Carol Zatt, especial para o JC
O esporte gaúcho pode ter perdido uma grande jogadora de voleibol ou handebol, mas os palcos brasileiros ganharam uma estrela versátil com destacadas qualidades vocais. Mesmo já frequentando o Laboratório de Musicalização do Prelúdio (projeto de extensão da Ufrgs) na infância, na metade da década de 1980, a hoje cantora Andréa Braz Cavalheiro queria brilhar era nos ginásios.
Primeiramente, fez teste para vôlei no Colégio Julinho, onde estudava. Mas, aos 12 anos, sofre uma lesão de ligamento. Anos depois, ainda tenta jogar handebol na ACM, porém, torce o joelho em seguida.
O departamento médico atuou bastante no destino para tirar a adolescente das quadras e mostrar o caminho da carreira artística. No entanto, a educação rígida dos pais, Carlos Manoel Araújo Cavalheiro e Denise Braz, com horários estipulados que não permitiam a saída vespertina de casa e o retorno noturno dos treinos, foi crucial. Não havia negociação.
Quem influenciou muito nesta trajetória foi a tia-avó materna, Rita Vargas Rodrigues, que sugeriu o Prelúdio para o contraturno escolar. Andréa lembra com carinho dela: "Foi a primeira mulher que ingressou e saiu formada da Ufrgs, em Letras. Era uma negra chique, tipo uma Nina Simone. Solteirona convicta, viajava muito. Tenho ainda guardado um postal de um soldadinho de chumbo que ela me mandou de Londres".
Com a irmã Cristina e duas primas, começou a frequentar as aulas, tendo recebido meia-bolsa. "Daniel era muito pequeno, tinha que estar alfabetizado para se inscrever", recorda Andréa sobre o irmão caçula, que acabou indo para um segmento mais parecido ao que a primogênita almejava na época. Formado em Educação Física, é personal trainer em uma academia de Porto Alegre, onde a artista treina regularmente.
Já Cristina, apenas três anos mais jovem, completou ao lado da irmã todo o percurso do Prelúdio, diferentemente das primas. Hoje violinista, ela ainda fez a Escola de Música da Ospa e a graduação na Ufrgs. Andréa teve aulas de violão com Fernando Mattos no projeto, mas largou porque só queria cantar - o que de início a deixava com vergonha.
Ela também tentou ingressar na universidade ao final da adolescência, no início dos anos 1990. Porém, veio o resultado "Inapta" no teste específico, o que a deixa incomodada até hoje. Prestou vestibular novamente para Biologia e História, mas não passou. Com 18 anos, sem deixar de cantar, participando de corais, começou a trabalhar como secretária, em experiências que não deram muito certo.
Porém, a estada de quase um ano no Hospital Beneficência Portuguesa lhe levou para um curso de Técnico em Enfermagem. Neste sim, ela foi aprovada, cursou, estagiou e concluiu. No entanto, nunca atuou profissionalmente. Sabe fazer curativos, aplicar medicações, medir sinais vitais, mas não fez isso mais em hospitais, nem foi cuidadora.
Começou a gravar jingles e, em seguida, entrou em um coletivo de 12 pessoas da mesma faixa etária, mas que não era esportivo. Andréa sempre integrou a formação da The Hard Working Band, conjunto de sucesso criado em 1995 e que a tornou definitivamente conhecida no meio artístico.
Hoje, aos 48 anos, a capricorniana também se dedica à Fonoaudiologia, com fundamentos que também auxiliam nas aulas que ministra. Ela reconhece que um diploma de curso de graduação acrescenta ao currículo, é importante para a sociedade. "Mas só fui ter essa pretensão de ser acadêmica agora com a Fonoaudiologia. Daí sim me encontro pessoalmente", destaca.
"Olhando agora para trás, se não fosse a The Hard Working Band, acho que provavelmente ia ser cantora lírica mesmo, sabe? Cantar na Ospa, fazer apresentações como recitais. Mas eu já estava cantando música popular. Então, assim, fazia aula de técnica vocal do canto lírico e aplicava no canto popular", avalia atualmente a soprano que já sonhou em ser contralto.
