O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico Simecs), Ubiratã Rezler, estima algo como 5 mil vagas em aberto na região de abrangência da entidade, número que tem se mantido ao longo dos anos em razão da grande rotatividade. Um dos pontos cruciais, na sua avaliação, é o baixo engajamento das novas gerações, diferentemente de trabalhadores com mais experiência.
O dirigente destaca que o problema é mais crítico nas médias e pequenas empresas, onde o crescimento na carreira é mais difícil, além de a maioria ser familiar. Ainda que em menor escala, as grandes organizações também se ressentem de carência de pessoal. "É uma preocupação muito grande e pode comprometer a expansão do setor", indica. De acordo com Rezler, as empresas têm feito várias ações, inclusive incentivando seus próprios funcionários a auxiliarem nas contratações com a contrapartida de benefícios. Outras saídas são intensificar a busca por pessoas com mais idade, acima dos 50 anos, e contratar mais imigrantes, cujo número têm crescido.
O Simecs, por sua vez, investiu no programa Escola do Manhã, em parceria com a Prefeitura de Caxias, para formar jovens da rede municipal com idades entre 14 e 16 anos no curso de robótica e protótipos mecatrônicos, com duração de 120 horas. Iniciado no ao passado, o curso, em 2025, teve a abrangência ampliada para 12 munícipios da Serra, com expectativa de atender 1.500 alunos dos últimos anos do ensino fundamental e ensino médio da rede pública estadual.
A entidade também defende mudanças em legislação que proíbe o jovem com menos 18 anos de trabalhar em ambientes considerados insalubres. Rezler entende ser possível criar mecanismos para neutralizar esta situação, como uso de equipamentos de segurança e jornada reduzida. "Sem este jovem vejo um futuro cada vez mais difícil para a indústria", alerta.
Em Caxias do Sul, as escolas do Senai sempre foram as principais formadoras de mão de obra para o setor. Ainda que siga relevante, atendendo gratuitamente um grande número de estudantes em situação de vulnerabilidade, a entidade se depara com a falta de interessados para vários cursos oferecidos. "É uma ferramenta importante, mas pode-se discutir se está no caminho certo diante das mudanças do perfil do jovem", ressalta.
Rezler também alerta para a necessidade de uma visão pública mais adequada na criação de atrativos que retenham os trabalhadores e as empresas na cidade. "É preciso criar um ambiente mais saudável, que a comunidade seja atrativa e acolhedora para quem vem de fora e quem já está aqui. Perde-se muita gente por falta de atrativos", comenta.