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Publicada em 23 de Agosto de 2024 às 13:06

Um revolucionário que virou ditador, um ditador que virou democrata

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Juliano Tatsch
Juliano Tatsch Editor-assistente
Poucas figuras na história brasileira possuem uma trajetória tão cheia de nuances quanto Getúlio Vargas. De revolucionário que derrubou um sistema há décadas viciado, passou a ditador com inclinações fascistas e encerrou sua vida pública como democrata que se tornou mártir.
Poucas figuras na história brasileira possuem uma trajetória tão cheia de nuances quanto Getúlio Vargas. De revolucionário que derrubou um sistema há décadas viciado, passou a ditador com inclinações fascistas e encerrou sua vida pública como democrata que se tornou mártir.
O professor Pedro Fonseca aponta que, em parte, a postura de Getúlio acompanha a trajetória do Brasil na primeira metade do século XX. O jovem Vargas estudante era militante do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), apoiador do governo estadual de Borges de Medeiros. Na década de 1930 há a crise das democracias liberais, como os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, e os países que surgem como emergentes são ditaduras, como Alemanha (Hitler), Itália (Mussolini) e Rússia (Stalin), que se fortalecem no contexto da guerra. “A contradição é Vargas que se assume como ditador em 1937 mas entra na guerra ao lado de Estados Unidos e Grã-Bretanha (e União Soviética) para derrotar o nazi-fascismo”, destaca Fonseca.
Ao retornar ao governo, em 1951 – a primeira vez como presidente eleito – há a afirmação do Trabalhismo, com forte nacionalismo, distribuição de renda e ampliação dos direitos dos trabalhadores. “São três períodos diferentes, mas que têm algo em comum: o antiliberalismo. Vargas nunca acreditou que o livre mercado, por si só, encaminharia a solução para os problemas brasileiros. Ele defendia o capitalismo, mas acreditava que a política, e não o mercado, deveria dar as diretrizes principais para superar os problemas do Brasil”, enfatiza o professor da Ufrgs.
Os diversos “Getúlios” ajudaram a construir no mito de Vargas que permanece até hoje. Muitos o consideram o maior homem público da história da República, outros dizem que foi o melhor presidente, alguns, o maior político, e outros mais o consideram um autoritário.
Definir Vargas, é uma tarefa difícil. “Não dá para dizer que ele era um democrata, que ele era autocrata, que ele era isso ou era aquilo. Ele era tudo isso. Ele foi sendo de acordo com a história que o cercava, e fez com muito sucesso. Getúlio jogou o jogo político de acordo como esse jogo estava se apresentando na sua frente”, diz o professor do Departamento de História da Ufrgs, Luiz Alberto Grijó.
Apesar de salientar que é difícil estabelecer comparações, impossibilitando afirmar que Getúlio foi o maior político brasileiro já existente, o historiador Luciano Aronne Abreu afirma que a importância de Vargas é indiscutível. “O tamanho do Getúlio na história do Brasil é gigante. A construção do Brasil moderno passa pela Era Vargas”, destaca o professor da Pontifícia Universidade Católica do RS (Pucrs).

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