Gaita Ponto ganhou o Disco de Ouro trazendo 12 temas tradicionais e já conhecidos do público gaúcho. De autoria própria, apenas uma integra o disco: Carreirada, composta por Borghetti e Paulo Tomada. Abrindo o álbum, está a inigualável composição de Gilberto Monteiro, Milonga para as Missões, que dá o tom de grandiosidade para o trabalho. Até hoje, ela é peça chave dos shows, juntamente com Kilómetro 11, de Tránsito Cocomarola, e Merceditas, de Ramón Sixto Ríos — dois clássicos do chamamé argentino.
O repertório segue com Llegada (Felix Peres Cardoso), Redomona (Os Serranos), Bailinho na Capela (Adelar Bertussi e Itajaíba Mattana), Rancho/Cerca de Pedra (Miguel Lima), O Sem Vergonha (Os Serranos), El Toro (Alberto Castillo e Pedro Sánchez), Minuano (Sadi Cardoso) e Tio Bilia na Oito Baixos (Tio Bilia), fechando o álbum.
O disco inovou ao trazer o regionalismo sem a voz do gaúcho: a gaita falava tudo. Era um som mais contemplativo, para ouvir, não cantar. "Um disco de música regional instrumental era raridade. Geralmente essas músicas eram cantadas, com a temática gauchesca, do campo, do cavalo. Esse álbum era só instrumental. Quando ele lançou, o disco começou a fazer sucesso e começou a tocar em tudo que é rádio. Inclusive, rádio que nunca tocou música regional antes", conta Juarez Fonseca.
Difícil de catalogar em um só gênero, Renato traz um híbrido de regionalismo, nativismo e tradicionalismo com elementos do jazz e da música clássica. Desta forma, conseguiu alcançar uma grande diversidade de público. "É um álbum que agrada quem gosta de música instrumental, quem gosta de jazz e também agrada quem é gaudério", resume Márcio Pinheiro.