E, na música popular, encantou por onde ia. Recebeu muitos convites para participações especiais e integrou diversos projetos, como Cidade Baixa, Mulheres da Banda e Trio Chico (este último com os colegas de banda Pedro Gonzaga e Rodrigo Rheinheimer). Também cantou com os artistas Tonho Crocco (que foi seu colega no Julinho), Richard Serraria e Leandro Maia.
Na sua incursão pelo eixo central do País, Rio de Janeiro-São Paulo, trabalhou no musical Cartola, o Mundo é um Moinho, participou de programas de auditório na televisão e fez figuração no cinema. No retorno ao Rio Grande do Sul, integrou o espetáculo Reencontros de Natal: Histórias Incríveis, por meses em Gramado. Também foi vice-campeã regional do Festival da Canção da Aliança Francesa em 2022.
A cantora ainda se apresenta em eventos, trabalha como locutora e professora, sem deixar de tocar na noite, interpretando sambas, com sua banda. Em setembro passado, estrelou seu primeiro show solo, Preta, em que fala como se reconheceu como tal e conta histórias pessoais relacionadas com as músicas selecionadas para o repertório (em inglês, português e francês).
E o próximo mês será data para outra estreia de Andréa Cavalheiro. Ela vai lançar, com o marido André Nascimento, o projeto SPN - Samba pra Namorar. O show está marcado para 23 de novembro, no Matita Perê (João Alfredo, 626).
Canto de todas as raças
Andréa Cavalheiro cresceu em Porto Alegre, apenas nasceu em Salvador
/ACERVO PESSOAL ANDRÉA CAVALHEIRO/REPRODUÇÃO/JC
Primeira filha do casal Denise Braz e Carlos Cavalheiro (militar da Aeronáutica), Andréa Braz Cavalheiro veio ao mundo no dia 3 de janeiro de 1975. "Eu nasci no Hospital da Base Aérea de Salvador, que fica em Lauro de Freitas, do lado do aeroporto, mas a minha mãe morava em Itapuã, porque a Vila Militar ficava na quadra de trás da praia".
No entanto, a família logo voltou para Porto Alegre. A menina foi a única dos filhos que nasceu lá e sempre quis conhecer seu local de origem. "Havia uma promessa de que, quando eu fizesse 15 anos, iria para Salvador. Mas aí não rolou grana, nem pra fazer festa de 15 anos, muito menos pra viagem", narra Andréa.
A cantora só foi para a capital baiana décadas depois, quando teve a oportunidade de viajar com um amigo. "Quando cheguei lá naquele lugar, foi como se eu tivesse nascendo de novo. Liguei para mamãe, me lembro de chorar desesperada. E não parecia, não. Eu estava de fato renascendo", analisa, diante da diferença cultural gigantesca com a qual se deparou, vendo pessoas pretas em todos os lugares.
"Eu fui educada aqui com uma cultura totalmente europeia. Cantando em coral, com a minha professora alemã, uma pessoa que eu amo, de paixão, me ensinou a cantar, né? Mas a gente estava muito inserida (nessa cultura) - eu e a minha irmã, não posso falar por outras pessoas. Ela ainda estudou no Instituto de Artes, que era totalmente erudito. Ela já conseguiu se adaptar melhor, talvez, por já tocar violino, uma coisa elitizada". Enquanto Cristina aparentemente se encaixou no cenário, Andréa confessa que não se sentia bem lá dentro, cogitando também o fato de já ser cantora popular.
A percepção de sua negritude aflorou no Rio de Janeiro, para onde se mudou em 2014 em busca de novos espaços na cena artística. "Vendi meu carro. Fui para o Rio com R$ 4 mil, que é nada. Comia massa com linguiça toda semana", relembra, rindo.
Mas a vivência no centro cultural do País, onde percebeu que as pessoas não se importavam com as aparências, foi exponencial para ela se reconhecer como negra, somente próximo dos 40 anos, e para começar a falar e ser militante da causa: "Eu vi muita gente misturada no Rio. Os homens não estão dando muita bola se a mulher está maquiada, arrumada. Eu vou me dar bem aqui também, porque as pessoas estão preocupadas em ser homem, em ser mulher ou ser gay e amar e ser felizes, aproveitar o momento, enfim, viver".
