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Publicada em 31 de Agosto de 2026 às 19:02

Hospital São Lucas conquista Selo Ouro por transparência na mensuração de emissões de carbono

Certificação do Programa Brasileiro GHG Protocol reconhece inventário completo e auditado e coloca dados ambientais no centro das estratégias de redução de emissões

Certificação do Programa Brasileiro GHG Protocol reconhece inventário completo e auditado e coloca dados ambientais no centro das estratégias de redução de emissões

Hospital São Lucas/ Divulgação/ JC
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Os hospitais funcionam 24 horas por dia e dependem de uma infraestrutura intensiva em energia, climatização, refrigeração, geração de emergência e manejo de resíduos. Em uma operação dessa complexidade, conhecer com precisão de onde vêm as emissões de gases de efeito estufa é um passo fundamental para identificar onde é possível reduzir o impacto ambiental. Foi a partir desse processo que o Hospital São Lucas da PUCRS (HSL PUCRS) conquistou o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG), a mais alta classificação concedida pelo programa aos inventários corporativos de emissões.
O reconhecimento, referente ao ano-base de 2025, é destinado a organizações que apresentam inventários completos das emissões dos Escopos 1 e 2 e submetem as informações à verificação de uma terceira parte credenciada. O São Lucas também decidiu incorporar voluntariamente ao levantamento os resíduos gerados em suas operações, uma das categorias previstas no Escopo 3.
Na prática, o inventário transforma diferentes aspectos da rotina hospitalar em dados ambientais mensuráveis. Entre as emissões diretas, foram contabilizadas aquelas relacionadas a geradores e equipamentos fixos e a eventuais vazamentos de gases refrigerantes. Já as indiretas incluem o consumo de energia elétrica adquirida, analisado tanto pela localização quanto pela origem da energia comprada. Como o hospital não possui frota própria, não há emissões de combustão móvel nessa categoria.
Para alcançar a classificação Ouro, as informações passaram por duas instâncias de verificação. Primeiro, o inventário foi auditado em campo pela SGS Brasil, organismo credenciado pelo Inmetro, conforme a norma internacional ISO 14064. Depois, recebeu a validação da equipe técnica do Programa Brasileiro GHG Protocol, vinculada ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), antes de sua publicação no Registro Público de Emissões.
“No cenário nacional, hospitais que publicam inventários completos e verificados por terceira parte ainda são exceção. Ao adotar esse padrão, o São Lucas da PUCRS passa a ocupar posição de referência entre as instituições de saúde brasileiras, oferecendo um modelo de mensuração que pode orientar outros hospitais e sistemas de saúde na estruturação de seus próprios inventários”, destaca Evandro Moraes, diretor-geral do Hospital São Lucas da PUCRS.
Inventário revela onde estão os principais impactos
Além de dimensionar as emissões, o levantamento permite identificar quais componentes da operação concentram maior impacto e onde estão as oportunidades de atuação. Um dos exemplos está no consumo de energia. Entre maio e dezembro de 2025, o hospital adquiriu 16.283,25 MWh de energia de fonte eólica, o que contribuiu para que as emissões associadas à eletricidade fossem menores na metodologia que considera a origem da energia comprada.
Os resíduos também ganharam destaque no diagnóstico. Embora sua inclusão no Escopo 3 seja voluntária, o São Lucas optou por incorporá-los ao inventário, e a categoria apareceu como a maior parcela isolada entre as emissões mapeadas. O resultado evidencia que o manejo de resíduos hospitalares possui uma dimensão ambiental que se soma às exigências sanitárias já associadas a esse tipo de operação.
Outra frente identificada envolve os gases refrigerantes utilizados nos sistemas de climatização e refrigeração. Vazamentos desses componentes respondem por parcela relevante das emissões diretas mapeadas, fazendo do monitoramento e da eficiência desses sistemas pontos importantes para orientar futuras ações ambientais.
A consolidação desses dados também cria uma referência para acompanhar a evolução dos indicadores ao longo dos próximos inventários. Com uma base mensurável, torna-se possível comparar resultados, aperfeiçoar processos e avaliar os efeitos das medidas adotadas para reduzir emissões.
Para Andrea Bandeira, pró-reitora de Saúde da PUCRS, o inventário integra uma trajetória de aprimoramento contínuo e contribui para projetar a Universidade e o Hospital como referências em sustentabilidade nos ecossistemas de saúde e de educação superior no Brasil.
Sustentabilidade em uma operação de alta complexidade
Mensurar emissões em um hospital envolve particularidades de uma estrutura que não pode interromper suas atividades. UTIs, centros cirúrgicos, serviços de diagnóstico, climatização, refrigeração e sistemas de suporte precisam permanecer disponíveis continuamente, enquanto diferentes categorias de resíduos exigem processos específicos de armazenamento, transporte e destinação.
Nesse contexto, a obtenção do Selo Ouro não significa ausência de emissões, mas reconhece a capacidade de identificá-las de maneira abrangente, transparente e submetida à verificação independente. É a partir desse diagnóstico que a instituição passa a ter uma base técnica mais precisa para estabelecer prioridades e acompanhar resultados.
A certificação também se conecta a uma estratégia mais ampla da PUCRS, que igualmente possui classificação Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol. A inclusão do Hospital São Lucas nesse padrão amplia a aplicação da agenda de sustentabilidade para a principal estrutura assistencial da Universidade e aproxima ensino, pesquisa, assistência e gestão ambiental.
Para o São Lucas, o inventário estabelece, portanto, mais do que um retrato das emissões de 2025. Ao mostrar quanto a operação emite e onde estão seus principais impactos, o levantamento fornece informações para orientar decisões e acompanhar, nos próximos anos, a evolução da gestão ambiental de uma estrutura hospitalar de alta complexidade.

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