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Publicada em 08 de Março de 2024 às 19:25

Setor de máquinas e implementos agrícolas celebra resultados na Expodireto 2024

Bier projeta um primeiro semestre difícil para o segmento

Bier projeta um primeiro semestre difícil para o segmento

TÂNIA MEINERZ/JC
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Nícolas Pasinato
Nícolas Pasinato
As taxas de crédito mais baixas e os estoques de grãos de produtores mais abastecidos na comparação com o ano passado contribuíram para que o setor de máquinas e implementos agrícolas tivesse um bom volume de negócios durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal deste ano. Esta é a visão do presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas, Claudio Bier. Em entrevista ao Jornal do Comércio concedida na quinta-feira, ele falou, entre outras coisas, sobre a importância da feira para o setor e fez projeções não tão animadoras para o segmento de máquinas agrícolas este ano. Jornal do Comércio - Qual o balanço até agora da Expodireto 2024 para o setor de máquinas e implementos agrícolas? Claudio Bier - Neste ano, tivemos alguns empecilhos, como a chuva no primeiro dia, que espantou um pouco o público e depois com a visita do (ex-presidente Jair) Bolsonaro que acabou tumultuando um pouco o foco das negociações. Na quarta e quinta-feira tivemos dias bons e, pela conversa que tive com algumas indústrias, o clima era, principalmente, de otimismo. JC - Como observa a questão dos financiamentos oferecidos na feira neste ano. Estão melhores em relação ao ano passado? Bier - Sim. Este ano os juros estão um pouco ‘mais educados’, o que nos favorece. Outro fator positivo é que, em 2023, o preço das commodities agrícolas estava muito bom, mas o produtor não tinha soja, não tinha milho. Neste ano, o preço não está tão convidativo, mas o produtor tem produto para vender, o que é uma diferença positiva.JC - Como descreveria a importância deste evento para o setor de máquinas e implementos agrícolas do Estado? Bier - A importância é gigantesca. A feira conta com uma organização estupenda. Tudo que é feito pelo (presidente da Expodireto Cotrijal) Nei Manica e pela sua equipe é irretocável. A Expodireto e a Expointer se equivalem em tamanho. Cada uma com o seu estilo, sendo uma mais voltada aos negócios e a outra mais festiva. São duas grandes ferramentas de vendas para as nossas máquinas agrícolas.JC - É possível mensurar o volume de negócios que acaba tendo início na feira, mas é concretizado no pós-evento? Bier - Mensurar é difícil. O que eu posso dizer é que há muitos negócios que são levantados na feira e são fechados depois através dos nossos revendedores ou da indústria. JC - A fabricação de máquinas e implementos agrícolas do Estado fechou o ano de 2023 com recuo de 15%. Qual a projeção para este ano? Bier - Ano passado nós tivemos um ano abaixo, porque, em 2022, a régua foi muito alta. Então era difícil de que em 2023 alcançássemos o mesmo patamar. Este ano o cenário está se desenhando mais ou menos parecido, principalmente para as indústrias. O que acontece é que as nossas revendas, em função de terem passado por um período de muita dificuldade para conseguir máquinas, foram estocando. Tanto tratores quanto colheitadeiras e demais implementos. Com isso, este ano eles estão, primeiro, ‘desovando’ os seus estoques para depois voltar a comprar. Por isso, é um ano que se desenha difícil para as indústrias de máquinas agrícolas, principalmente no primeiro semestre. Haja vista que a própria John Deere parou por 60 dias a produção no Estado e há outras indústrias que podem ter o mesmo rumo.JC – Como observa algumas ações do governo federal como o lançamento de uma nova política industrial e a sinalização de que irá estimular a produção e a aquisição de máquinas e implementos agrícolas para a agricultura familiar? Bier – Vejo essas duas ações como muito positivas, especialmente para o nosso setor. Nos reunimos recentemente com o ministro (de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Paulo Teixeira, e pedi para que nossos revendedores e fabricantes mostrassem para ele nossas máquinas e a nossa capacidade de atender a demanda dos pequenos produtores e do programa Mais Alimentos, porque havia rumores que o Brasil iria importar esses equipamentos da China. JC – Vocês estão dialogando com o governo estadual para buscar reverter o corte de benefícios fiscais que devem atingir o setor de máquinas agrícolas a partir de 1° de abril? Bier - Sim. Estamos, na verdade, esperando a hora de sermos chamados pelo governo gaúcho, porque ele está negociando setor por setor. Não está negociando em bloco. Estamos então no aguardo para vermos de que forma podemos resolver isso. O ponto chave aqui é o diálogo para que as coisas aconteçam da melhor maneira possível.
As taxas de crédito mais baixas e os estoques de grãos de produtores mais abastecidos na comparação com o ano passado contribuíram para que o setor de máquinas e implementos agrícolas tivesse um bom volume de negócios durante os cinco dias da Expodireto Cotrijal deste ano. Esta é a visão do presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas, Claudio Bier. Em entrevista ao Jornal do Comércio concedida na quinta-feira, ele falou, entre outras coisas, sobre a importância da feira para o setor e fez projeções não tão animadoras para o segmento de máquinas agrícolas este ano.