Presença em palcos diversos
Andréa Cavalheiro em meio aos integrantes da Hard Working Band
/ACERVO PESSOAL ANDRÉA CAVALHEIRO/DIVULGAÇÃO/JC
No show Preta, no Teatro de Arena, em 14 de setembro, Andréa interpretou Canto das Três Raças, eternizada na voz de Clara Nunes. Em seguida, ela e o músico Lucas Esvael (Magrão) trouxeram Canto de Ossanha, gravada por Elis Regina. Esta última escolha a cantora justificou pela mediunidade que desenvolveu na Umbanda, religião que frequenta com a mãe - chamada de Baronesa, pela elegância.
No roteiro, a artista diz que o gosto pela música brasileira vem de Denise Braz, que era fã de novelas e tinha os discos das trilhas. A sua neta, filha de Daniel e afilhada de Andréa, inclusive, chama-se Elis - cujo nascimento foi o motivo do retorno definitivo da artista à Capital.
Já a influência dos standards de Ray Charles e Nat King Cole foi legado de seu pai, a quem atribui ter aprendido a cantar em inglês. Segundo Andréa, Carlos Manoel era homem refinado e exigente, que dizia que ela precisava tirar nota 11 na escola.
Flávio Bauraqui e Andréa Cavalheiro como Cartola e Dona Zica
ACERVO PESSOAL ANDRÉA CAVALHEIRO/DIVULGAÇÃO/JC
Na estada entre Rio e São Paulo, conseguiu um papel pequeno no coro do musical Cartola, o Mundo é um Moinho. Com a temporada já em andamento, Virgínia Rosa - que interpretava Dona Zica, esposa de Cartola, papel de Flávio Bauraqui - foi chamada para uma novela. Andréa a substituiu. Ela ainda fez teste para outros musicais, como Cor Púrpura, Noviça Rebelde e Fantasma da Ópera, mas não foi chamada. Também tentou diversas vezes entrar no programa The Voice.
Para seguir a carreira de atriz por aqui, Andréa já conta com as bênçãos de Álvaro Rosa Costa e Deborah Finocchiaro. Participou da terceira temporada da websérie Confessionário - Relatos de casa, no episódio sobre gordofobia e racismo estrutural, disponível no YouTube. A convite do produtor Paulo Dionisio, a artista está também na segunda temporada da websérie Vozes negras importam, também disponível online, que busca criar um registro histórico da arte negra no Sul do Brasil
Para seguir a carreira de atriz por aqui, Andréa já conta com as bênçãos de Álvaro Rosa Costa e Deborah Finocchiaro. Participou da terceira temporada da websérie Confessionário - Relatos de casa, no episódio sobre gordofobia e racismo estrutural, disponível no YouTube. A convite do produtor Paulo Dionisio, a artista está também na segunda temporada da websérie Vozes negras importam, também disponível online, que busca criar um registro histórico da arte negra no Sul do Brasil
A importância do Carnaval
Samba pra Namorar é parceria com o marido André Nascimento, que conheceu no Bambas da Orgia
/GLAUCIO ROSA/DIVULGAÇÃO/JC
Andréa sempre gostou de Carnaval, de assistir os desfiles na avenida, em Porto Alegre. Ia desde pequena, quando o pai, que era técnico em eletrônica (depois de sair da Aeronáutica), trabalhava como chefe de externa nas transmissões da TV Gaúcha.
No período em que Sergius Gonzaga (pai de Pedro Gonzaga, seu colega da banda de soul The Hard Working Band) era secretário de Cultura, ela tinha convites para o Porto Seco e procurava introduzir naquele contexto pessoas, de preferência pretas, que não tinham proximidade com o complexo.
