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Publicada em 05 de Novembro de 2026 às 15:45

Giovane Capitani, da Tramontina, é o vencedor do Prêmio Equilibrista 2026 do IBEF-RS

Em sua 36ª edição, premiação reconhece executivos da CMPC, dos grupos Santa Lúcia e Zaffari e homenageia a OAB-RS por sua atuação institucional

Em sua 36ª edição, premiação reconhece executivos da CMPC, dos grupos Santa Lúcia e Zaffari e homenageia a OAB-RS por sua atuação institucional

Artur Koch/ Divulgação/ JC
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A decisão de deixar o Paraná para estudar e trabalhar em Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha, marcou o início de uma trajetória que levaria Giovane Capitani à liderança financeira de uma das empresas mais tradicionais do País. Mais de três décadas depois, o diretor corporativo administrativo e financeiro da Tramontina foi reconhecido como vencedor do Prêmio Equilibrista 2026, promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Rio Grande do Sul (IBEF-RS).

A 36ª edição da premiação, realizada nesta quinta-feira (5), na Casa Vetro, em Porto Alegre, também distinguiu Diego Merino, da CMPC, Tiago Lacassagne Mattos, do Grupo Santa Lúcia, e William Dutra, do Grupo Zaffari, como Destaques IBEF-RS 2026. A cerimônia incluiu ainda uma homenagem especial à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rio Grande do Sul (OAB-RS).

Conhecido como o Oscar das finanças no Estado, o Prêmio Equilibrista valoriza profissionais que se destacam pela capacidade de enfrentar desafios, sustentar resultados e contribuir para o desenvolvimento das organizações. Em um ambiente empresarial marcado por mudanças econômicas, tecnológicas e de mercado, a distinção também evidencia a ampliação do papel dos executivos financeiros nas decisões estratégicas.

Equilíbrio como fundamento da liderança

Filho de agricultores, Capitani encontrou na mudança para Carlos Barbosa a oportunidade de construir uma carreira dentro da Tramontina. Formado em Economia e Direito pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com pós-graduação em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela Fundação Getulio Vargas (FGV), desenvolveu sua trajetória em diferentes divisões de negócio da companhia e participou de projetos como a estruturação de novas unidades produtivas.

Para o executivo, a formação contínua e as oportunidades de desenvolvimento profissional foram determinantes nesse percurso. A experiência em uma empresa que completou 115 anos em 2026 também lhe permitiu acompanhar diferentes ciclos econômicos e compreender a importância da adaptação diante de cenários adversos.

Ao refletir sobre o reconhecimento, Capitani relaciona o significado da premiação às responsabilidades atuais da gestão financeira. Mais do que controlar recursos, o profissional precisa conectar diferentes áreas e contribuir para a continuidade dos negócios. “O equilíbrio é fundamental para o sucesso e para o futuro do negócio”, destaca.

Essa transformação é acompanhada pelo presidente do IBEF-RS, Eduardo Estima. Segundo ele, os profissionais de finanças passaram de uma atuação predominantemente interna para posições de maior influência nas organizações, inclusive na liderança executiva. “Hoje nós temos visto o que não existia antigamente: são CFOs assumindo a posição de CEO”, observa.

Estima explica que o instituto procura estimular essa evolução por meio de encontros e oportunidades de relacionamento, nos quais executivos compartilham experiências e soluções para desafios comuns. A escolha dos premiados também envolve a participação dos associados, que apresentam indicações posteriormente avaliadas e votadas pela diretoria e pelos conselhos da entidade.

Trajetórias que traduzem desafios empresariais

Os três Destaques IBEF-RS 2026 representam diferentes segmentos da economia e experiências de gestão que vão do planejamento estratégico ao desenvolvimento de novas oportunidades de negócios.

