começaram a me chamar de Capucho. E ficou". Ficou mesmo. E ele adotou com gosto. Já era Capucho quando, em Porto Alegre, vendia camisetas na Rua da Praia com fotos de artistas e a inscrição Diretas Já: "Em 1984 vi o grande comício pelas Diretas, o Lula, o Brizola, o Ulysses, o Tancredo, aquele povo todo no Centro. E eu já sabia de que lado da história estava".
Na mesma época, entrou em contato com participantes dos festivais nativistas que aconteciam por todo o Rio Grande, e um dia conheceu Luiz Carlos Borges. "Foi numa Tertúlia, em Santa Maria. Eu estava parando na casa de um amigo, Hugo Tagliani, que estudava na universidade e tocava muito bem flauta e violão. No festival, participava da música do Borges. Um dia eles estavam meio que ensaiando na praça que ficava em frente ao cinema, e o Borges comentou que queria tomar um vinho. Na hora eu disse 'vou buscar pra ti'. A partir dali o Borges me adotou e minha vida começou a mudar."
Capucho foi se tornando amigo de outros que os festivais revelavam, como Renato Borghetti e Neto Fagundes (tocavam juntos no início). Com Neto chegou a dividir um pequeno apartamento na Rua Felipe Camarão, em Porto Alegre. Viveu ainda em Santa Rosa, a cidade do Musicanto, festival criado por Borges. Enfim: estava em todas. E foi a partir de Santa Rosa que deu o primeiro salto nacional.
A nona edição do Musicanto, em 1991, foi a primeira vencida por um compositor de outro Estado, o paulista Jean Garfunkel. O prêmio era um carro zero. Garfunkel teria que permanecer na cidade uns dois ou três dias para tratar da legalização do carro. Como já era amigo de Capucho de edições anteriores, pediu ajuda e o convidou para ser parceiro na longa viagem até São Paulo...
O "segredo" é música boa, amigos, trabalho e sorte
Capucho (aqui cercado de amigos gaúchos) fez do Choro Jazz um dos mais conceituados festivais de música brasileira
TAINA FACO/DIVULGAÇÃO/JCJá foi dito que a vida de Antonio Ivan Capucho vale um filme. Nesta cena ele está em São Paulo, com a cara e a coragem, na primeira viagem para fora do Rio Grande. Em meados de novembro de 1991, tudo o que tinha era a mochila que levara para Santa Rosa, dias antes. O que fazer? Acolhido por Jean Garfunkel, ficou duas semanas por lá, gostou, mas, sem perspectivas, voltou para Porto Alegre. Passaram-se Natal e Ano Novo. O que fazer? Recorda: "Aí pensei, pensei: sou sozinho, solteiro, sempre tive esse lado aventureiro... E decidi voltar pra São Paulo. No dia de meu aniversário, 7 de janeiro, peguei um ônibus e me mandei. E nunca mais voltei pro Sul, a não ser pra visitar parentes e amigos". (Em março de 2025 ele estará em Porto Alegre para homenagens a Luiz Carlos Borges. Mas isso veremos adiante...)
Em São Paulo, com o apoio de Garfunkel, produziu shows em bares, entre eles o lendário Vou Vivendo, "onde se reunia a nata da música brasileira, artistas, jornalistas e tal". E foi ficando mais e mais conhecido na área. De repente, lembra, estava sentado em uma mesa com Hermeto Pascoal, Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Maurício Carrilho e, entre tantos, um dos maiores letristas da música brasileira, Paulo César Pinheiro (mais de mil músicas gravadas), com quem firmou uma sólida amizade, definindo-o como "meu grande irmão, minha referência". E ele, como diz, só escutando e aprendendo. Até que em 1997 outra decisão forte: mudar-se para Fortaleza, com o apoio de amigos como o compositor Eudes Fraga, que também conhecera no Musicanto.