Jornal do Comércio - Qual o balanço até agora da Expodireto 2024 para o setor de máquinas e implementos agrícolas?

Claudio Bier - Neste ano, tivemos alguns empecilhos, como a chuva no primeiro dia, que espantou um pouco o público e depois com a visita do (ex-presidente Jair) Bolsonaro que acabou tumultuando um pouco o foco das negociações. Na quarta e quinta-feira tivemos dias bons e, pela conversa que tive com algumas indústrias, o clima era, principalmente, de otimismo.

JC - Como observa a questão dos financiamentos oferecidos na feira neste ano. Estão melhores em relação ao ano passado?

Bier - Sim. Este ano os juros estão um pouco ‘mais educados’, o que nos favorece. Outro fator positivo é que, em 2023, o preço das commodities agrícolas estava muito bom, mas o produtor não tinha soja, não tinha milho. Neste ano, o preço não está tão convidativo, mas o produtor tem produto para vender, o que é uma diferença positiva.

JC - Como descreveria a importância deste evento para o setor de máquinas e implementos agrícolas do Estado?

Bier - A importância é gigantesca. A feira conta com uma organização estupenda. Tudo que é feito pelo (presidente da Expodireto Cotrijal) Nei Manica e pela sua equipe é irretocável. A Expodireto e a Expointer se equivalem em tamanho. Cada uma com o seu estilo, sendo uma mais voltada aos negócios e a outra mais festiva. São duas grandes ferramentas de vendas para as nossas máquinas agrícolas.

JC - É possível mensurar o volume de negócios que acaba tendo início na feira, mas é concretizado no pós-evento?

Bier - Mensurar é difícil. O que eu posso dizer é que há muitos negócios que são levantados na feira e são fechados depois através dos nossos revendedores ou da indústria.

JC - A fabricação de máquinas e implementos agrícolas do Estado fechou o ano de 2023 com recuo de 15%. Qual a projeção para este ano?

Bier - Ano passado nós tivemos um ano abaixo, porque, em 2022, a régua foi muito alta. Então era difícil de que em 2023 alcançássemos o mesmo patamar. Este ano o cenário está se desenhando mais ou menos parecido, principalmente para as indústrias. O que acontece é que as nossas revendas, em função de terem passado por um período de muita dificuldade para conseguir máquinas, foram estocando. Tanto tratores quanto colheitadeiras e demais implementos. Com isso, este ano eles estão, primeiro, ‘desovando’ os seus estoques para depois voltar a comprar. Por isso, é um ano que se desenha difícil para as indústrias de máquinas agrícolas, principalmente no primeiro semestre. Haja vista que a própria John Deere parou por 60 dias a produção no Estado e há outras indústrias que podem ter o mesmo rumo.

JC – Como observa algumas ações do governo federal como o lançamento de uma nova política industrial e a sinalização de que irá estimular a produção e a aquisição de máquinas e implementos agrícolas para a agricultura familiar?

Bier – Vejo essas duas ações como muito positivas, especialmente para o nosso setor. Nos reunimos recentemente com o ministro (de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), Paulo Teixeira, e pedi para que nossos revendedores e fabricantes mostrassem para ele nossas máquinas e a nossa capacidade de atender a demanda dos pequenos produtores e do programa Mais Alimentos, porque havia rumores que o Brasil iria importar esses equipamentos da China.

JC – Vocês estão dialogando com o governo estadual para buscar reverter o corte de benefícios fiscais que devem atingir o setor de máquinas agrícolas a partir de 1° de abril?

Bier - Sim. Estamos, na verdade, esperando a hora de sermos chamados pelo governo gaúcho, porque ele está negociando setor por setor. Não está negociando em bloco. Estamos então no aguardo para vermos de que forma podemos resolver isso. O ponto chave aqui é o diálogo para que as coisas aconteçam da melhor maneira possível.

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