Após dois anos de quedas fortes, de 27% e 25%, derrubando a produção para 12,3 mil unidades, as fabricantes de carroçarias de ônibus ganharam fôlego em 2022, com alta estimada em 60%. A expectativa do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, Rubens Bisi, também executivo da Marcopolo, é de que o ano feche com produção de 19,3 mil a 19,5 mil unidades, das quais 4 mil devem ser exportadas. Segundo o dirigente, o ano foi de recuperação de produção, mas não de rentabilidade. Citou o aumento exagerado nos preços dos insumos, bem como a sua falta, e a dificuldade em repassar para os clientes.
Para 2023, Bisi estima que a produção total ficará de 7% a 10% menor. O mercado interno tem recuo projetado de 10% e o externo entre 5% a 7%. Na avaliação do dirigente, a causa principal é a adoção no Brasil de nova motorização com a norma Euro 6, o que trará aumento de custos ao setor, ainda debilitado financeiramente.
Bisi destaca que os transportadores até tentaram antecipar compras, mas não encontraram oferta suficiente de chassis. "Agora, o mercado tende a se retrair em razão da indefinição da política econômica do novo governo e para avaliar o real benefício da norma Euro 6 na redução do consumo de combustível, com projeções que variam de 3% a 10%, enquanto o custo do produto deve subir até 30%.
Por isso, o maior volume de compras deve ficar para o segundo semestre", avalia. O dirigente demonstra preocupação com o custo do financiamento, considerando a taxa Selic elevada e a falta de programas de estímulos ao setor. Como fatores positivos para o ano elenca o PIB mais robusto, repercutindo em aumento do trabalho formal e, este, no transporte de passageiros, gerando mais receita ao setor. Ainda cita os contratos já fechados de R$ 100 bilhões para obras de infraestrutura em razão das privatizações, o que oportuniza negócios para o fretamento, bem como o turismo ativo e as exportações ganhando maior fôlego, com a reorganização dos mercados. Bisi acredita que o programa Caminho da Escola terá continuidade por ter sido criado em governo anterior do PT, garantindo bons volumes para micro-ônibus.
Em razão da pandemia, prefeituras estenderam as concessões dos contratos do transporte urbano, prazo que já se encerrou e que agora exige renovação de frota. "A idade média dos ônibus está mais alta, o que repercute em aumento de consumo de combustível e manutenções mais frequentes, elevando o custo operacional", alerta.