"Em 2019, entrei na Imperadores do Samba. A gente desfilou em 2020, antes da pandemia. Depois, a direção mudou e teve uma troca de cadeiras, muda cantores, mudam passistas, muda tudo." Após o distanciamento social, ela foi cantar na Bambas da Orgia, onde conheceu o marido, André Nascimento, com quem estreia o projeto Samba pra Namorar (SPN) em 23 de novembro, na Capital.
"Não é só a parte musical, é toda a cultura do Carnaval que mexe contigo. Ele deveria ter a importância do Dia de Navegantes", afirma. Na visão da cantora, além do caráter folclórico de manifestação da cultura popular, que é patrimônio imaterial, ainda há a contribuição da letra dos enredos para a preservação de histórias e conhecimentos coletivos.
Apesar de muitos artistas fazerem carreira dentro do Carnaval, Andréa diz que não é o seu interesse. "Estou lá para estar perto dos meus, mesmo. Enfim, para não só as pessoas elitizadas ouvirem a minha voz". E ela chama todos para conhecerem e frequentarem, levando principalmente as crianças, para esta tradição não acabar.
"O prefeito Sebastião Melo até está fazendo algumas coisas. Se disser que está muito ruim, estarei mentindo, mas, sim, pode ser feito mais", opina a intérprete sobre a importância da manifestação popular para a cultura do município.
Nuances da intérprete na visão de seus colegas
Cantora com guitarrista Lucas Esvael no Auditório do Instituto do Cérebro da Pucrs
/ANA TERRA FIRMINO/JC
Potência, versatilidade, beleza de timbre. A excelência como cantora da falsa soteropolitana - presente que Porto Alegre ganhou - é inquestionável e apareceu diversas vezes nos sete depoimentos colhidos por esta reportagem. Como Andréa Cavalheiro já atuou em diferentes iniciativas por estes pagos e além deles, não foi difícil achar quem gostaria de falar sobre ela no meio artístico.
Além das primeiras palavras que abrem o parágrafo anterior, também apareceu bastante nas falas dos colegas um certo palavrão que, embora curto, com quatro letras, foi utilizado com fins deveras elogiosos. A seu modo, também característico das dicotomias que a personalidade de Andréa carrega: graça versus seriedade.
Leia, a seguir, histórias que ilustram a rica e plural trajetória de Andréa Cavalheiro, que hoje também se destaca como ativista na luta antirracista.
Andréa Cavalheiro durante período no Prelúdio Coral e Conjunto de Música Popular
ACERVO PESSOAL ANDREÁ CAVALHEIRO/REPRODUÇÃO/JC
“A Andréa sempre foi, desde quando éramos crianças, alguém que levava as coisas muito a sério, no melhor sentido da palavra. Talvez fale isso porque não me considere uma pessoa tão séria, mas lembro da qualidade de tudo que fazia. Ela sempre teve simplesmente uma voz maravilhosa e um timbre inigualável. Para mim, é a voz feminina mais linda das cantoras que conheço. Enquanto nós, colegas do Coro Infantojuvenil do Prelúdio, éramos umas adolescentes malucas, a Andréa, mesmo tendo uma curiosidade artística superforte, nunca tirava os pés do chão. Uma certa maturidade precoce que caminha junto com o trabalho dela até hoje e só acrescenta essa seriedade. Teve uma criação muito rígida, familiar, e nesse período éramos bem próximas. Certa vez, a Andréa quis conhecer a Osvaldo Aranha, que na época era aquela loucura, punks de um lado, metaleiros do outro. Me lembro que calculou horário para o pai não ficar sabendo. Ficamos um tempo ali, pelo Lola, pelo Bar do João, na esquina da João Telles. Isso diz um pouco dessa Andréa que ouvia Pixies, rock alternativo, nas fitas cassetes gravadas que trocávamos, e, ao mesmo tempo, tinha toda essa disciplina que vinha de casa. Acho que isso é dela e se mantém nela, com um valor incomensurável. Ela é uma cantora impecável, na afinação, na postura e no discurso, hoje na causa antirracista, como ativista.”
