As contratações de maneira emergencial de duas bombas submersíveis, com capacidade somada para drenar até 6 mil litros de água por segundo, pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), como forma de dar continuidade às obras de proteção contra cheias entre os bairros Sarandi e Anchieta, em Porto Alegre, sem o risco de alta do Rio Gravataí, em julho, serviram como um alento e sinalização para a fabricante de bombas submersíveis Higra de que, até o final deste ano, o mercado de fornecimento ao setor público ainda deve aquecer.
"Havia uma expectativa de que, após o boom das cheias de 2023 e com a perspectiva, que tem se confirmado, de El Niño, as obras de prevenção a cheias, que demandam o nosso produto, pudessem acelerar. No setor público, há morosidade burocrática que precisa ser respeitada, em relação às licitações. Da maneira geral, mesmo na iniciativa privada, o mercado está estagnado em termos de investimentos no Brasil, mas acredito que neste segundo semestre as licitações devem se concretizar mais rapidamente e movimentar o mercado", aponta o CEO da Higra, Alexsandro Geremia.
A expectativa justifica-se, uma vez que a empresa, especializada na tecnologia de bombas anfíbias, finaliza este ano um ciclo de expansão iniciado com a explosão na demanda durante as cheias de 2024. Neste ano, aponta Geremia, são desembolsados pelo menos R$ 30 milhões na concretização deste processo. É que a empresa finaliza a estruturação da sua primeira fábrica, em São Leopoldo, agora dedicada exclusivamente à montagem das bombas.
"Para darmos conta da demanda, retiramos de fábrica de São Leopoldo a usinagem e a fabricação de motores, que passaram a ser executados na nossa nova unidade, em Caxias do Sul. E isso já tem resultado no aumento de capacidade produtiva da empresa", comenta.
A Higra passou de 400 bombas produzidas por ano para 650 neste ano em que completa 25 de atividade. A meta, possivelmente a ser atingida em 2027, é chegar à capacidade de 800 bombas por ano. Já é planejado um novo aporte, que deve chegar a R$ 8 milhões, no ano que vem, para a instalação, na unidade de São Leopoldo, de uma bancada de testes para bombas já montadas antes de serem entregues ao mercado. Será a maior bancada do Brasil. Um diferencial que Alexsandro Geremia aposta para superar a concorrência.
"Nossa empresa não exporta para os Estados Unidos, mas o tarifaço nos atinge de maneira indireta. Concorrentes nossos passaram a apostar no mercado brasileiro. Tratamos de otimizar ainda mais os nossos processos. Investimos também em uma central técnica exclusiva, separada da fábrica, e inauguramos um escritório somente para o desenvolvimento de projetos, ambas estruturas em São Leopoldo", detalha o dirigente.
E com o mercado nacional pouco movimentado, a Higra tratou de retomar mercados que haviam se afastado desde 2024. Foi o caso da Austrália. Além da prioridade ao setor de mineração que, mesmo no Brasil, não se ressente da desaceleração de investimentos. A Higra tem conquistado clientes na indústria de mineração especialmente na América do Sul.
Desde a sua criação, a empresa estima já ter fornecido mais de 9 mil bombas para 14 países, atendendo desde indústrias até a produção agrícola e o setor público.
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