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Publicada em 15 de Julho de 2026 às 15:12

Empresas apostam no vínculo para concorrer com o e-commerce

Arthur Bolacell e Gabriel Drumond pesquisam necessidades do bairro antes de instalar uma nova unidade do Brasco

Arthur Bolacell e Gabriel Drumond pesquisam necessidades do bairro antes de instalar uma nova unidade do Brasco

Brasco/Divulgação/JC
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Ana Esteves
A ascensão dos marketplaces transformou a dinâmica do comércio no Estado. Se antes uma loja física disputava clientes principalmente com estabelecimentos vizinhos, hoje concorre com milhares de vendedores espalhados por diferentes cantos do mundo. Com a facilidade do celular, o consumidor compara preços, prazos de entrega, avaliações e formas de pagamento em poucos segundos, tornando a competição muito mais acirrada.
Diante desse cenário, varejistas gaúchos vêm descobrindo que competir apenas pelo preço deixou de ser uma estratégia sustentável. O caminho encontrado por empresas de diferentes segmentos tem sido investir em atendimento consultivo, experiências diferenciadas, relacionamento, curadoria de produtos e integração entre os canais físico e digital. A proposta é oferecer ao consumidor algo que os marketplaces dificilmente conseguem entregar: vínculo, confiança e memória afetiva.
Segundo o especialista em varejo e consumo do Sebrae, Fabiano Zortéa, essa mudança é mais necessária do que nunca. "O varejo físico precisa deixar de ser apenas um lugar de transação para se tornar um espaço de relacionamento, descoberta e serviços. Quando oferece apenas produto e preço, compete diretamente com a internet. Quando entrega acolhimento, consultoria e experiências, passa a disputar em outro nível", resume.
É o caso do Brasco. Criado há 13 anos como um pequeno mercado de bairro, o negócio cresceu e hoje reúne cinco unidades em Porto Alegre, cada uma desenvolvida de acordo com as características da região onde está instalada.
Para o proprietário do Brasco, Arthur Bolacell, que criou a empresa com seu sócio Gabriel Drumond, o segredo está em entender que cada bairro possui uma identidade própria. Para isso, antes de abrir uma nova unidade, a empresa realiza entrevistas com moradores, analisa o perfil dos consumidores e utiliza os dados do programa de fidelidade Brasco Mais, que já reúne mais de 74 mil clientes cadastrados.
Foi exatamente esse processo que orientou a criação da unidade do Bom Fim. A pesquisa mostrou que os moradores procuravam muito mais do que um supermercado. O resultado foi um espaço que reúne mercado, cafés, restaurantes, sorveteria, ambientes para trabalho remoto e áreas de convivência. "O Brasco se posiciona como a sala de estar do bairro. Queremos que as pessoas venham trabalhar pela manhã, almoçar, tomar um café à tarde ou encontrar amigos no happy hour. Nosso objetivo é criar um ponto de encontro para a comunidade", afirma Bolacell.
A preocupação com o acolhimento também aparece no ambiente das lojas. Iluminação mais quente, móveis inspirados em casa de vó, sofás, espaços para permanência e programação cultural fazem parte da proposta. O empresário conta que a empresa chegou a operar um e-commerce durante quatro anos, projeto acelerado pela pandemia. Apesar dos bons resultados, a decisão foi concentrar novamente os investimentos na experiência presencial.
"O consumidor percebeu que precisava voltar a conviver. Hoje nosso maior diferencial é justamente oferecer um ambiente onde ele queira permanecer", diz. Outra aposta é a expansão da marca por meio de eventos corporativos e coffee breaks, levando a experiência do Brasco para empresas sem perder o foco nas lojas físicas.

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