ADRIANA DEFFENTI, cantora, flautista, compositora, atriz e bailarina porto-alegrense, colega do projeto Prelúdio
ADRIANA DEFFENTI, cantora, flautista, compositora, atriz e bailarina porto-alegrense, colega do projeto Prelúdio
“Ela até lembra mais de mim da época de Prelúdio do que eu dela. Fomos conviver mais depois que a The Hard Working Band ficou em segundo lugar e eu em primeiro no Festivalda, no Opinião, em 1995. Eu morava na República, na Cidade Baixa, e ela, na Sarmento Leite. A gente vivia uma na casa da outra. Depois, quando tive as primeiras namoradas, que eu sofria por causa das mulheres, ia lá chorar. A mãe dela era um amor. Eu também ia muito ver a Hard Working... Como somos amigas há tempos, posso dizer que, além de excelente cantora, a Andréa é uma pessoa de caráter, muito legal, inteligente e séria. Tem um baita senso de humor para com os amigos e a vida, claro, mas o que ela marca ela faz. Ela é muito correta. É louvável encontrar, hoje em dia, no mundo artístico, uma cantora ética, que não fala de ninguém, não puxa o tapete de ninguém. Ela é demais! A Andréa é perspicaz no comentário de humor, está sempre fazendo piada de algo, além de ser essa baita intérprete e uma mulher bem posicionada, tem uma questão de ativista atualmente. É uma guria nota 10, que adoro e o Brasil vai conhecer cada vez mais. Ela vai ficar mais famosa, se Deus quiser.”
IZMÁLIA IBIAS, cantora, compositora e instrumentista, referência feminina da cena rock gaúcha
IZMÁLIA IBIAS, cantora, compositora e instrumentista, referência feminina da cena rock gaúcha
Andrea Cavalheiro, em concerto da Orquestra de Câmara da Ulbra com músicas de Lupicínio Rodrigues
EVANDRO OLIVEIRA/JC
“O que falar da Andréa Cavalheiro? Conheço a Andréa mesmo antes de entrar na The Hard Working Band. E, claro que, com a minha entrada, a gente ficou mais próximo, e virou amigo, parceiro. Ela é dinda da minha filha! Mas eu vi a Andréa crescer enquanto artista, pude presenciar isso de perto. Sou testemunha ocular disso. Além de ter sempre o talento da cantora, ela virou atriz, tem a representatividade da mulher negra, ela vestiu isso, ela cresceu. Ela hoje é um ícone, ela representa muito, para a mulher, para a negra, para a artista. Ela é um talento incrível, uma potência, uma simpatia, uma beleza. É uma mulher linda, uma querida, só coisas boas. A Andréa é uma amiga que eu tenho orgulho de ter no rol das amizades, além de ser uma parceira. Tenho certeza que, em breve, vamos fazer algo juntos de novo na música.”
RODRIGO RHEINHEIMER, músico e produtor musical, integrante da The Hard Working Band e do Trio Chico
“A gente se conheceu em 2004, por aí. Me lembro da primeira vez que tocamos juntos. Era um show de Os Fagundes no Mercado Público, no Centro da Capital, e a Andréa fez uma canja, uma participação especial. Algum tempo depois, ela acabou me chamando para tocar com ela na noite, em bar. Ali na Cidade Baixa, teve uma época bem intensa de shows. Mesmo antes de eu estar em Porto Alegre, já era bem ligado na cena artística, sabia quem era quem. Tinha amigos na minha cidade que ouviam The Hard Working Band, tinham disco. E caras que eu já conhecia acabaram tocando na banda depois, como Rodrigo Rheinrheimer e Luke Faro. Quando vim pra cá, em seguida, a gente se conheceu. Isso [o reconhecimento da cantora como preta e começar a abordar a representatividade] é um processo que as pessoas vão passando e vai ficando mais latente. As coisas vão urgindo, a sociedade começa a falar. Tem assuntos que cansam de ficar ali embaixo do tapete e começam a transbordar. As pautas têm que acontecer para ver se a sociedade avança. Parte disso a conscientização das pessoas.”