Da esquerda para direita: Celso Viáfora, Vinicius Brum, Lagarto Borges e Capucho, em foto dos anos 1980
CAPUCHO PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO/JCReminiscência: "Fizeram até uma vaquinha pra me arrumar dinheiro para a viagem. Em São Paulo eu tinha uma porrada de discos que vendia, comprava das gravadoras, aqueles discos que ninguém tinha, meio fora de catálogo. Então chegava nos bares vendendo raridades, e fui fazendo um acervo. Em Fortaleza fiquei um tempo na casa de um amigo e a merreca do dinheiro que eu tinha foi acabando... Não estava rolando nada, pensei até em voltar pra São Paulo, e falei isso pra uma pessoa que eu tinha conhecido no réveillon. Ele disse 'não, vamos dar uma volta por aí'. Passamos por um boteco com a placa 'passa-se o ponto'. Depois de uma rápida negociação, esse novo amigo surpreendentemente me entregou a chave e disse 'paga quando puder'. Foi assim que surgiu o Boteco do Capucho."
Era um lugar pequeno na Praia de Iracema, cinco mesas dentro e outras na calçada, um funcionário na cozinha e ele atendendo e colocando a música - só discos de que gostava, Pixinguinha, Radamés, Tom, Chico, Paulinho da Viola... Aberto a noite toda, o bar fez algum sucesso. Nas madrugadas, às vezes rolavam rodas de som. A essas alturas, Capucho já estava casado com a cearense Aline de Morais e Silva. Foi quando o pai começou a passar mal em Palmeira das Missões e ele se mandou para vê-lo, a tempo de se despedir. Era 1999. Durante a viagem, pensou e resolveu não voltar para Fortaleza, mas para maiores perspectivas em São Paulo. Grávida de Gregório, Aline foi encontrá-lo. (Gregório hoje tem 25 anos e, não por coincidência, o mesmo nome do pai de Capucho e do último filho de Luiz Carlos Borges.)
Na divulgação do boteco ele usava uma marca criada pelos conhecidos cartunistas Alcy Linares e Paulo Caruso, com quem fez amizade em São Paulo: a caricatura "plagiada" da Monalisa, de óculos, referência também ao traço visual que carrega desde a adolescência, os longos cabelos, hoje grisalhos - acaba de completar 62 anos. Então estava de volta a Sampa, na batalha de sempre, quando o crítico musical Zuza Homem de Mello, também seu amigo, o indica para trabalhar com a cantora baiana Margareth Menezes (hoje ministra da Cultura), que faria turnê por alguns estados. Depois recebe uma ligação de Borges: "Disse que tinha uma demanda para eu fazer na Argentina. Um festival na cidade de Resistência queria contratar o Hermeto. Liguei pra ele, fomos para o festival".
Era um lugar pequeno na Praia de Iracema, cinco mesas dentro e outras na calçada, um funcionário na cozinha e ele atendendo e colocando a música - só discos de que gostava, Pixinguinha, Radamés, Tom, Chico, Paulinho da Viola... Aberto a noite toda, o bar fez algum sucesso. Nas madrugadas, às vezes rolavam rodas de som. A essas alturas, Capucho já estava casado com a cearense Aline de Morais e Silva. Foi quando o pai começou a passar mal em Palmeira das Missões e ele se mandou para vê-lo, a tempo de se despedir. Era 1999. Durante a viagem, pensou e resolveu não voltar para Fortaleza, mas para maiores perspectivas em São Paulo. Grávida de Gregório, Aline foi encontrá-lo. (Gregório hoje tem 25 anos e, não por coincidência, o mesmo nome do pai de Capucho e do último filho de Luiz Carlos Borges.)
Na divulgação do boteco ele usava uma marca criada pelos conhecidos cartunistas Alcy Linares e Paulo Caruso, com quem fez amizade em São Paulo: a caricatura "plagiada" da Monalisa, de óculos, referência também ao traço visual que carrega desde a adolescência, os longos cabelos, hoje grisalhos - acaba de completar 62 anos. Então estava de volta a Sampa, na batalha de sempre, quando o crítico musical Zuza Homem de Mello, também seu amigo, o indica para trabalhar com a cantora baiana Margareth Menezes (hoje ministra da Cultura), que faria turnê por alguns estados. Depois recebe uma ligação de Borges: "Disse que tinha uma demanda para eu fazer na Argentina. Um festival na cidade de Resistência queria contratar o Hermeto. Liguei pra ele, fomos para o festival".
