Em um mundo cada vez mais sujeito a períodos de calor extremo e chuvas torrenciais, preservar e ampliar a arborização deixou de ser apenas uma questão paisagística — é uma necessidade urbana. Em dias quentes, basta sair de uma calçada exposta ao sol e entrar em uma rua coberta pelas copas das árvores para perceber a diferença. A vegetação reduz a temperatura, produz sombra, melhora a qualidade do ar e ajuda a amenizar as ilhas de calor.
As grandes cidades, no entanto, precisam conciliar expansão urbana e manutenção da cobertura vegetal. A retirada de árvores para empreendimentos imobiliários e obras de infraestrutura é frequentemente motivo de controvérsia. O desenvolvimento é necessário, mas a preservação deve ser considerada nos projetos e, quando a derrubada for inevitável, é fundamental que haja compensação adequada.
Em Porto Alegre, o tema merece atenção. A Capital tem cerca de 1,8 milhão de árvores em áreas públicas, segundo o Inventário da Arborização Urbana da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus). Mais de 211 mil estão no sistema viário e outras 110 mil em praças e parques.
Não basta, porém, plantar mudas. O inventário mostra que apenas 26,8% das árvores em calçadas e canteiros não apresentam conflitos com a infraestrutura urbana, como redes aéreas. É uma questão que exige atenção diante dos temporais que frequentemente atingem a cidade.
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