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Coronavirus

- Publicada em 29 de Dezembro de 2021 às 14:54

2021: o ano em que a pandemia mostrou sua força e a esperança da vacina chegou

Vacinação no Brasil teve início no dia 17 de janeiro e, no RS, no dia seguinte

Vacinação no Brasil teve início no dia 17 de janeiro e, no RS, no dia seguinte


ANDRESSA PUFAL/JC
Juliano Tatsch
Quando o fim do ano de 2020 se aproximava, uma das principais questões que se fazia era sobre se a pandemia do novo coronavírus teria uma segunda onda e como ela seria, se mais forte ou mais fraca do que a primeira. A maioria dos cientistas estudiosos da área apontava como provável a chegada de uma nova onda, mas não se sabia como ela iria agir. As projeções eram muito vagas. Pois, em 2021, ela não apenas veio, como também veio com muita força. A ciência, porém, já tinha suas armas para combater o vírus: a vacina.
Quando o fim do ano de 2020 se aproximava, uma das principais questões que se fazia era sobre se a pandemia do novo coronavírus teria uma segunda onda e como ela seria, se mais forte ou mais fraca do que a primeira. A maioria dos cientistas estudiosos da área apontava como provável a chegada de uma nova onda, mas não se sabia como ela iria agir. As projeções eram muito vagas. Pois, em 2021, ela não apenas veio, como também veio com muita força. A ciência, porém, já tinha suas armas para combater o vírus: a vacina.
Confira abaixo os acontecimentos que mais marcaram a pandemia no ano que se encaminha para o final:
A chegada da vacina
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Enfermeira Mônica Calazans foi a primeira pessoa vacinada no Brasil (Nelson Almeida/AFP/JC)
Enquanto pessoas morriam por uma doença que já tinha vacina disponível a mais de mês no mundo todo, no Brasil, um embate entre um presidente e um ministro da Saúde que não queriam vacinar a população e apostavam em remédios sem eficácia contra a Covid-19 e um governador que investiu seu capital político na produção e aplicação dos imunizantes marcou o começo de 2021 no Brasil. De um lado estavam Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello, defensores da cloroquina e detratores da vacina. De outro, João Dória, ex-apoiador do presidente que se tornou um dos seus principais opositores. Agindo contrariamente às orientações da cúpula do governo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, em 17 de janeiro, o uso emergencial do imunizante Coronavac, desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e que passou a ser produzido no Brasil pelo Instituto Butantan, e da vacina da AstraZeneca, que foi produzido no Brasil pela Fiocruz. No mesmo dia, a primeira pessoa a ser vacinada no Brasil contra o novo coronavírus recebeu o imunizante: a enfermeira paulista Mônica Calazans. No dia seguinte, as primeiras doses chegaram ao Rio Grande do Sul, e os cinco primeiros gaúchos a receberem a tão aguardada vacina foram imunizados.
A fase mais mortal da crise
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Hospitais, como o de Clínicas de Porto Alegre, viram suas UTIs lotarem de pacientes (Silvio Avila/HCPA/Divulgação/JC)
Se a vacina tivesse chegado um mês, 20 dias ou até 15 dias antes, vidas teriam sido poupadas no momento em que a pandemia se fortaleceu, o vírus se espalhou e se tornou mais mortal. A partir do início do mês de fevereiro, o Rio Grande do Sul viu a curva de contaminações e óbitos subir rapidamente e de forma acentuada: a pandemia chega em seu momento mais crítico. No início de março, o Estado teve uma sequência de dias com cerca de 10 mil novos casos a cada 24h - no dia 1º de março, foram 14.952 novas infecções confirmadas. A explosão de casos veio acompanhada, na sequência, do pico de mortes causadas pela doença. No dia 16 de março, o RS registrou oficialmente 502 mortes por Covid-19. Os hospitais lotados e a pandemia em descontrole, porém, não foram suficientes para fazer o governador e os prefeitos a decretarem o fechamento total (lockdown). Com a chegada do mês de abril, a situação começou a melhor, com os indicadores caindo paulatinamente, reduzindo a pressão sobre as UTIs hospitalares e apontando para ume direção menos sombria: a vacina começava a mostrar seus efeitos.
O descrédito no distanciamento controlado e a volta obrigatória das aulas
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De menina dos olhos ao descrédito, modelo de gestão da pandemia foi abandonado pelo governo (Reprodução/JC)
