A transição energética no transporte de cargas no Rio Grande do Sul avança como uma alternativa concreta para empresas que buscam eficiência e redução de custos. Esse foi o foco do workshop “GNV para frotas pesadas – transforme energia em vantagem competitiva”, promovido pela Sulgás, que reuniu representantes do setor nesta quarta-feira (6) para discutir o uso do gás natural veicular e do biometano como soluções já aplicáveis à operação logística.
Segundo o gerente de estratégia e expansão da Sulgás, Charles Netto, o principal objetivo da iniciativa é acelerar a migração do diesel para alternativas mais sustentáveis e competitivas. “Estamos divulgando tecnologias de veículos pesados a gás natural e demonstrando benefícios que são ambientais e econômicos para o Estado e para a sociedade”, afirma.
O encontro, realizado na sede do SETCERGS, em Porto Alegre, destacou que, além dos ganhos ambientais, a adoção do GNV como combustível tem impacto direto na previsibilidade de custos e na competitividade das transportadoras. A pauta ganha relevância em um cenário de pressão sobre os preços dos combustíveis tradicionais e de busca por maior eficiência operacional.
Para a Sulgás, o Rio Grande do Sul possui grande potencial para uso do gás natural e do biometano no transporte pesado. "Para isso, precisamos fortalecer parcerias com transportadores, revendedores e avançar na infraestrutura de abastecimento”, explica Netto.
Entre as iniciativas apresentadas pela Sulgás, o projeto Corredores Verdes foi apontado como um dos principais vetores dessa transformação. A proposta amplia a infraestrutura de abastecimento para veículos pesados no Estado, com a instalação de bicos de alta vazão que reduzem o tempo de abastecimento para cerca de 12 a 15 minutos, aumentando a eficiência das rotas e a viabilidade operacional.
Atualmente, o Rio Grande do Sul conta com seis pontos de abastecimento adaptados, além de bases próprias de transportadoras, e a previsão é de expansão para 14 unidades até o final de 2026. A estratégia inclui a interiorização da rede, com novos pontos previstos em regiões como Passo Fundo, Santa Maria e Pelotas, ampliando a segurança logística para quem investe na tecnologia.
Na prática, os ganhos vão além da infraestrutura. Do ponto de vista ambiental, caminhões movidos a gás natural e biometano podem reduzir em até 99% a emissão de material particulado, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar. No campo econômico, o combustível apresenta maior competitividade e maior previsibilidade de gastos, fator essencial para empresas que operam grandes frotas e precisam planejar investimentos, contratos e expansão.
A percepção de quem já opera com a tecnologia confirma esse cenário. A Reiter Log, considerada hoje uma das líderes nacionais no uso de gás e biometano no transporte pesado, já contabiliza 248 veículos nesse modelo. De acordo com o diretor Vinícius Pilz, a parceria com a Sulgás tem sido decisiva para viabilizar a operação. “Estamos muito satisfeitos. Conseguimos estruturar projetos de infraestrutura tanto nas nossas garagens quanto em pontos externos, criando corredores sustentáveis que tornam a logística mais descarbonizada”, afirma.
Segundo ele, além dos ganhos ambientais, a adoção da tecnologia tem proporcionado resultados consistentes em segurança energética e inovação operacional, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde a empresa concentra suas operações.
Ao reunir diferentes perspectivas em um mesmo ambiente, o workshop evidenciou que a transição energética no transporte de cargas já deixou de ser uma projeção de futuro. Com base em viabilidade econômica, evolução tecnológica e articulação entre agentes públicos e privados, o gás natural e o biometano passam a ocupar um espaço estratégico na matriz logística do Estado.