LUCAS ESVAEL (Magrão), baixista e guitarrista bajeense radicado em Porto Alegre que toca com a cantora em diversos projetos até hoje
“A Andréa é maravilhosa, uma figura que todo mundo adora e quer ver por aí. É uma honra dar esse depoimento. Ela participou do Palavreio, da gravação do disco, dos shows, acompanhou todo aquele processo. Ela é f*da, é a melhor cantora. Tem um ouvidão e uma grande criatividade dos vocais. O seu trabalho construído de forma ‘autodidata’, constituído de autoaprendizagem. Uma performer incrível com uma técnica comparável com poucas pessoas em termos de ouvido, afinação, propriedade, densidade. Além disso, ela tem esse caráter coletivo, muito raro numa cantora. Ela se dá bem coletivamente. Ela é, ao mesmo tempo, uma solista e uma guria de banda. Tem esse fato de ser uma cantora top, uma grande intérprete, tecnicamente nota 10, afinadíssima, com um timbre maravilhoso, com técnica, e sabe música, harmonia e, ao mesmo tempo, ser da galera e lidar super bem com coletivos. Esteve em projetos como o Cidade Baixa, com três vocalistas cantando ao mesmo tempo. O Palavreio tinha um pouco essa característica também. Isso é tão admirável, como musicista, porque tem versatilidade para criar, arranjar vozes, brilhar, liderar e fazer parte de um time.”
LEANDRO MAIA, cantor, violonista, compositor, professor e regente coral que convidou Andréa para cantar em seu primeiro disco
RODRIGO RHEINHEIMER, músico e produtor musical, integrante da The Hard Working Band e do Trio Chico
“A gente se conheceu em 2004, por aí. Me lembro da primeira vez que tocamos juntos. Era um show de Os Fagundes no Mercado Público, no Centro da Capital, e a Andréa fez uma canja, uma participação especial. Algum tempo depois, ela acabou me chamando para tocar com ela na noite, em bar. Ali na Cidade Baixa, teve uma época bem intensa de shows. Mesmo antes de eu estar em Porto Alegre, já era bem ligado na cena artística, sabia quem era quem. Tinha amigos na minha cidade que ouviam The Hard Working Band, tinham disco. E caras que eu já conhecia acabaram tocando na banda depois, como Rodrigo Rheinrheimer e Luke Faro. Quando vim pra cá, em seguida, a gente se conheceu. Isso [o reconhecimento da cantora como preta e começar a abordar a representatividade] é um processo que as pessoas vão passando e vai ficando mais latente. As coisas vão urgindo, a sociedade começa a falar. Tem assuntos que cansam de ficar ali embaixo do tapete e começam a transbordar. As pautas têm que acontecer para ver se a sociedade avança. Parte disso a conscientização das pessoas.”
LUCAS ESVAEL (Magrão), baixista e guitarrista bajeense radicado em Porto Alegre que toca com a cantora em diversos projetos até hoje
“A Andréa é maravilhosa, uma figura que todo mundo adora e quer ver por aí. É uma honra dar esse depoimento. Ela participou do Palavreio, da gravação do disco, dos shows, acompanhou todo aquele processo. Ela é f*da, é a melhor cantora. Tem um ouvidão e uma grande criatividade dos vocais. O seu trabalho construído de forma ‘autodidata’, constituído de autoaprendizagem. Uma performer incrível com uma técnica comparável com poucas pessoas em termos de ouvido, afinação, propriedade, densidade. Além disso, ela tem esse caráter coletivo, muito raro numa cantora. Ela se dá bem coletivamente. Ela é, ao mesmo tempo, uma solista e uma guria de banda. Tem esse fato de ser uma cantora top, uma grande intérprete, tecnicamente nota 10, afinadíssima, com um timbre maravilhoso, com técnica, e sabe música, harmonia e, ao mesmo tempo, ser da galera e lidar super bem com coletivos. Esteve em projetos como o Cidade Baixa, com três vocalistas cantando ao mesmo tempo. O Palavreio tinha um pouco essa característica também. Isso é tão admirável, como musicista, porque tem versatilidade para criar, arranjar vozes, brilhar, liderar e fazer parte de um time.”