O mês de abril também marcou o fim da menina dos olhos do governador Eduardo Leite. O sistema de distanciamento controlado era o orgulho do governo gaúcho. Apresentado como um modelo baseado em indicadores e que conseguia equilibrar bem as necessidades sanitárias com os desejos econômicos, o sistema chegou a ser apresentado como modelo para o resto do país. No entanto, com o passar do tempo e sem a pandemia dar sinais de que estava se encaminhando par ao final, o modelo foi se enfraquecendo, principalmente em razão das pressões de setores da economia. A pá de cal veio quando o governador fincou o pé na obrigatoriedade do retorno presencial das aulas no Rio Grande do Sul. O desejo do governador havia sido barrado pela Justiça, visto que o Estado vivia sob a bandeira preta no distanciamento controlado. Para driblar a proibição, o governo mudou critérios, estabeleceu a bandeira vermelha após nove semanas seguidas de bandeira preta e deu fim ao sistema, possibilitando o retorno presencial das aulas nas escolas que assim desejassem. No dia 10 de maio, um novo modelo, muito mais brando e maleável, entrou em vigor.
A expansão da vacinação para todos os públicos e a volta das torcidas aos estádios
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Retorno da ocupação dos estádios foi teste-chave para a gestão da pandemia (Ricardo Duarte/Inter/JC)
No final de maio, o Ministério da Saúde autorizou o início da vacinação para a população em geral em ordem decrescente de idade. A dificuldade principal enfrentada era a falta de doses suficientes, que iam chegando a conta gotas, prolongando o processo de vacinação. Os resultados da imunização dos idosos, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades, porém, já eram muito positivos, com um vislumbre de controle da pandemia sendo visto, e números de internações e óbitos dos grupos já vacinados em queda. No dia 4 de junho, Porto Alegre começou a vacinar mulheres com 59 anos de idade e sem doenças prévias, dando início a imunização do público fora dos grupos prioritários. A vacinação prosseguiu atingindo pessoas com idade cada vez menores, às vezes avançando com mais celeridade, às vezes, andando mais lentamente, dependendo da quantidade de doses enviadas pelo governo federal. Com a ampliação do público imunizado, as pressões para o retorno a um estado mais próximo da normalidade cresciam. Assim, em 3 de setembro, o governo do RS autorizou o retorno das torcidas aos estádios de futebol gaúchos. Gente próxima, a maioria sem manter a máscara no rosto, se abraçando, gritando. Este seria um forte teste para os gestores públicos sobre os impactos de suas ações em meio à crise sanitária.
O esvaziamento dos hospitais
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Vacinação maciça impactou diretamente na ocupação hospitaliar (Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini/JC)
O último trimestre de 2021 trouxe consigo uma ótima notícia: a significativa redução no número de pacientes internados em hospitais em razão do novo coronavírus. O Rio Grande do Sul, que chegou a ter 2.626 pessoas hospitalizadas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) por causa da doença em 18 de março, tinha 389 sete meses depois, em 18 de novembro. Passado mais um mês, em 18 de dezembro, o número havia caído para 215 internados. Nesta quarta-feira (29), são 154 pessoas internadas em UTIs nos hospitais gaúchos com diagnóstico confirmado para a Covid-19. Em 12 de março, eram 5.435 pessoas no Estado hospitalizadas em enfermarias com a doença necessitando de atendimento. Em 12 de novembro, eram 379 internados, número que caiu para 197 em 12 de dezembro e para 156 nesta quarta-feira.
A variante Ômicron e a vacinação para crianças
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Risco ainda desconhecido da nova mutação mantém os governos em alerta (Justin Tallis/AFP/JC)
Ainda que os indicadores apontem para um fim cada vez mais próximo da pandemia, a chegada do fim do ano veio com um uma nova preocupação: a variante Ômicron. Com uma capacidade de transmissão muito mais rápida do que a variande Delta, a nova mutanção do vírus Sars-Cov-2, ao que mostram as primeiras análises, produz, de modo geral, uma infecção mais branda. No entanto, como ainda se sabe pouco a respeito da eficácia das vacinas em relação a ela, medidas de contenção foram mantidas. Uma delas é a suspensão das festas de Réveillon em algumas cidades. Em Porto Alegre, por exemplo, a comemoração seria realizada na orla do Guaíba em homenagem aos 250 anos da capital, a ser comemorado em 2022. No entanto, a celebração foi cancelada pela prefeitura, visto que a Ômicron já tem transmissão comunitária na Capital (quando não se sabe a origem da infecção). Junto com a nova preocupação, uma nova discussão desnecessária atrasa o início da imunização de crianças no Brasil. No dia 16 de dezembro, a Anvisa autorizou a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos de idade. A vacina a ser aplicada nas crianças é de uma dose menor e possui características diferentes daquela que os adultos recebem, tendo sido desenvolvida especificamente para os pequenos. Enquanto outros países já realizam a imunização, o Brasil segue parado, com o governo federal, mais uma vez, criando óbices para a aplicação, dizendo que seria necessária uma prescrição médica para que a criança pudesse ser imunizada. No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) já informou que não exigirá receita medida para a vacinação de crianças.
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