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Publicada em 22 de Setembro de 2026 às 18:05

Eventos climáticos e a necessidade de ações permanentes

ARTE/JC
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Mais uma vez, o Rio Grande do Sul contabiliza os estragos provocados pela força do tempo. O temporal que atingiu o Estado entre domingo e segunda-feira causou mortes, deixou pessoas desaparecidas, famílias desalojadas e prejuízos na infraestrutura em várias cidades. São cenas que, infelizmente, se tornaram recorrentes para os gaúchos nos últimos anos.


Desta vez, há ainda um componente que exige atenção redobrada. O Rio Grande do Sul atravessa um período sob influência do El Niño, fenômeno que historicamente favorece volumes maiores de chuva na Região Sul. As projeções meteorológicas apontam para precipitações acima da média durante a primavera e para a possibilidade de um El Niño muito forte. 


O Estado precisa estar preparado para conviver com um cenário climático mais desafiador. E preparar-se significa ir além da resposta às emergências, passando pela manutenção de sistemas de drenagem, contenção de encostas, proteção das margens dos rios, recuperação ambiental, planejamento urbano, obras de infraestrutura resiliente, aperfeiçoamento dos sistemas de alerta e fortalecimento permanente da Defesa Civil. 


O Rio Grande do Sul conhece o preço da falta de prevenção. As enchentes de 2024 deixaram uma marca profunda na sociedade e na economia gaúchas. Desde então, reconstrução, prevenção e adaptação climática passaram necessariamente a integrar a agenda do Estado. Não podem, porém, aparecer apenas quando uma nova tempestade traz o assunto novamente à tona.


Por isso, a questão climática deve ocupar espaço também na campanha eleitoral deste ano. Os candidatos ao governo do Estado e à presidência da República devem apresentar à sociedade propostas concretas para enfrentar um problema que ultrapassa um mandato e não distingue orientação partidária. O eleitor precisa conhecer planos, prioridades, investimentos e metas.


Fenômenos como o El Niño são naturais e conhecidos pela ciência. Seus efeitos, porém, encontram um território transformado pela ocupação urbana, pelas intervenções ambientais e pelas mudanças climáticas. 


Não é possível impedir que tempestades ou períodos de escassez hidrológica, por exemplo, ocorram. Mas a adoção de políticas adequadas pode tornar cidades e populações menos vulneráveis, minimizando os impactos desses eventos. Foi-se o tempo em que o clima era "conversa de elevador"; o tema precisa fazer parte da pauta permanente dos governos.


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