Quem circula pela Expointer encontra o cooperativismo em diferentes pontos da feira, dos produtos expostos aos negócios realizados durante o evento. Na Casa do Cooperativismo, essa presença ganha um endereço próprio e uma programação pensada para mostrar a dimensão que o modelo alcançou no Rio Grande do Sul. Em 2026, o espaço do Sistema Ocergs coloca as pessoas no centro da experiência e reúne atividades voltadas a negócios, representação, impacto social, liderança e comunicação.
Copromotor da Expointer, o Sistema Ocergs transforma a tradicional Casa do Cooperativismo em um ponto de encontro entre cooperativas, lideranças e visitantes durante a feira. Os números ajudam a dimensionar essa presença: o Rio Grande do Sul reúne 375 cooperativas registradas no Sistema Ocergs e 4,4 milhões de cooperados, o equivalente a mais de um terço da população gaúcha. Juntas, essas organizações faturaram R$ 103 bilhões em 2025, crescimento de 10% em relação ao ano anterior, e alcançaram R$ 6,26 bilhões em sobras. O setor ainda mantém mais de 80,5 mil empregos diretos e está presente em 490 dos 497 municípios do Estado.
É essa abrangência que inspira o conceito levado à Expointer neste ano: “Coop tá em tudo. Tá na Expointer.” Para o presidente do Sistema Ocergs, Darci Pedro Hartmann, a expansão está diretamente relacionada à capacidade de reunir pessoas em torno de objetivos comuns. “O cooperativismo é feito por pessoas. Nós não somos nada além de um grupo de pessoas com um objetivo em comum, com uma proposta coletiva de desenvolvimento e de crescimento”, afirma.
Na Expointer, esse princípio se traduz em três dimensões que orientam a presença do Sistema Ocergs: negócios, representação e pessoas. Mais do que receber cooperados e lideranças, a Casa busca aproximar o movimento da sociedade e criar um ambiente para relacionamento, geração de oportunidades e troca de conhecimento. “A Casa quer mostrar para a sociedade da Grande Porto Alegre, mas também de todo o Estado, o quanto somos importantes, o quanto crescemos e o quanto fazemos bem para as comunidades onde estamos atuando”, destaca Hartmann.
Das comunidades aos negócios
A programação começou com uma demonstração prática dessa relação. O Dia C – Dia de Cooperar reuniu visitantes no sábado (29), com atividades gratuitas de educação financeira, bem-estar, sustentabilidade, cidadania e integração com a comunidade. A iniciativa busca dar visibilidade ao trabalho realizado pelas cooperativas junto às comunidades ao longo de todo o ano, com ações que envolvem bem-estar, educação financeira, sustentabilidade, cidadania e integração social.
Ao longo da Expointer, a agenda avança do impacto social para temas diretamente relacionados à competitividade. O Conexão de Negócios coloca em discussão estratégias comerciais, diferenciação, abertura de mercados e propriedade intelectual. Entre os assuntos está o acordo entre Mercosul e União Europeia e as oportunidades que uma eventual ampliação do acesso ao mercado europeu pode representar para produtos de origem cooperativa.
A diversidade da programação também evidencia que a atuação cooperativista ultrapassa o universo agropecuário. Embora o agro seja o maior ramo em faturamento no Estado, o modelo está presente ainda em crédito, saúde, infraestrutura, transporte, consumo e trabalho e produção de bens e serviços.
“Temos eventos de negócios, encontro das mulheres, encontro dos comunicadores e uma série de atividades em que os diferentes ramos debatem suas questões e seus desafios. A organização está presente nesses processos para que possamos construir desenvolvimento”, explica Hartmann.
Pessoas no centro do movimento
A escolha de destacar rostos e histórias na identidade da Casa em 2026 acompanha uma característica essencial do próprio modelo cooperativista: são os associados que formam, participam e compartilham os resultados das cooperativas.
Essa perspectiva também aparece na agenda dedicada ao protagonismo feminino. O comitê Elas pelo Coop RS reúne lideranças para discutir a participação das mulheres na governança, na gestão e na representação institucional das organizações, com participação de Silvana Parisotto Agostini.
Comunicação, criatividade e construção de marcas completam a programação da semana em um workshop direcionado aos comunicadores das cooperativas. Natalie Ardrizzo, presidente da Termolar, aborda a criatividade como vantagem competitiva; o Steal The Look leva ao encontro discussões sobre influência digital e fortalecimento de marcas; e Tevo Farneda, diretor de criação da HOC – House of Creativity, apresenta tendências observadas no mercado internacional a partir de Cannes.
A combinação dessas agendas reforça a proposta de apresentar o cooperativismo não apenas como um modelo econômico, mas como uma rede formada por pessoas e presente em diferentes setores da sociedade. O crescimento recente dá escala a essa narrativa: além dos R$ 103 bilhões movimentados em 2025, as cooperativas gaúchas registraram avanço de 24% nas sobras, que chegaram a R$ 6,26 bilhões no período.
Para Hartmann, porém, os indicadores econômicos precisam ser entendidos em conjunto com a capacidade de gerar desenvolvimento nas comunidades. “O cooperativismo mostra desenvolvimento econômico e social, profissionalização, competição e acesso ao mercado. E tudo isso é feito por pessoas”, reforça.
É essa combinação que a Casa do Cooperativismo pretende tornar visível durante a Expointer. Entre encontros, produtos de cooperativas, ativações e experiências abertas ao público, o espaço busca aproximar quem já participa do movimento e quem ainda conhece pouco sobre sua dimensão.
“A primeira experiência é o calor humano da cooperação, que a pessoa chegue à Casa e se sinta bem. Depois, queremos mostrar que, além da relação entre as pessoas, o cooperativismo trabalha com excelência e competência em suas ações”, resume Hartmann. Para o presidente do Sistema Ocergs, a mensagem que deve acompanhar o visitante ao deixar o espaço é essencialmente coletiva: menos individualidade e mais capacidade de construir estratégias e desenvolvimento em conjunto.