O segmento metalmecânico de Canoas e Nova Santa Rita foi um dos que mais sofreu prejuízos com as enchentes de maio, pois cerca de 50% das empresas teve paralisação total ou parcial e permaneceu com as instalações inundadas por quase dois meses. De acordo com o presidente do Simecan (Sindicato das Indústrias Metalmecânicas e Eletroeletrônicas de Canoas e Nova Santa Rita), Roberto Rene Machemer, além das perdas patrimoniais e de vidas, o setor ainda não conseguiu estabelecer o nível de produção semelhante ao existente antes das enchentes. "Está difícil retomar os números anteriores, pois parte das empresas investiu na recuperação das máquinas, quando encontrou componentes; outras sucatearam e houve quem terceirizasse a produção", detalha.
O dirigente argumenta que os grandes investimentos são poucos. A maioria das empresas está aplicando basicamente em manutenção para garantir a operação atual. "O dinheiro público não chegou ou foi pouco para as empresas que tiveram prejuízos. Tem-se, ainda, a demora na liberação dos recursos, o que só piora a situação. Quem perdeu praticamente tudo não irá comprar se não tiver apoio público", observa.
As enchentes também foram determinantes no aumento de custo de produção, retirando ainda mais a competitividade dos negócios. Inicialmente pesaram os fretes e, na sequência, a valorização do dólar, já que boa parte dos insumos e equipamentos tem valores atrelados à moeda norte-americana.
Ainda assim, alguns segmentos conseguiram performance melhor, como eletroeletrônico e a indústria prestadora de serviços. Já no segmento agrícola, que tem forte representatividade na região, algumas empresas ficaram sem operar por mais de 90 dias. "Por conta dos aumentos percebe-se alta no faturamento, mas não em peças produzidas", relata.
A mão de obra é outro ponto de atenção do setor. A liderança assinala que, diante dos vários benefícios sociais públicos, muitas pessoas têm preferido ficar em casa ou trabalhar informalmente. "A contratação também é cara, pois é preciso investir na qualificação. Mas é comum o pessoal pedir desligamento, o que se transforma em prejuízo à empresa. A solução não é fácil, está se buscando alternativas em colaboração com demais entidades patronais", reforçou.
Ele acredita que 2025 se comporte de forma muito semelhante a este ano. Espera poucas novidades, mas muitos sobressaltos diante das importações chinesas e elevação do dólar, com repercussão nos preços das matérias-primas. "É um problema que vamos ter. A inflação é crescente e as empresas estão tentando ajustar seus custos. Já o governo segue gastando mais do que arrecada", destaca.
Machemer também atenta para a insegurança jurídica e mercadológica, além das ameaças vindas dos Estados Unidos de aumento das taxas de importação de produtos brasileiros. Destaca que alguns setores da região têm nas exportações perto de 50% da receita. "O Brasil não tem uma economia perene, sempre vivemos de sobressaltos", lamenta.