A Agross do Brasil projeta investir R$ 71 milhões na construção de uma fábrica em Carazinho, no Norte do Rio Grande do Sul, para ampliar a escala de produção e abrir espaço para equipamentos de maior porte e novas linhas de produtos. A unidade será a segunda da fabricante gaúcha de implementos agrícolas e tem previsão de começar a produzir entre o final de 2028 e o início de 2029.
Sediada em Quinze de Novembro, a Agross fabrica equipamentos voltados a diferentes etapas da produção agropecuária, com soluções para manejo e descompactação do solo, distribuição de insumos e alimentação animal. A nova planta ficará a cerca de 80 quilômetros da atual unidade e permitirá à empresa separar parte do desenvolvimento dos produtos de sua fabricação em maior escala.
A escolha de Carazinho levou em conta a localização do município, a presença da indústria metalmecânica, a disponibilidade de mão de obra qualificada e a tradição regional na fabricação de máquinas agrícolas. A implantação da fábrica também deverá gerar demanda para atividades como construção civil, logística, fornecedores industriais, comércio e prestação de serviços.
A expansão não significará a transferência da operação de Quinze de Novembro. A fábrica atual continuará funcionando e também será ampliada, com aumento previsto de 50% em sua área. A estratégia é dividir funções entre as duas plantas.
Carazinho será direcionada principalmente à produção em série dos equipamentos de maior demanda e daqueles de maior porte, cuja fabricação atualmente encontra limitações de espaço na unidade existente. Quinze de Novembro, por sua vez, seguirá concentrando o núcleo de engenharia, desenvolvimento e prototipagem da empresa.
“A fábrica de Carazinho será configurada para a produção em série e terá capacidade produtiva muito superior à da unidade atual”, afirma o diretor presidente da Agross do Brasil, Silmo de Ávila. A empresa não divulga o volume atual de produção nem a capacidade projetada para a nova planta.
O projeto prevê a instalação da fábrica em uma área de 250 mil metros quadrados às margens da BR-285. Além dos R$ 71 milhões projetados pela Agross, a implantação terá uma contrapartida estimada em R$ 5,5 milhões da prefeitura de Carazinho, correspondente à cessão da área e a obras de infraestrutura no entorno.
A terraplenagem está prevista para começar no segundo semestre de 2027. O cronograma, porém, depende da conclusão das etapas legais e administrativas, entre elas a aprovação do projeto de lei que autoriza a destinação da área pelo município, o licenciamento ambiental e as demais autorizações necessárias.
A mudança de escala também aparece no quadro de pessoal. A Agross possui atualmente cerca de 230 funcionários e projeta criar outros 400 empregos diretos em Carazinho até 2029.
A trajetória da companhia começou em 2000, em Ibirubá, onde foi fundada como Tornitec. A empresa abriu uma unidade em Quinze de Novembro em 2012 e chegou ao município com 21 colaboradores. Inicialmente voltada à prestação de serviços e ao fornecimento para outras fabricantes, passou posteriormente a desenvolver equipamentos próprios. Em 2020, iniciou a fabricação de produtos sob a marca Agross do Brasil.
A nova fábrica também receberá a produção de três equipamentos que ainda estão em desenvolvimento: um destinado à pecuária, outro à agricultura e um terceiro ao segmento de grãos. A empresa mantém os projetos sob sigilo e não antecipa suas características ou aplicações específicas.
Segundo Ávila, serão produtos desenvolvidos a partir de tendências internacionais do setor e com potencial para oferecer soluções diferentes das atualmente disponíveis no mercado. Com isso, a estrutura de Carazinho deverá servir tanto para aumentar a escala de fabricação quanto para ampliar o portfólio da empresa.
Expansão mira mercado nacional e exterior
O investimento é planejado em um momento de maior cautela na compra de máquinas e implementos agrícolas. A aposta da Agross é que permaneça a demanda por tecnologias capazes de melhorar o resultado econômico dentro das propriedades, mesmo em um ambiente mais restritivo para novos investimentos.
“Mesmo diante de um mercado desafiador, vemos crescer a demanda por equipamentos que ajudem a melhorar os resultados das propriedades, com potencial de retorno do investimento em curto prazo e de aumento das margens do produtor”, afirma Ávila.
Segundo o dirigente, o ganho de escala também deverá permitir à Agross ampliar sua presença no mercado brasileiro e preparar a empresa para disputar espaço no exterior. Faturamento e volume anual de produção não são divulgados pela companhia.
FICHA TÉCNICA
Empresa: Agross do Brasil
Município: Carazinho
Setor: Máquinas e implementos agrícolas
Investimento previsto: R$ 71 milhões
Área destinada ao projeto: 250 mil m²
Início previsto da terraplenagem: 2º semestre de 2027
Início previsto da produção: final de 2028 ou início de 2029
Empregos previstos: 400 diretos até 2029
Situação: projeto condicionado à conclusão das etapas legais, ambientais e administrativas