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Publicada em 23 de Agosto de 2024 às 13:06

Nascido no império, Vargas refundou a República

Vargas foi presidente que por mais tempo comandou o Executivo brasileiro

Vargas foi presidente que por mais tempo comandou o Executivo brasileiro

Museu da República/JC
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Juliano Tatsch
Juliano Tatsch Editor-assistente
Aos sete anos de idade, um gauchinho acompanhou de longe as notícias a respeito da agitação política que tomou conta da capital do País no ano de 1889. Cerca de 1,8 mil quilômetros separavam o menino Getúlio Dornelles Vargas do marechal Deodoro da Fonseca quando este, em um movimento civil-militar, depôs o imperador Dom Pedro II, derrubou a monarquia no Brasil e deu início à República naquele 15 de novembro.Getúlio nasceu em São Borja, em 19 de abril de 1882. Ainda que fosse fruto de uma comunidade rural, com uma economia baseada na pecuária de corte, distante dos centros decisórios regionais e nacionais, a política estava no seu sangue desde a concepção.
Aos sete anos de idade, um gauchinho acompanhou de longe as notícias a respeito da agitação política que tomou conta da capital do País no ano de 1889. Cerca de 1,8 mil quilômetros separavam o menino Getúlio Dornelles Vargas do marechal Deodoro da Fonseca quando este, em um movimento civil-militar, depôs o imperador Dom Pedro II, derrubou a monarquia no Brasil e deu início à República naquele 15 de novembro.

Getúlio nasceu em São Borja, em 19 de abril de 1882. Ainda que fosse fruto de uma comunidade rural, com uma economia baseada na pecuária de corte, distante dos centros decisórios regionais e nacionais, a política estava no seu sangue desde a concepção.
Filho de Manuel do Nascimento Vargas, um “chimango” defensor da causa republicana e presidencialista, e de Cândida Dornelles Vargas, de família tradicionalmente “maragata”, apoiadora do federalismo parlamentarista, Getúlio cresceu em um ambiente em que a política era fruto de paixões e desavenças eram “lavadas com sangue” em nome da honra.
Sangue esse que manchou o solo gaúcho entre 1893 e 1895, quando os dois lados se digladiaram naquela que foi uma das mais violentas revoltas da história brasileira, a Revolução Federalista, que colocou em lados opostos Chimangos e Maragatos.
Assim, a política sempre esteve presente na vida de Vargas, desde a infância, passando pelo ativismo em sua época de estudante de Direito em Porto Alegre, até o derradeiro dia 24 de agosto de 1954.
De formação intelectual influenciada pelo positivismo de Auguste Comte, o Getúlio político era um homem intrinsecamente ligado ao Getúlio homem, fronteiriço, criado no Pampa, com os traços da cultura regional enraizadas em sua personalidade e modo de pensar e agir. “A defesa da diversificação agrícola e da pecuária tinha o DNA da economia gaúcha da época, o RS era chamado ‘celeiro do Brasil’. O nacionalismo era forte na fronteira, os missioneiros sempre se consideraram brasileiros da gema, pois ‘por opção’ e não por imposição. São Borja foi invadida pelos paraguaios na guerra e o pai dele foi um dos que se distinguira na defesa da cidade. A ameaça argentina era sempre uma possibilidade”, destaca o professor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Pedro Cezar Dutra Fonseca.
Estudioso de chamada Era Vargas, Fonseca tratou do tema em sua tese de doutorado obtida na Universidade de São Paulo (USP) em 1987, intitulada “Vargas: O Discurso em Perspectiva e o Capitalismo em Construção”. O livro oriundo da pesquisa (Editora Hucitec) já está em sua 3ª edição.
Conforme o professor, o olhar local estava presente na visão estratégica que Vargas tinha para o Brasil. “A industrialização viria valorizar as matérias primas locais, tinha-se já a noção de cadeia produtiva: o gado fornecia o insumo para a indústria coureiro-calçadista gaúcha, por exemplo”, aponta.
Essa visão estratégica foi uma das marcas de Getúlio enquanto chefe de estado, seja como presidente eleito, seja como ditador.

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