Capucho ao lado do multi-instrumentista Hermeto Pascoal
CAPUCHO PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO/JCA essas alturas, vale dizer, a agenda de Capucho já tinha dezenas de telefones. No ano seguinte, 2000, o festival pede a ele que leve Naná Vasconcellos. Lá mesmo Naná o convida para ser seu empresário: "Fiquei seis anos com Naná. Ele me abriu as portas para o mundo, fomos a Nova York, a Europa toda, países da África. Mas aquele festival de Resistência ficou em minha cabeça, eles faziam uma semana de shows para os estudantes, masterclasses... Artistas de vários países. Do RS estavam lá Oscar dos Reis, Daniel Morales. Pensei: por que não fazer algo assim no Brasil? Em 2007, 2008 e 2009 fiz o Festival Instrumental de Guarulhos, SP, que homenageava um grande nome e era competitivo. Entre os gaúchos que passaram por lá lembro o Yamandu, Paulinho Cardoso, Caray Guedes".
No início de 2009, em Jericoacoara, para onde sempre ia, "desde quando o lugar não tinha energia elétrica", botaram uma pilha nele. Por que não fazia um festival ali, já que conhecia tantos músicos? "Eu já tinha a Capucho Produções. Fiz o projeto, foi aprovado nas leis de incentivo e através de parcerias consegui chegar ao governo do Ceará e à Eletrobrás. Ao fim daquele ano fizemos a primeira edição do Festival Choro Jazz, que começou grande. Sempre gostei de montar os times, botei no palco Robertinho Silva, Heraldo do Monte, Arismar do Espírito Santos e Toninho Horta, que nunca tinham tocado juntos. Mais o Borghetti, SpokFrevo Orquestra, Quarteto Maogani... Aí foi indo e o festival crescendo e crescendo, sempre com a receita de nomes consagrados e reuniões inéditas."
No início de 2009, em Jericoacoara, para onde sempre ia, "desde quando o lugar não tinha energia elétrica", botaram uma pilha nele. Por que não fazia um festival ali, já que conhecia tantos músicos? "Eu já tinha a Capucho Produções. Fiz o projeto, foi aprovado nas leis de incentivo e através de parcerias consegui chegar ao governo do Ceará e à Eletrobrás. Ao fim daquele ano fizemos a primeira edição do Festival Choro Jazz, que começou grande. Sempre gostei de montar os times, botei no palco Robertinho Silva, Heraldo do Monte, Arismar do Espírito Santos e Toninho Horta, que nunca tinham tocado juntos. Mais o Borghetti, SpokFrevo Orquestra, Quarteto Maogani... Aí foi indo e o festival crescendo e crescendo, sempre com a receita de nomes consagrados e reuniões inéditas."
Projetos em Porto Alegre
Capucho ao lado de Aline, ex-companheira e responsável pela logística do Choro Jazz, e o filho Gregório, "faz-tudo" do festival
TAINA FACO/DIVULGAÇÃO/JCNa noite de 8 de dezembro de 2024, fechamento dos 15 anos do Choro Jazz com show de Lia de Itamaracá, 80 anos, lenda pernambucana da ciranda, Capucho subiu ao palco com a equipe do festival. São umas 30 pessoas coordenadas por ele na programação, a ex-companheira Aline na logística e o filho Gregório, seu braço direito, atuando como coringa em todos os lados. Como tem ampla visão de como é fazer um evento com a dimensão que adquiriu o Choro Jazz, ele se cerca de especialistas nas várias áreas técnicas - palco, luz, vídeos etc. Um exemplo: o responsável pela qualidade do som é, sempre, o "gaúcho" Pedrinho Figueiredo, carioca radicado em Porto Alegre há mais de 40 anos, produtor de discos, saxofonista e flautista do grupo de Renato Borghetti desde 1990.
Mesmo vivendo e atuando entre o Ceará e São Paulo há tanto tempo, e tendo se tornado figura respeitada no universo musical brasileiro, Capucho mantém sua atenção voltada para o Rio Grande. Levou para o festival, entre outros, seu mestre Luiz Carlos Borges, Renato Borghetti, Tambo do Bando, Alegre Corrêa, Guinha Ramires, Yamandu Costa, Lucio Yanel, o Quartchêto, Gilberto Monteiro com a Sucinta Orquestra e, em dezembro passado, um grupo montado para a ocasião com o show Canções em Movimento: Nelson Coelho de Castro, Zé Caradípia, Gelson Oliveira, Giovanni Berti e Matheus Kleber - vozes, violões, percussão e acordeom. Borghetti, que tocou em três edições, avalia: "É um dos festivais mais brasileiros que existe. Além de ser um baita encontro de amigos".
