O setor de transformação de plástico no Rio Grande do Sul está enfrentando um enorme desafio nos últimos anos, admite o presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Alfredo Schmitt. Segundo o dirigente, um dos principais motivos para esse cenário são os reflexos da operação da Zona Franca de Manaus.
Schmitt salienta que aquela região do Brasil possui benefícios tributários que foram recentemente prorrogados por 50 anos. O presidente do Sinplast-RS enfatiza que essa condição faz com que matérias-primas que entram por lá tenham um enorme diferencial de competitividade. "E isso afeta diretamente as indústrias do Rio Grande do Sul", alerta o dirigente.
Conforme Schmitt, uma das questões que mais impacta os transformadores que não contam com os benefícios da Zona Franca de Manaus é o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 15% sobre as embalagens flexíveis. Ele adianta que tanto as empresas do setor no Estado como o governo gaúcho estão estudando caminhos para atenuar esse panorama.
O representante do Sinplast-RS diz que o poder público local tem sido parceiro com programas de apoio para aumentar o consumo e transformação de plástico no Rio Grande do Sul, mas "a gente precisa fazer mais". Schmitt ressalta que é um problema que atinge também outros estados brasileiros. "Tem gente que não está mais produzindo nada e só está comprando embalagens flexíveis em Manaus", adverte.
O diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, João Luiz Zuñeda, concorda que a perda de competitividade de companhias do segmento gaúcho de plástico vem sendo agravada com os incentivos concedidos na Zona Franca de Manaus. Ele considera que esse é um dos fatores que fez com que o Polo Petroquímico de Triunfo não tivesse, nos últimos anos, uma expansão de maior porte.
"Mesmo que tenham pequenas ampliações, o eteno verde (feito do etanol) e a Braskem desgargalando alguma coisa, um ou outro investimento, mas os grandes aportes não aconteceram no Sul", aponta o especialista. O futuro do Polo de Triunfo, antecipa Zuñeda, dependerá muito das decisões que a Braskem, principal companhia do complexo, adotará.
"Só vai acabar tendo uma luz que sinaliza que esse túnel vai chegar a algum lugar a partir do momento que a gente ver claramente o que vai acontecer com a Braskem", diz o consultor. A empresa há algum tempo está envolvida em tratativas de venda, porém ainda não se chegou a uma definição sobre essa movimentação. Quando essa questão for resolvida, o diretor da MaxiQuim prevê que pode ser destravado um novo ciclo de investimento.
O diretor industrial da Braskem no Rio Grande do Sul, Nelzo Silva, salienta que, atualmente, assim como em todo o mundo, o panorama é de desafios, reflexo de um movimento global de ciclo de baixa da petroquímica, que ampliou a capacidade de produção mundial sem que a demanda acompanhasse essa evolução. "Esse cenário é agravado aqui por conta do aumento das importações de resinas termoplásticas, em especial pela Zona Franca de Manaus, prejudicando a competitividade da indústria nacional", conclui Silva.