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Publicada em 27 de Outubro de 2026 às 12:56
A partir de qual idade a mulher deve fazer mamografia? O exame precisa ser repetido todos os anos? E quando a ultrassonografia também é necessária? Embora o Outubro Rosa amplie a conscientização sobre o câncer de mama, dúvidas sobre o rastreamento ainda fazem parte da rotina de muitas mulheres. As respostas envolvem diferentes recomendações, características individuais e uma distinção fundamental: prevenir a doença não é o mesmo que identificá-la precocemente.
A mamografia permanece como o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama, permitindo identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. Segundo a Dra. Fabiana Viola, do Hospital São Lucas da PUCRS, compreender as orientações e manter o acompanhamento adequado são medidas importantes para ampliar as possibilidades de diagnóstico em fases iniciais.
Uma das principais questões está na diferença entre as recomendações adotadas no Brasil. O Ministério da Saúde orienta o rastreamento mamográfico populacional para mulheres de 50 a 74 anos, com periodicidade de dois anos. Já sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Mastologia, defendem o início aos 40 anos, com realização anual até os 74 anos.
A divergência, esclarecida pela Dra. Fabiana, não significa que mulheres com menos de 50 anos estejam impedidas de realizar o exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na faixa dos 40 aos 49 anos, a mamografia pode ser realizada mediante decisão compartilhada com um profissional de saúde, após orientações sobre seus benefícios e possíveis riscos.
O histórico familiar também merece atenção. Mulheres com casos de câncer de mama ou ovário na família, especialmente em parentes próximos ou diagnosticados precocemente, podem precisar de avaliação individualizada. Dependendo do risco, a investigação pode começar antes da faixa etária habitual e incluir outros métodos de imagem.
Na saúde suplementar, uma mudança recente também ampliou o acesso ao exame. Desde 1º de outubro de 2026, a mamografia digital passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde sem restrição de idade ou gênero, desde que exista indicação médica.
Outra dúvida frequente envolve a diferença entre mamografia e ultrassonografia mamária. Embora ambos os exames possam contribuir para a investigação de alterações, eles não possuem exatamente a mesma finalidade.
A mamografia é o método de referência para o rastreamento populacional. A ultrassonografia pode ser indicada como complemento, especialmente diante de determinadas alterações ou em mulheres com mamas densas, conforme avaliação profissional. Isso não significa que os dois exames precisem ser realizados anualmente por todas as mulheres.
A Dra. Fabiana também chama atenção para os receios que podem levar ao adiamento da investigação. A mamografia pode provocar desconforto durante a compressão das mamas, mas a sensação costuma ser passageira e o procedimento é rápido. A especialista ressalta que os métodos de imagem desempenham papel importante na identificação de alterações em estágios iniciais.
“Quanto mais precocemente for o diagnóstico, melhor são as chances de cura”, destaca a médica.
Mesmo com os avanços dos métodos de imagem, conhecer o próprio corpo continua sendo uma medida importante de autocuidado. A percepção de mudanças nas mamas pode contribuir para a busca oportuna por atendimento, mas não substitui os exames de rastreamento.
Entre os sinais que merecem atenção estão o surgimento de nódulos, mudanças no formato das mamas, alterações na aparência da pele ou do mamilo e saída de secreção. Segundo a Dra. Fabiana, essas manifestações devem motivar avaliação médica, independentemente da idade.
A distinção entre prevenção e detecção precoce também precisa estar clara. Hábitos como alimentação equilibrada, atividade física regular, manutenção do peso saudável e redução do consumo de álcool podem contribuir para diminuir o risco de desenvolver câncer de mama. Já os exames de rastreamento buscam identificar alterações suspeitas antes que provoquem sintomas.
Para a especialista do Hospital São Lucas da PUCRS, a principal mensagem do Outubro Rosa é que essa atenção não deve ficar restrita às campanhas de conscientização. Conhecer o próprio corpo, procurar atendimento diante de alterações e manter os exames indicados em dia são cuidados que precisam fazer parte da rotina.
Mais do que cumprir um calendário, cuidar da saúde das mamas envolve compreender os fatores de risco, buscar orientação profissional e reconhecer a importância do diagnóstico precoce. É essa combinação entre informação, hábitos saudáveis e acompanhamento adequado que permite transformar a conscientização em cuidado contínuo.