LEANDRO MAIA, cantor, violonista, compositor, professor e regente coral que convidou Andréa para cantar em seu primeiro disco
Andréa Cavalheiro é considerada, por muitos colegas de música, um dos maiores destaques de sua geração
ANA TERRA FIRMINO/JC
“Quando eu penso da Andréa na hora eu lembro de duas coisas: sorriso amplo e, claro, uma voz imensa. Não falo de potência que, sim, tem, mas falo de um corpovoz que reverbera. A Andréa é a artista completona, presença de palco, interpretação impecável, repertório vasto. Ela é a artista/performer que faz o que quiser: rap, MPB, ária de ópera, soul, Belting… o que quiser. É voz para todo repertório. E isso é uma sabedoria: saber usar sua potência. E claro, o que mais admiro, além do que já disse, é que a Déa está em cena desde os 18 anos, senão antes. E isso é uma resistência: resistência na vida de artista. Isso não é fácil. E essa resistência é também referência de voz para futuros cantores, porque voz é memória, e a Déa construiu, está construindo seu legado. Será referência de voz para muitos futuros artistas. Lembro da minha admiração quando, no ensaio do Mulheres da Banda, ela deixou a orquestra pequena: sabia tudo, impecável. Excelente profissional e engraçada que só... Ela é f*da!”
VANESSA LONGONI, cantora porto-alegrense radicada em SP, colega do projeto Mulheres da Banda (com a Banda Municipal de Porto Alegre)
“Andréa Cavalheiro é uma potência. Ela tem um timbre muito lindo, uma versatilidade e nuances no seu cantar. Alcança notas graves e agudas com facilidade, com muito swing. Ela pode cantar o que quiser. Com uma trajetória musical muito importante em Porto Alegre vem se destacando a cada dia... Eu a conheci no musical Cartola em 2016, convivemos juntas durante bastante tempo, ensaiando e fazendo o espetáculo em São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados. Eu interpretava Dona Zica da Mangueira, esposa de Cartola. Desde o início, já sabia que ela me substituiria quando fosse necessário. Infelizmente, não a vi representando Dona Zica, mas imagino como foi comigo, que uma performance tímida no início tenha se transformado em uma versão muito especial de ‘Dona Zica’. Somos todos singulares e, embora devamos seguir a orientação de como o personagem foi criado, quando ficamos mais seguros no papel, a magia acontece! Acho que o Brasil ainda não descobriu Andréa Cavalheiro, mas o tempo certo das coisas chegará.”
VIRGÍNIA ROSA, cantora de MPB e atriz paulistana, colega de palco no musical “Cartola, o Mundo é um Moinho”
VANESSA LONGONI, cantora porto-alegrense radicada em SP, colega do projeto Mulheres da Banda (com a Banda Municipal de Porto Alegre)
“Andréa Cavalheiro é uma potência. Ela tem um timbre muito lindo, uma versatilidade e nuances no seu cantar. Alcança notas graves e agudas com facilidade, com muito swing. Ela pode cantar o que quiser. Com uma trajetória musical muito importante em Porto Alegre vem se destacando a cada dia... Eu a conheci no musical Cartola em 2016, convivemos juntas durante bastante tempo, ensaiando e fazendo o espetáculo em São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados. Eu interpretava Dona Zica da Mangueira, esposa de Cartola. Desde o início, já sabia que ela me substituiria quando fosse necessário. Infelizmente, não a vi representando Dona Zica, mas imagino como foi comigo, que uma performance tímida no início tenha se transformado em uma versão muito especial de ‘Dona Zica’. Somos todos singulares e, embora devamos seguir a orientação de como o personagem foi criado, quando ficamos mais seguros no papel, a magia acontece! Acho que o Brasil ainda não descobriu Andréa Cavalheiro, mas o tempo certo das coisas chegará.”
VIRGÍNIA ROSA, cantora de MPB e atriz paulistana, colega de palco no musical “Cartola, o Mundo é um Moinho”
* Carol Zatt é jornalista cultural, mestre em Comunicação e especialista em Arqueologia e Patrimônio. Membro da Accirs, é curadora e jurada em eventos artísticos, audiovisuais, musicais e literários.


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