Tanto na mobilidade, como em outras atividades, a eletricidade será uma importante alternativa para reduzir cada vez mais o uso das fontes fósseis. O engenheiro especialista em planejamento energético e ambiental e ex-presidente da CEEE, Vicente Rauber, considera que o carro elétrico deverá ser uma das maiores revoluções dessa época.
"Nas grandes cidades, como é o caso de Porto Alegre, dois terços da geração de gases de efeito estufa é proveniente do setor de transporte, entenda-se gasolina e diesel, fundamentalmente", comenta Rauber. Dentro desse cenário, ele prevê que haverá a valorização ainda maior da energia elétrica, que será capaz de amenizar a geração de gases de efeito estufa.
Rauber recorda que o Brasil apresenta uma vantagem nessa área, já que a maioria da geração elétrica no País é proveniente de fontes renováveis como hídrica, solar, eólica e biomassa. Em 2023, o ex-presidente da CEEE lembra que 93% da energia elétrica produzida em território nacional ocorreu através de fontes renováveis.
Esse panorama, ressalta o engenheiro, não é acompanhado por outras nações do mundo, que ainda são muito dependentes de insumos como carvão e óleo. "Mas, é mais um motivo para pressionar que esses países reduzam ou até eliminem o uso desses combustíveis substituindo-os por energia elétrica de fontes renováveis", defende.
O engenheiro, que também já exerceu o cargo de diretor financeiro e administrativo da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), argumenta que a eletricidade pode ser aproveitada ainda para substituir os combustíveis fósseis, além do setor de transporte. Um dos exemplos citados nesse sentido é a própria refinaria gaúcha, que pretende eletrificar uma de suas caldeiras para diminuir as emissões do seu processo produtivo. No caso do Rio Grande do Sul, Rauber vê como um enorme desafio a ser resolvido o emprego do carvão (o Estado concentra 89% das reservas nacionais do mineral). "O carvão pode ter outras utilidades que não a termeletricidade, que é muito geradora de poluição", afirma o engenheiro.
Quanto à mobilidade elétrica, o diretor de eólicas do Sindienergia-RS, Guilherme Sari, argumenta que, atualmente, ainda há obstáculos a serem superados, como a oferta de pontos de carregamento. "Porém, essa é uma demanda que vai crescer com o tempo", prevê o dirigente.
Para o diretor do Sindienergia-RS, o planejamento do setor elétrico nacional cada vez se tornará mais complexo com a entrada de novas fontes de energia, como a solar e a eólica, e novos aproveitamentos dessa geração. Soma-se a isso, o fato que os sistemas de contratação da geração de energia também ficaram mais diversificados.
Sari projeta que entre 2027 e 2029 o consumo de energia deverá aumentar no País e o Rio Grande do Sul precisará ter margem de escoamento de energia, para evitar problemas que ocorreram no passado, quando o atraso de obras de transmissão impactou o setor, impedindo a profusão de novas usinas.
Sobre a velocidade da transição energética, Rauber argumenta que, historicamente, o fator que acelera ou retarda o uso da energia renovável é o preço do petróleo. "Contudo, há alguns anos, esse não tem sido o único elemento. Hoje, o principal vetor é o reequilíbrio da natureza que a gente tem que promover", aponta o engenheiro. Para ele, a natureza já deu mais do que sinais de que é preciso encontrar um reequilíbrio. "Ela gritou para nós", enfatiza.