Se a expansão das faculdades coloca em evidência a estrutura física e pedagógica do ensino, o avanço tecnológico acrescenta uma nova dimensão ao debate. Ferramentas de inteligência artificial, simuladores, plataformas digitais e tecnologias utilizadas em procedimentos médicos podem ampliar as possibilidades de aprendizagem e aproximar os estudantes de situações que encontrarão no exercício da profissão. Adami considera que o futuro médico precisa desenvolver competências que vão além do domínio técnico da Medicina.
Para explicar essa necessidade, utiliza o conceito de formação em “T”: a haste vertical representa o conhecimento aprofundado em sua área, enquanto a barra horizontal corresponde a habilidades e competências transversais. Na parte vertical estão a formação clínica, o domínio de procedimentos, a capacidade de interpretar informações e a preparação para o aprofundamento profissional por meio de especializações e residências médicas. A base precisa ser sólida para que o médico compreenda os problemas de saúde e consiga avaliar criticamente as informações disponíveis.
“A dimensão horizontal abrange competências como comunicação, empatia e liderança, além de conhecimentos em pesquisa, gestão, análise de dados e inteligência artificial. Essas áreas ganham importância em um sistema de saúde cada vez mais digitalizado, no qual o profissional precisa interpretar informações provenientes de diferentes fontes e trabalhar em equipes multidisciplinares”.
A tecnologia pode contribuir para acelerar tarefas, organizar dados e apoiar determinadas etapas do trabalho médico. Sistemas digitais também podem ajudar na preparação de conteúdos, no estudo de casos e na compreensão de processos complexos. Em ambientes acadêmicos, recursos de simulação permitem treinar procedimentos e tomar decisões em cenários controlados, antes do contato com situações reais.
Essas possibilidades, porém, exigem planejamento pedagógico. Não basta adquirir equipamentos ou contratar plataformas: é preciso definir quais competências serão desenvolvidas, como as ferramentas serão incorporadas ao currículo e de que maneira os resultados da aprendizagem serão avaliados. Para Adami, a maior disponibilidade de informação não diminui a necessidade de estudar. Ao contrário, exige que o estudante aprenda a selecionar conteúdos confiáveis, identificar limitações e verificar se as respostas obtidas são compatíveis com o conhecimento científico.
“A inteligência artificial já é algo muito natural nas nossas vidas, mas ela é tão somente um acessório”, afirma.