A reunião de líderes mundiais que começa nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, oferece aos países um espaço para expor diferenças e manter aberto o diálogo. Mas a 81ª edição ocorre em um momento no qual a capacidade da ONU de responder aos problemas para os quais foi criada está novamente sob questionamento.
O cenário internacional mostra o tamanho do desafio. A guerra entre Rússia e Ucrânia se prolonga há mais de quatro anos. No Oriente Médio, o embate envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ampliou a instabilidade de uma região que já acumulava graves crises. Essas disputas, somadas a outras em andamento pelo mundo, expõem a dificuldade da comunidade internacional de transformar condenações, resoluções e negociações em caminhos efetivos para a paz.
Com 193 Estados-membros, a ONU é um dos poucos espaços em que adversários continuam dividindo o mesmo plenário. Suas decisões nem sempre têm força para encerrar guerras, mas preservar canais de negociação torna-se ainda mais necessário em períodos de tensão.
O Brasil tem posição de destaque no encontro. Desde 1955, cabe tradicionalmente ao representante brasileiro abrir os discursos dos países, antes dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta ao púlpito defendendo o multilateralismo e a negociação como instrumentos para solucionar impasses.
No ano passado, um breve encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, abriu caminho para a retomada das conversas sobre as tarifas impostas por Washington. Desde então, a relação bilateral alternou aproximações e tensões. A questão comercial permanece em discussão, enquanto novas divergências surgiram em torno do combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
As dificuldades de entendimento entre os países ajudam a explicar as limitações da própria ONU. A organização chega à sua 81ª Assembleia com menos recursos e diante de crises que colocam à prova sua capacidade de ação. É fácil apontar suas fragilidades, mas é difícil imaginar que instrumento poderia ocupar o lugar da ONU em um mundo no qual as grandes potências parecem menos dispostas a aceitar regras comuns. A reunião desta semana não resolverá guerras nem eliminará divergências. Seu desafio é demonstrar que, mesmo em tempos de confronto, ainda existe espaço para a diplomacia.