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Publicada em 31 de Março de 2026 às 11:54

A virada do saneamento gaúcho: o que mudou e o que ainda precisa acontecer até 2033

Estado acelera obras de água e esgoto, amplia cobertura e enfrenta o desafio histórico de universalizar o serviço em menos de uma década

Estado acelera obras de água e esgoto, amplia cobertura e enfrenta o desafio histórico de universalizar o serviço em menos de uma década

CORSAN/ Divulgação/ JC
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Depois de décadas de atraso estrutural, o Rio Grande do Sul virou um laboratório avançado de expansão do saneamento básico. Com um ciclo intensivo de investimentos e obras em andamento em diversas regiões, o Estado avança na ampliação da cobertura de água e esgoto e começa a reduzir importantes passivos ambientais e sociais. A meta é ambiciosa: alcançar a universalização até 2033, em linha com o Marco Legal do setor, o que exige ritmo acelerado de execução, ganho de eficiência operacional e coordenação com municípios e órgãos reguladores.
O Rio Grande do Sul vive o maior ciclo de obras de saneamento de sua história. Para 2026, a Corsan prevê a implantação de mais 1.741 quilômetros de novas redes de esgoto, extensão semelhante à distância entre Porto Alegre e Salvador, além de 155.836 novas ligações de esgotamento sanitário. O conjunto de obras deste ano ampliará o acesso ao saneamento para cerca de 955 mil gaúchos e evitará que o equivalente a 7,2 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento seja lançado na natureza.
O cronograma também prevê a geração de mais de 7,3 mil empregos, número próximo ao de todo o mercado de trabalho de um município do porte de Tapejara.
O avanço ocorre após um ciclo expressivo de entregas em 2025. No último ano, a Companhia investiu quase R$ 2 bilhões, sendo metade destinada à expansão dos sistemas de saneamento. Foram implantados 545,6 quilômetros de redes de esgoto, extensão equivalente à distância entre Porto Alegre e Florianópolis, e realizadas 41.962 novas ligações, beneficiando diretamente mais de 1 milhão de pessoas em diversas regiões do Estado.
Esses investimentos fazem parte do plano de aceleração de obras que busca atingir as metas do marco legal do setor, que prevê 99% da população com acesso à água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
A implantação dessa infraestrutura ocorre, muitas vezes, em cidades já consolidadas. Por isso, as obras podem provocar transtornos temporários, como abertura de vias, intervenções no trânsito e ajustes na circulação de pedestres. Ainda assim, os efeitos da ausência desses investimentos são muito mais graves e duradouros.
Sem a expansão dos sistemas de saneamento, as cidades tendem a enfrentar maior incidência de doenças de veiculação hídrica, sobrecarga no sistema de saúde, lançamento contínuo de esgoto sem tratamento em rios e córregos, degradação ambiental, perda de qualidade da água e redução da atratividade para novos investimentos. A falta de infraestrutura também limita o crescimento urbano, afeta o turismo e reduz o potencial de desenvolvimento econômico regional.
Quando as obras são concluídas, os benefícios tornam-se permanentes. Municípios que avançam na cobertura de saneamento registram melhora nos indicadores de saúde pública, valorização imobiliária, atração de novos empreendimentos e maior qualidade ambiental. O impacto também se reflete na economia: estimativas indicam que o atual ciclo de investimentos pode gerar 47,2 mil empregos por ano no Estado, considerando postos diretos, indiretos e induzidos.
Ao ampliar redes, construir estações de tratamento e modernizar sistemas de abastecimento, o Estado inicia uma transformação estrutural que reposiciona o saneamento como infraestrutura essencial para a qualidade de vida, a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul.
Além dos investimentos em infraestrutura, a expansão do saneamento também depende de responsabilidade compartilhada entre diferentes atores da sociedade. Enquanto o poder público atua na gestão dos resíduos sólidos e na drenagem urbana, a Corsan amplia redes, executa novas obras e opera com eficiência os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A população, por sua vez, tem papel decisivo ao realizar a conexão dos imóveis às redes disponíveis e utilizar corretamente os sistemas. Essa cooperação entre gestão pública, operação técnica e participação dos cidadãos é fundamental para garantir que os benefícios do saneamento se consolidem de forma duradoura nas cidades e no meio ambiente.

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