Ao completar 35 anos de produção em Caxias do Sul, na Serra, a fabricante de roupas de cama Benevi Confecções investe em reposicionamento estratégico, que deve aproximar a marca ainda mais do consumidor. Com aporte de R$ 1 milhão, a empresa projeta uma renovação do layout da fábrica, no bairro Cruzeiro, e a abertura de uma nova loja, que será a sua segunda no Litoral Norte, possivelmente em Torres. A Benevi já atua com varejo em Tramandaí, também no Litoral, e duas lojas de atacado em Farroupilha, na Serra.
"É muito mais um investimento estratégico que nos reposiciona e atende a uma demanda dos clientes do que propriamente uma expansão ou crescimento da produção", explica o diretor da Benevi Confecções, Rogério Menegotto.
A ideia, segundo ele, é que, na fábrica de Caxias do Sul, onde a empresa produz em um pavilhão de 2 mil metros quadrados, seja criado um setor de loja de fábrica, com preços de atacado, para o consumidor direto, sejam revendedores ou clientes individuais. No Litoral, a prioridade será o varejo, com abertura da loja prevista para novembro deste ano.
"A nossa tradição é estarmos sempre em feiras, seja para buscarmos novidades para a produção ou para entendermos o comportamento do mercado. Seguiremos uma tendência que vimos muito em Santa Catarina, de fábrica somada à loja, e que também funciona em Farroupilha. É um modelo, por exemplo, mais eficiente, no caso de roupas de cama, do que a venda online. Neste caso, a logística acaba tendo um custo elevado, pelo tamanho do produto, que é bem diferente de uma blusinha. Temos uma característica própria", aponta.
O circuito de feiras está em pleno andamento. A Benevi esteve presente na Expointer e, a cada ano, são em torno de 40 feiras somente no Rio Grande do Sul.
O plano do empresário era, já neste momento, investir também em inovação tecnológica no parque industrial e no desenvolvimento de produtos. As condições do mercado têxtil, porém, são consideradas proibitivas por Menegotto. A estimativa é de que, em outro cenário, o desembolso atual pudesse até mesmo dobrar com aquisição de maquinário.
"Na verdade, estamos todos na expectativa de redução da taxa de juros. Temos duas máquinas consideradas fundamentais para a automação da produção, que estamos prontos para comprar em um cenário mais favorável, mas fabricar produtos têxteis hoje no Rio Grande do Sul não é tarefa fácil. Eu já nem considero os chineses concorrentes, pelas condições desiguais que eles têm. E em Santa Catarina, as fábricas contam com condições fiscais muito favoráveis em relação a nós", comenta o diretor.
A empresa produz, no pico da demanda, até 80 mil peças por mês. Somente em peças de malha, são 5,5 toneladas, que resultam em 30 mil peças mensais. A partir da compra de fios, que incluem a importação de fibra de bambu e a aposta em poliéster mais tecnológico e semelhante ao algodão, a indústria produz o seu próprio tecido na fábrica, com 24 trabalhadores na linha de produção e outros 12 nos demais setores.