Diego Merino, diretor financeiro e Head of Investor Relations da CMPC no Brasil, possui trajetória internacional em planejamento estratégico, gestão financeira e fusões e aquisições. Com experiência profissional no Chile e no Brasil, também preside o Comitê Estratégico de Finanças da Amcham RS.

No Grupo Santa Lúcia, Tiago Lacassagne Mattos destaca a importância de uma gestão financeira conectada às necessidades operacionais e comerciais das empresas. Com uma trajetória construída em diferentes organizações, o executivo acumulou experiências em contabilidade, gestão e liderança até assumir a posição de CFO e conselheiro consultivo do grupo.

Para Mattos, o papel da área financeira vai além da redução de despesas e envolve oferecer condições para que as demais equipes desenvolvam suas atividades com segurança e eficiência. “O financeiro tem que ser um apoiador para a área comercial e não ser um empecilho, um gargalo”, afirma.

A homenagem também tem significado pessoal. Criado em uma família de origem humilde, o executivo viveu durante 28 anos na Restinga Nova, em Porto Alegre, e considera sua trajetória uma oportunidade de incentivar jovens, especialmente estudantes de escolas públicas, a investir na própria formação.

Já William Dutra, diretor executivo do Grupo Zaffari, acumula mais de três décadas de experiência em finanças, controladoria e governança corporativa. Nos últimos 15 anos na companhia, acompanhou processos de modernização de sistemas, mudanças no mercado e desafios que exigiram adaptação e trabalho conjunto entre diferentes áreas.

Para Dutra, a competitividade do varejo depende da capacidade de acompanhar essas transformações sem perder de vista a qualidade, a confiança e o relacionamento com os clientes. O executivo considera que manter o foco no negócio e compreender as necessidades do consumidor são aspectos fundamentais para preservar a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira das empresas.

Ao comentar a distinção recebida, ele associa o reconhecimento à responsabilidade das lideranças em contribuir para o ambiente empresarial. “É uma linha de chegada, mas também é um ponto de partida”, afirma.

Segurança jurídica também recebe reconhecimento

A homenagem especial à OAB-RS ampliou a discussão da premiação para além da gestão financeira. A entidade foi reconhecida por sua atuação na defesa da justiça, das liberdades individuais e de pautas institucionais relacionadas ao desenvolvimento do Estado.

Segundo Eduardo Estima, a escolha considera a atuação da seccional gaúcha, sob a presidência de Leonardo Lamachia, em debates sobre o aperfeiçoamento do sistema de Justiça e a importância da segurança jurídica para as atividades econômicas.

Para Lamachia, receber uma distinção de uma instituição ligada ao setor financeiro demonstra que determinadas demandas ultrapassam o universo jurídico e alcançam toda a sociedade. Entre elas está a necessidade de previsibilidade para empresas e investidores.

“Nós precisamos do respeito aos contratos, de regras claras e de um Poder Judiciário que uniformize a sua jurisprudência e, portanto, gere segurança jurídica para a população”, afirma o presidente da OAB-RS.

O dirigente ressalta que a entidade atua por meio de comissões temáticas, propostas de aperfeiçoamento da legislação e defesa de melhorias no sistema de Justiça. Na sua avaliação, a estabilidade das regras e o cumprimento dos contratos são condições importantes para estimular investimentos e fortalecer o desenvolvimento econômico.

Criado nacionalmente em 1971 e estabelecido no Rio Grande do Sul em 1988, o IBEF reúne profissionais e lideranças em iniciativas voltadas ao debate sobre mercado, carreira, inovação e gestão. Ao completar 36 edições do Prêmio Equilibrista, a entidade reconhece trajetórias que demonstram como decisões financeiras, capacidade de adaptação e visão estratégica influenciam o futuro das empresas.

Entre histórias profissionais distintas, a premiação evidencia um ponto em comum: a gestão financeira passou a desempenhar um papel que ultrapassa os números e se conecta diretamente à competitividade, à sustentabilidade e ao desenvolvimento dos negócios no Rio Grande do Sul.

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