Jean Garfunkel (centro) é amigo desde os anos 1990
CAPUCHO PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO/JCAmigos é o que não falta no Choro Jazz. Outro gaúcho amigo pra sempre é o baterista Ricardo Arenhaldt, do Quartchêto e mais uns grupos. Diz ele: "Foram momentos de emoção e gratidão por estarmos em um espaço que celebra a música instrumental brasileira. Um fato em nossas vidas que não esqueceremos e que certamente nos tornou mais fortes". Pedrinho Figueiredo sublinha tudo: "Criar um festival do porte do Choro Jazz é uma meta audaciosa. Conseguir realizar tantas edições, agora expandindo para outras cidades e estados, é um feito fantástico. O Capucho, além de ser um realizador, é um visionário". Aqui cabe revelar que um dos projetos do cara é fazer edições do festival também em Porto Alegre, com a receita de grandes nomes e figuras novas no palco, ingresso livre.
A lista de quem já tocou no Choro Jazz é enorme. E inclui duos, trios e grupos articulados por Capucho para shows exclusivos. Na última edição, por exemplo, entre outros, ele reuniu o pianista paulistano Nélson Ayres e o saxofonista italiano Gabrielle Mirabassi. Apenas alguns nomes desses 15 anos, além dos já citados: Joyce Moreno, Marco Pereira, Luciana Rabelo, Renato Braz, Zé Renato, Hamilton de Holanda, Leo Gandelman, Banda Mantiqueira, Benjamin Taubkin, Theo de Barros, Velha Guarda da Portela, Isaías do Bandolim, Duo Assad, Nilson Chaves, A Cor do Som, Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador, Bianca Gismonti Trio, Eudes Fraga, Orquestra à Base de Sopros de Curitiba, Arraial do Pavulagem, Lula Galvão, Jorge Helder, Dona Onete...
A lista de quem já tocou no Choro Jazz é enorme. E inclui duos, trios e grupos articulados por Capucho para shows exclusivos. Na última edição, por exemplo, entre outros, ele reuniu o pianista paulistano Nélson Ayres e o saxofonista italiano Gabrielle Mirabassi. Apenas alguns nomes desses 15 anos, além dos já citados: Joyce Moreno, Marco Pereira, Luciana Rabelo, Renato Braz, Zé Renato, Hamilton de Holanda, Leo Gandelman, Banda Mantiqueira, Benjamin Taubkin, Theo de Barros, Velha Guarda da Portela, Isaías do Bandolim, Duo Assad, Nilson Chaves, A Cor do Som, Moacyr Luz e o Samba do Trabalhador, Bianca Gismonti Trio, Eudes Fraga, Orquestra à Base de Sopros de Curitiba, Arraial do Pavulagem, Lula Galvão, Jorge Helder, Dona Onete...
Festival Choro Jazz em Jericoacoara (CE) reuniu bom público em suas últimas edições
TAINA FACO/DIVULGAÇÃO/JCEm Jericoacoara, Capucho sempre faz questão de colocar no palco artistas locais, fecundados pelo próprio festival e suas oficinas de música. Em 2024, a noite final foi aberta pelo grupo Armenina do Coco de Fulô, dez jovens mulheres cantando temas populares do Nordeste. É o que pretende fazer aqui. Com o músico Texo Cabral, criou a Texo & Capucho Produções e já começaram a elaborar projetos - o Choro Jazz é, há vários anos, patrocinado pela Petrobrás Cultural. A produtora estreará em Porto Alegre com a Semana Borgeana Instrumental, homenagem a Luiz Carlos Borges (1953-2023) na semana de seu aniversário, 25 de março. Entre as atrações estará Kiko Freitas, filho do lendário Telmo de Lima Freitas, considerado um dos maiores bateristas do mundo e destaque do último Choro Jazz.
* Juarez Fonseca é jornalista militante na área da Cultura, especialmente a música, com 50 anos de carreira.