O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e região coordena, nesta sexta (20), protestos em frente a indústrias exigindo o seu fechamento, em linha com a campanha divulgada em redes social que leva o mote “@Paratudo”. Pela manhã, as manifestações ocorreram em frente às unidades das empresas Tedesco, Planatlântica e Brinox. Para evitar aglomerações, poucas pessoas, algumas com rostos cobertos, participam portando cartazes.
A entidade já havia manifestado no início da semana posicionamento pela paralisação de todas as atividades. “É preciso parar já. Os próximos 15 dias podem ser definitivos para barrar o avanço da doença. Os trabalhadores precisam ser preservados”, defendeu o presidente Assis Melo.
Na quarta-feira, em conjunto com o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, a entidade criou o comitê de crise. A partir dele foram propostas medidas para serem adotadas pelas empresas. As duas primeiras a anunciarem paradas de 20 dias, com férias coletivas para todos os seus funcionários, a partir da segunda (23), foram Marcopolo e Randon. Na sexta (20), a Soprano, de Farroupilha, informou parada a partir de segunda, com retorno programado para 13 de abril, de todos os seus funcionários. Algumas áreas essenciais, abrangendo poucos funcionários, seguirão trabalhando em home office.
A empresa já estava adotando uma série de medidas nesse sentido. A circulação de pessoas nos ambientes de trabalho estava mais restrita, com solicitações para que parceiros e fornecedores realizassem reuniões e tratativas de negócios de forma virtual. Algumas áreas também já atuam em home office e todas as viagens foram canceladas. Com o piora da situação na região, a diretoria optou por tomar medidas ainda mais intensas, como o sistema de férias coletivas.
A Tramontina também suspenderá as atividades em suas fábricas e lojas de todo o Brasil a partir de segunda, 23. No Rio Grande do Sul, as unidades de produção estão localizadas em Carlos Barbosa, Garibaldi, Farroupilha, Canoas e Encruzilhada do Sul, totalizando perto de 5,8 mil trabalhadores. As áreas administrativas trabalharão no regime de home office. A empresa vai flexibilizar a jornada de trabalho, com redução de 50% na remuneração.
Algumas das medidas acordadas pelo Comitê de Crise
- Afastamento imediato dos trabalhadores do grupo de risco, gestantes e pais;
- Cancelamento de viagens nacionais e internacionais;
- Isolamento total para quem chegar de viagem;
- Adoção imediata do teletrabalho nas atividades que o permitam. Para áreas de produção, férias coletivas e individuais, compensação extraordinária de horas sem prejuízo ao salário e flexibilização de 10 dias mensais, sem pagamento.