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Publicada em 13 de Outubro de 2026 às 13:22
A prevenção do câncer de mama não começa na sala de exames. Ela passa pelas escolhas feitas ao longo do ano, pela atenção aos sinais do próprio corpo e pela realização do rastreamento adequado ao perfil de cada mulher. Essa foi uma das principais mensagens da ação de Outubro Rosa promovida pelo Jornal do Comércio, na sexta-feira (9), no Tecnopuc, em Porto Alegre.
A atividade teve como palestrante a oncologista Letícia Rossato, médica do Hospital São Lucas da PUCRS e pesquisadora clínica, que abordou prevenção, autocuidado e diagnóstico precoce. O diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS, Evandro Moraes, também participou do encontro e ressaltou a importância de ampliar a circulação de informações sobre o câncer de mama e manter o tema presente para além do mês de outubro.
Para a Dra. Letícia Rossato, três mensagens precisam permanecer no centro da campanha: hábitos saudáveis podem reduzir o risco de desenvolvimento da doença, a mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento populacional e identificar o câncer em fases iniciais pode modificar de maneira significativa as perspectivas de tratamento.
“Diagnóstico precoce salva vidas. Quanto menor o tamanho do tumor ao diagnóstico, mais chances de cura e tratamentos menos intensos a mulher tende a necessitar”, afirma a oncologista.
Embora fatores como idade e histórico familiar não possam ser modificados, parte do risco está relacionada ao estilo de vida. Alimentação equilibrada, controle do peso corporal, prática regular de atividade física, ausência de tabagismo e redução do consumo de álcool estão entre as medidas apontadas pela especialista.
Segundo ela, a combinação desses cuidados pode ter impacto expressivo sobre a incidência da doença. “São atitudes do nosso dia a dia as que mais nos protegem de ter câncer de mama. Ter uma alimentação equilibrada, controle do peso corporal, praticar exercício físico, não fumar e não ingerir álcool são responsáveis por reduzir a incidência de câncer de mama em até 50% dos casos”, explica.
A prevenção, entretanto, não elimina a necessidade de acompanhamento. Mulheres com histórico familiar da doença podem apresentar risco aumentado e precisam de avaliação profissional para definir quando iniciar o rastreamento e quais exames serão indicados.
A função do rastreamento é justamente encontrar alterações antes que provoquem sintomas ou possam ser percebidas pelo toque. Quanto menor a lesão no momento do diagnóstico, maiores tendem a ser as possibilidades terapêuticas.
A médica explica que a mamografia é recomendada a partir dos 40 anos e pode ser complementada por outros métodos conforme as características individuais. Mulheres com mamas mais densas podem necessitar de ultrassonografia complementar, enquanto a ressonância magnética é utilizada no acompanhamento de pacientes com mutações genéticas conhecidas que elevam o risco de câncer de mama.
“A personalização do rastreio pelo profissional médico, a depender da história familiar e pessoal e das características das mamas, é fundamental para a definição de quais exames serão feitos”, destaca.
Esse olhar individualizado também ajuda a evitar dois extremos: deixar de investigar quem apresenta risco maior ou transformar exames complementares em uma recomendação indistinta para todas as mulheres.
O avanço dos métodos de diagnóstico não elimina a importância de perceber mudanças no corpo. O autoexame pode ajudar a mulher a reconhecer alterações, mas não substitui os exames de rastreamento.
Mudanças no formato das mamas, aparecimento de nódulos, alterações na pele ou na coloração, descamação e saída de secreção pelo mamilo estão entre os sinais que devem motivar avaliação médica.
“Conhecer a sua própria mama, fazer o autoexame, ficar atenta a mudanças e procurar avaliação médica em caso de sintomas segue sendo importantíssimo no diagnóstico precoce. O ponto principal é que isso não substitui a realização dos exames de rastreamento”, explica Letícia Rossato.
Essa diferença é especialmente relevante porque alterações pequenas podem ainda não ser palpáveis. O objetivo do rastreamento é justamente encontrar a doença antes que ela alcance dimensões perceptíveis ao toque.
O receio de descobrir a doença ainda pode levar algumas mulheres a postergar consultas ou exames. Na prática, porém, é justamente a descoberta em fases iniciais que oferece melhores perspectivas.
Segundo Rossato, tumores menores que 2 centímetros podem apresentar chances de cura de até 98%. Além do prognóstico, o tamanho da lesão também pode interferir na intensidade do tratamento.
“Quanto menor o tumor, menos tratamentos são necessários, sendo mais possível a cirurgia conservadora da mama e tratamentos oncológicos menos agressivos, menos sintomas e mais qualidade de vida para essa mulher”, afirma.
A mensagem desloca o foco do medo do diagnóstico para a importância do tempo. Procurar avaliação diante de uma alteração ou manter o rastreamento em dia pode permitir que a doença seja identificada quando as possibilidades de tratamento são maiores.
Ao levar a discussão para dentro do Jornal do Comércio, a ação também chamou atenção para o papel dos ambientes profissionais na promoção da saúde. Para a Dra. Letícia, iniciativas desse tipo não alcançam apenas quem participa presencialmente.
“Informação é cuidado. Quando conscientizamos os colaboradores sobre a importância da prevenção e do rastreamento, estamos atuando na redução da incidência dessa doença. E não estamos atingindo apenas as pessoas desse meio. São os amigos, familiares, cônjuges e toda uma rede de pessoas que se beneficiam indiretamente dessas ações de educação”, ressalta.
Esse efeito multiplicador ajuda a ampliar o significado do Outubro Rosa. Mais do que concentrar informações em um único mês, a campanha pode funcionar como ponto de partida para incorporar prevenção, acompanhamento e autocuidado à rotina.
A mensagem deixada pelo encontro é justamente essa: cuidar da saúde das mamas não deve ser uma atitude restrita a outubro. Informação, hábitos saudáveis, atenção às mudanças do corpo e rastreamento adequado precisam fazer parte de uma estratégia contínua de cuidado.