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Publicada em 03 de Setembro de 2026 às 18:11

Longevidade e baixa natalidade: os impactos para o RS

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O aumento da expectativa de vida e a baixa taxa de natalidade já são uma realidade no Rio Grande do Sul. A maior longevidade traz uma conquista, mas também exige planejamento para que o Estado esteja preparado para uma população que vive mais e para os impactos dessa transformação.

Três fatores merecem atenção. Segundo dados do Departamento de Economia e Estatística (DEE) publicados em reportagem do Jornal do Comércio nesta semana, a expectativa de vida chegou a 76,49 anos no triênio 2022–2024 no Estado. Em média, as mulheres gaúchas vivem 79,63 anos e os homens 73,30 anos. Mas esses anos precisam ser acompanhados de saúde, autonomia e oportunidades para quem ultrapassa a barreira etária.

Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul tem uma das menores taxas de crescimento populacional do País. A fecundidade é de 1,4 filho por mulher, abaixo da média nacional de 1,5, e a migração não tem sido suficiente para compensar a queda dos nascimentos. Entre 2000 e 2024, a população com mais de 60 anos passou de 1,09 milhão para 2,31 milhões. Sua participação subiu de 10,6% para 20,6%, enquanto o número de menores de 15 anos caiu em mais de 676 mil.

Esse novo desenho da população terá reflexos diretos na economia. Com menos pessoas em idade de trabalhar, o crescimento dependerá ainda mais de produtividade, qualificação e inovação. Também será preciso abrir espaço para trabalhadores mais velhos, combatendo o etarismo e valorizando a experiência. Trabalhar depois da aposentadoria deve ser uma escolha, e não uma imposição pela necessidade de renda.

O impacto desse novo cenário demográfico chegará também à saúde, à assistência e aos cuidados. Famílias menores significam menos pessoas para dividir a responsabilidade por pais e avós que viverão mais tempo.

Os dados do IBGE mostram que o crescimento populacional brasileiro também desacelera e colocam o Rio Grande do Sul entre os estados com as menores taxas. Não é um cenário para o futuro distante, pois já está acontecendo.

Envelhecer não precisa significar perder dinamismo, mas exige planejamento e escolhas. O Rio Grande do Sul pode esperar que os problemas apareçam ou se antecipar a eles, planejando cidades, saúde, trabalho, educação, previdência e cuidados. Preparar-se para uma população que vive mais é, sobretudo, preparar o Estado para o seu próprio futuro.

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